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O governo convoca a embaixadora da UE para protestar veementemente contra uma resolução do Parlamento Europeu
MADRID, 1 maio (EUROPA PRESS) -
O Parlamento do Azerbaijão aprovou nesta sexta-feira o corte da cooperação com o Parlamento Europeu em resposta a uma resolução aprovada na quinta-feira pelo Parlamento Europeu, um texto que levou Baku a convocar a embaixadora da União Europeia (UE) no país, Marijana Kujundzic, para lhe transmitir também uma firme condenação.
O legislativo aprovou, assim, uma proposta para suspender a cooperação com o Parlamento Europeu e pôr fim à sua participação na Comissão de Cooperação Parlamentar UE-Azerbaijão devido às suas “atividades anti-azeris”, com o que a delegação azeri junto ao órgão deixará de participar de suas atividades, segundo a agência Azertag.
Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores convocou Kujundzic para protestar contra as críticas “infundadas e tendenciosas” contidas na resolução aprovada na quinta-feira pelo Parlamento Europeu, antes de ressaltar que o documento “distorce a realidade, contradiz os princípios de objetividade e as obrigações de respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados”.
O ministério explicou em um comunicado que “a adoção dessa postura por parte do Parlamento Europeu afeta negativamente o processo de normalização na região, bem como a possibilidade de relações entre o Azerbaijão e a UE”, depois que o documento criticou a “detenção injusta” de armênios em Nagorno-Karabakh e denunciou outros atos de Baku na zona, reintegrada em 2023 após uma ofensiva militar.
Nesse sentido, enfatizou que “apesar do plano de reintegração apresentado em 2023, em conformidade com a Constituição do Azerbaijão, os residentes armênios abandonaram a região voluntariamente”, em referência à fuga para a Armênia de praticamente toda a população de Nagorno-Karabakh, o que foi descrito por Yerevan como uma limpeza étnica.
“Os apelos à libertação de pessoas de origem armênia, apresentadas como ‘prisioneiros de guerra’, são juridicamente inaceitáveis”, afirmou o ministério, que também classificou como “completamente infundadas e inaceitáveis” as denúncias sobre a “destruição do patrimônio cultural e religioso” armênio na referida região.
O texto da resolução do Parlamento Europeu, aprovada em apoio à Armênia, reitera seu apoio aos “direitos dos armênios de Nagorno-Karabakh, incluindo a proteção de sua identidade, propriedades e patrimônio cultural, e seu direito a um retorno seguro, sem obstruções e digno, sob garantias internacionais adequadas”.
Além disso, pede que “os responsáveis pela destruição do patrimônio cultural e religioso armênio prestem contas” e condena “a detenção injusta de prisioneiros de guerra, detidos e reféns armênios por parte do Azerbaijão”, ao mesmo tempo em que exige sua “liberação imediata e incondicional”.
Nagorno-Karabakh é um território de cerca de 4.400 quilômetros quadrados no Cáucaso Meridional, reintegrado ao Azerbaijão após a ofensiva de 2023, que se seguiu às guerras de 1998 e 2020. Até então, a zona, de maioria armênia, havia estado por mais de três décadas sob o controle de forças pró-armênias, apesar de a comunidade internacional reconhecer a região como de soberania azerbaijana.
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