Publicado 18/09/2025 02:18

Papa Leão XIV sobre Gaza: "A palavra genocídio está sendo usada cada vez mais".

Em sua primeira entrevista como Pontífice, ele descarta sua função principal como sendo "o solucionador dos problemas do mundo".

MADRID, 18 set. (EUROPA PRESS) -

O Papa Leão XIV declarou em sua primeira entrevista que "a palavra genocídio está sendo usada cada vez mais" para se referir ao que está acontecendo na Faixa de Gaza, mas esclarece que "oficialmente, a Santa Sé não acredita" que possa "fazer qualquer declaração sobre o assunto neste momento".

Estes são comentários que ele fez em 10 de julho de 2025 durante uma conversa que teve com a jornalista Elise Ann Allen, da 'Crux', que será publicada na íntegra no Peru nesta quinta-feira, 18 de setembro, sob o título 'Leo XIV. Cidadão do mundo, missionário do século XXI" (Penguin Random House). Na Espanha, esse livro-entrevista será publicado em 23 de outubro.

"Existe uma definição muito técnica do que poderia ser genocídio, mas cada vez mais pessoas estão levantando a questão, incluindo dois grupos de direitos humanos em Israel que fizeram essa declaração", comenta ele no livro, consultado pela Europa Press.

De qualquer forma, ele pede aos cristãos que não sejam "insensíveis" diante de uma situação "tão horrível" e os incentiva a "manter a pressão para tentar promover mudanças no país".

Sobre o relacionamento com os judeus como resultado da ofensiva em Gaza, León XIV nos assegura, correndo o risco de parecer "muito presunçoso", que "já nos primeiros dois meses, o relacionamento com a comunidade judaica como tal melhorou um pouco" e enfatiza que "é importante fazer algumas distinções que eles mesmos fazem em termos do que o governo israelense está fazendo e quem são os membros da comunidade judaica".

"Felizmente, houve até mesmo algumas reuniões que eu já tive, um pouco de aproximação. Acho que as raízes do nosso cristianismo estão na religião judaica, e não podemos fechar os olhos para isso", acrescenta.

SOBRE A UCRÂNIA: "O VATICANO NÃO PRECISA SER O MEDIADOR".

Por outro lado, sobre a guerra na Ucrânia, Leão XIV afirma que "o Vaticano não precisa ser o mediador" nesse conflito, mas levantar a voz para defender a paz e propor "um lugar que seja neutro" para favorecer o diálogo.

"Estou bem ciente das implicações de pensar no Vaticano como um mediador, incluindo as duas vezes em que nos oferecemos para sediar reuniões para negociações entre a Ucrânia e a Rússia, seja no Vaticano ou em outra propriedade da Igreja", disse ele. No entanto, ele esclarece que "fazer a oferta foi uma mensagem, e ela foi ouvida porque o presidente (russo) Putin ligou logo em seguida".

"Ele tomou essa iniciativa. Obviamente, o Vaticano não foi aceito como um possível local para negociações, e não havia nenhuma restrição quanto a isso. Eu estava falando de um lugar que seria neutro, ao qual eles poderiam ir e que proporcionaria o ambiente onde o diálogo, a negociação, poderia ocorrer. O Vaticano não precisa ser o mediador. Isso pode ser resolvido com outra pessoa", explica ele.

"NENHUM PROBLEMA" EM ABORDAR QUESTÕES ESPECÍFICAS COM TRUMP

Sobre o fato de ser o primeiro papa americano e perguntado se pode fazer a diferença, Prevost reconhece que não tem planos de se envolver "em política partidária", embora reconheça que não teria "nenhum problema" em abordar "questões específicas" com o presidente dos EUA, Donald Trump, e que "gostaria de apoiá-lo" em questões como a defesa da dignidade humana ou a promoção da paz no mundo. No entanto, ele acrescenta que "há obviamente algumas coisas que estão acontecendo nos Estados Unidos que são motivo de preocupação".

"Algo que Francisco fez no final de seu pontificado, que foi muito significativo, foi a carta que ele escreveu sobre o tratamento dos imigrantes. Fiquei muito feliz em ver como os bispos americanos aceitaram isso, e alguns deles foram corajosos o suficiente para dar continuidade a isso. Acho que essa abordagem, em geral, é uma abordagem melhor, ou seja, eu me relacionaria principalmente com os bispos", enfatiza.

De qualquer forma, o pontífice não acredita que seu papel deva ser o de resolver as crises no mundo. "De certa forma, não vejo meu papel principal como tentar ser o solucionador dos problemas do mundo. Não vejo meu papel dessa forma, embora acredite que a Igreja tenha uma voz, uma mensagem que precisa continuar a ser pregada, a ser falada e falada em voz alta. Os valores que a Igreja promoverá ao lidar com algumas dessas crises globais não surgem do nada, eles vêm do Evangelho", explica Prevost.

O PERIGO DA IDEOLOGIA E DA POLARIZAÇÃO

Ele também alerta para o perigo de a Igreja cair na ideologia e na polarização. "A ideologia quer usar o Evangelho em vez de ser no Evangelho que devemos nos concentrar", adverte.

Além disso, diante da polarização, Leão XIV propõe a sinodalidade e lamenta que "algumas pessoas tenham se sentido ameaçadas por ela". "Às vezes, bispos ou padres podem sentir que 'a sinodalidade vai tirar minha autoridade'. Não é disso que se trata a sinodalidade, e talvez a ideia deles sobre o que é sua autoridade esteja um pouco desfocada, errada. A sinodalidade é uma forma de descrever como podemos nos unir e ser uma comunidade", esclarece.

Em todo caso, ele ressalta que "não se trata de tentar transformar a Igreja em algum tipo de governo democrático" e, de fato, adverte que em "muitos países do mundo hoje, a democracia não é necessariamente uma solução perfeita para tudo".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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