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Islamabad ressalta que eles chegaram após o cessar-fogo para “facilitar” a logística relacionada ao diálogo entre o Irã e a UE
MADRID, 12 maio (EUROPA PRESS) -
O governo do Paquistão expressou nesta terça-feira sua rejeição “categórica” às informações sobre a presença de aeronaves militares do Irã em uma de suas bases e ressaltou que essas aeronaves “chegaram durante o período do cessar-fogo” e não têm relação com o conflito nem fazem parte de um acordo com Teerã para evitar que sejam alvo de bombardeios.
A emissora de televisão norte-americana CBS informou nesta terça-feira, citando fontes oficiais, que o Paquistão teria permitido que aeronaves militares iranianas pousassem na base aérea de Nur Jan após a entrada em vigor do cessar-fogo, antes de acrescentar que Teerã também enviou outras aeronaves ao Afeganistão. Assim, observou que o Irã buscava, dessa forma, preservar parte de sua frota diante de uma possível retomada da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão confirmou a presença dessas aeronaves na base de Nur Jan, localizada na cidade de Rawalpindi, embora tenha destacado que as informações da referida emissora são “enganosas” e “sensacionalistas”. “Essas narrativas especulativas parecem destinadas a minar os esforços para alcançar a paz e a estabilidade regional”, criticou.
Assim, o Paquistão explicou que “após o cessar-fogo e durante a rodada inicial de conversações em Islamabad (entre Teerã e Washington), várias aeronaves do Irã e dos Estados Unidos chegaram ao Paquistão para facilitar a movimentação de pessoal diplomático, equipes de segurança e pessoal administrativo associado ao processo de negociações”.
“Algumas aeronaves e equipes de pessoal permaneceram temporariamente no Paquistão em antecipação a novas rodadas de interações”, afirmou, antes de ressaltar que “embora as negociações formais não tenham sido reiniciadas, as trocas diplomáticas de alto nível continuaram”.
Nesse sentido, citou como exemplo as recentes visitas ao país do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, deslocamentos que “foram facilitados por meio dos acordos logísticos e administrativos existentes”, ao mesmo tempo em que reiterou que as aeronaves iranianas presentes no Paquistão “não têm qualquer ligação com contingências militares ou acordos de preservação”.
“As afirmações que sugerem o contrário são especulativas, enganosas e totalmente distantes dos fatos”, sublinhou o ministério, que enfatizou que “o Paquistão tem agido de forma consistente como um facilitador imparcial, construtivo e responsável em apoio ao diálogo e à redução das tensões”.
Por isso, aprofundou que “o Paquistão prestou apoio logístico e administrativo quando solicitado, mantendo total transparência e comunicação regular com todas as partes”. “O Paquistão continua comprometido em apoiar todos os esforços sinceros destinados a promover o diálogo, reduzir as tensões e fazer avançar a paz, a estabilidade e a segurança em nível global e regional”, concluiu.
Os Estados Unidos e o Irã estão imersos em um processo de diálogo mediado pelo Paquistão, embora as diferenças nas posições tenham impedido, até o momento, a realização de uma segunda reunião em Islamabad, que sediou um primeiro encontro presencial após o acordo de cessar-fogo firmado em 8 de abril, prorrogado desde então sem prazo determinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O bloqueio do Estreito de Ormuz e o recente assalto e apreensão de navios iranianos na zona por parte das forças americanas têm sido um dos motivos invocados por Teerã para não comparecer a Islamabad, uma vez que considera que essas ações constituem uma violação do cessar-fogo que impede o processo de diálogo. Apesar disso, ambos os países mantêm seus contatos por meio da mediação paquistanesa.
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