Justin Tang / Zuma Press / Europa Press
BRUXELAS 16 set. (EUROPA PRESS) -
O Parlamento Europeu exigiu nesta quarta-feira uma resposta mais firme da União Europeia diante do aumento dos ataques híbridos da Rússia e de “seus aliados”, instando os Estados-membros a reforçarem o intercâmbio de informações de inteligência e a melhorarem a coordenação com a OTAN para antecipar e responder a esse tipo de ameaça.
Em um relatório aprovado por 470 votos a favor, 129 contra e 62 abstenções, o Parlamento Europeu apontou a Rússia como a “maior ameaça híbrida” para a UE e seus Estados-membros, seja diretamente ou por meio de terceiros, entre os quais a Bielorrússia. O texto também aponta a China, o Irã e a Coreia do Norte por campanhas destinadas a minar as democracias europeias e corroer os interesses de segurança do bloco.
No documento, os eurodeputados alertaram que o atual cenário de segurança europeu “não é nem um estado de paz nem um conflito armado aberto”, diante da proliferação de operações híbridas nas últimas semanas e meses que combinam áreas como desinformação, ataques cibernéticos ou sabotagem contra infraestruturas críticas.
Esse tipo de ação, afirmam, é concebido para parecer “incidentes isolados” e permanecer “abaixo do limiar do conflito armado”, apesar de poderem chegar a “produzir efeitos comparáveis às agressões convencionais”, uma estratégia que, segundo o Parlamento Europeu, dificulta tanto a identificação dos responsáveis quanto a articulação de uma resposta eficaz.
MUDAR PARA UMA ESTRATÉGIA “PROATIVA”
Diante desse cenário, o Parlamento Europeu instou a UE a passar “de uma estratégia reativa para uma proativa” que permita antecipar essas operações, perturbá-las e dissuadir seus responsáveis, elevando de forma “credível” o custo das ações hostis.
Para isso, os eurodeputados consideram necessário melhorar a detecção precoce das ameaças e monitorar continuamente as vulnerabilidades estratégicas europeias, mas também contar com uma visão comum dos riscos que o bloco enfrenta.
Especificamente, instaram os Vinte e Sete a aumentar “o intercâmbio de inteligência” e a reforçar a Capacidade Única de Análise de Inteligência (SIAC, na sigla em inglês), que pretendem transformar no “centro único” de inteligência dentro das instituições da UE.
Além disso, os eurodeputados solicitaram o reconhecimento formal do papel da UE na coleta de informações transfronteiriças para detectar padrões de campanhas híbridas coordenadas que um Estado-Membro não poderia identificar sozinho, bem como avançar em procedimentos comuns para melhorar a detecção e a atribuição desse tipo de ataque.
O Parlamento Europeu também exigiu um plano de ação transversal contra a guerra híbrida, embora tenha ressaltado que essas medidas devem respeitar a soberania dos Estados-membros e garantir a proteção das informações nacionais confidenciais.
Por fim, o relatório pediu o aprofundamento da cooperação entre a União Europeia e a OTAN para reforçar a preparação, a resiliência e a capacidade de dissuasão da Europa diante das ameaças híbridas.
INVESTIGAÇÃO SOBRE O QUE OCORREU EM CEUTA
Entre outros pontos, o Parlamento Europeu denunciou a instrumentalização da migração como arma de “guerra híbrida” para desestabilizar os países da União Europeia e, por isso, solicitou uma investigação “independente e exaustiva” para determinar a responsabilidade pela travessia ilegal de cerca de 80 mil pessoas de Marrocos para Ceuta no final de julho passado.
A referência à crise vivida em Ceuta, incluída em uma emenda pela própria relatora do relatório, a eurodeputada lituana do Partido Popular Europeu (PPE) Rasa Jukneviciene, indica que o Parlamento Europeu “condena veementemente o ataque à fronteira sul da União na cidade de Ceuta”, bem como a “posterior invasão da cidade, que constitui um ataque à integridade territorial e à soberania de um Estado-Membro”.
Além disso, “lamenta o uso dos fluxos migratórios irregulares como instrumento de guerra híbrida dirigido contra a estabilidade e a segurança de um Estado-Membro” e, nesse contexto, “solicita uma investigação independente e exaustiva para esclarecer a responsabilidade pelo planejamento e pela execução dos ataques e determinar os objetivos perseguidos”.
Isso consta de uma emenda aprovada com 435 votos a favor, 209 contra e 13 abstenções, incluída em um relatório mais extenso sobre as ameaças híbridas que a União Europeia enfrenta, que aponta a Rússia como o principal perigo, seguida por outros países como a Bielorrússia, a China, o Irã e a Coreia do Norte.
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