Publicado 11/03/2026 13:14

O Parlamento Europeu defende a ampliação da UE como "uma resposta estratégica" à nova realidade geopolítica

Sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo (França)
MATHIEU CUGNOT

A maioria dos eurodeputados solicita a rápida abertura dos capítulos de negociação com a Ucrânia e a Moldávia BRUXELAS 11 mar. (EUROPA PRESS) -

O plenário do Parlamento Europeu aprovou nesta quarta-feira um relatório em que defende a ampliação da União Europeia como “uma resposta estratégica” à nova realidade geopolítica, destacando que se trata de “um investimento vital na segurança e estabilidade” do bloco comunitário.

O documento, aprovado em sessão plenária em Estrasburgo (França) com 385 votos a favor, 147 contra e 98 abstenções, sustenta que “o custo da não ampliação superaria o da incorporação de novos membros”, diante do “risco” de criar “zonas cinzentas” geopolíticas vulneráveis à influência de outros países.

Mais concretamente, os eurodeputados salientaram que o Montenegro e a Albânia já estabeleceram “objetivos ambiciosos” para concluir as suas negociações de adesão no final de 2026 e 2027, respetivamente, e encorajaram a UE no seu conjunto a “incentivar estes países quando a sua ambição for apoiada por reformas tangíveis”.

Depois de exortar os 27 a reconhecerem o impulso destes dois países e a eliminarem “quaisquer obstáculos”, o Parlamento Europeu solicitou também “a rápida abertura” dos capítulos de negociação de outros dois países que estão a fazer progressos notáveis, como a Ucrânia e a Moldávia.

Também destacou o crescente interesse na adesão à UE depois de a Islândia ter anunciado um referendo no próximo mês de agosto sobre se devem trabalhar para aderir ao bloco comunitário, e também acolhe com satisfação as possíveis iniciativas da Gronelândia para estreitar os seus laços com a União.

No entanto, o relatório sublinha que a adesão “deve continuar a basear-se no mérito e ser reversível”, que nenhum país deve ser tratado como parte de um “pacote” juntamente com outros Estados e que não pode haver “atalhos” no que diz respeito aos valores e princípios fundamentais da UE.

“O Estado de direito, as reformas democráticas, a liberdade de imprensa, os direitos das minorias, a independência judicial e a luta contra a corrupção devem permanecer no centro do processo de alargamento, juntamente com um apoio sustentado à sociedade civil”, lê-se no texto.

Os eurodeputados também salientaram que a alinhamento com a Política Externa e de Segurança Comum (PESC) da UE é “um indicador-chave” da orientação geopolítica de um país candidato, uma vez que “o retrocesso democrático mais preocupante” ocorre nos países com “menor alinhamento” com a PESC e naqueles onde o processo de adesão está de facto estagnado.

FINANCIAMENTO PARA MOVIMENTOS PRÓ-ADESÃO Outro ponto digno de nota do relatório aprovado esta quarta-feira na sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo é o pedido para dar “maior apoio” aos atores da sociedade civil pró-UE comprometidos com os valores europeus.

O relatório também salienta que deve haver um financiamento de pré-adesão “adequado” no próximo orçamento da UE, bem como uma “cooperação mais profunda” em matéria de infraestruturas, segurança, resiliência e luta contra “a manipulação de informação estrangeira”. “Com cada novo membro, o poder político e económico da Europa cresceu, trazendo prosperidade e segurança aos seus cidadãos. Face aos desafios atuais, devemos melhorar o modelo de integração da UE para refletir melhor os interesses da União e as expectativas dos países candidatos”, afirmou em declarações enviadas num comunicado o relator do relatório, o eurodeputado liberal da Lituânia Petras Austrevicius.

Na opinião do parlamentar do Renew, o alargamento da UE “deve ser acompanhado de reformas internas” para salvaguardar o funcionamento da UE e melhorar os processos de tomada de decisão, incluindo o maior uso da votação por maioria qualificada em vez da unanimidade.

“A UE deve concluir estas reformas quando os candidatos mais avançados cumprirem os critérios de adesão e estiverem preparados para a adesão”, acrescentou. Atualmente, a UE mantém conversações de adesão com a Sérvia, a Bósnia-Herzegovina, a Macedónia do Norte, a Albânia e o Montenegro, sendo estes dois últimos os que estão mais avançados nas negociações com Bruxelas. Existem também negociações para a adesão à União com a Ucrânia, Moldávia, Geórgia e Turquia, embora o diálogo com o país governado por Recep Tayyip Erdogan esteja congelado.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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