Stefano Spaziani - Europa Press - Arquivo
O pároco, Pierre el Rahi, morreu na segunda-feira em um ataque com artilharia contra uma residência na localidade de Qlaya MADRID 10 mar. (EUROPA PRESS) -
O Papa Leão XIV expressou seu “profundo pesar” pela morte de um padre maronita em um ataque executado pelo Exército de Israel contra a localidade de Qlaya, no sul do Líbano, no âmbito do conflito no Oriente Médio após a ofensiva surpresa lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
A Sala de Imprensa da Santa Sé indicou que Leão XIV manifestou sua “profunda dor” por “todas as vítimas dos bombardeios destes dias no Oriente Médio, pelos tantos inocentes, incluindo muitas crianças, e por aqueles que lhes prestavam assistência, como o padre Pierre el Rahi”, falecido na segunda-feira em Qlaya.
Assim, ele garantiu que esses pensamentos do Papa, que “acompanha com preocupação tudo o que está acontecendo e reza para que todas as hostilidades cessem o mais rápido possível”, são dirigidos a todas as vítimas do conflito, especialmente às crianças, conforme noticiado pela Vatican News.
O padre Toufic Bou Merhi, franciscano da Custódia da Terra Santa e pároco dos latinos em Tiro e Deirmimas, confirmou na segunda-feira a morte de El Rahi e especificou que o homem, pároco maronita de Qlaya, havia falecido após um ataque contra a localidade, sem que o Exército de Israel se tenha pronunciado até ao momento sobre o incidente.
“Houve um primeiro ataque, que atingiu uma casa perto de sua paróquia, nas montanhas, ferindo um dos paroquianos”, disse Bou Merhi, que especificou que El Rahi se dirigiu com outras pessoas “para ajudar o paroquiano”. “Foi então que ocorreu outro ataque, outro bombardeio contra a mesma casa”, detalhou.
“O pároco ficou ferido. Ele foi levado a um hospital local, mas faleceu. Ele morreu quase na porta do hospital”, lamentou, antes de lembrar que “a casa de outro padre também foi atacada” na semana passada. “As pessoas resistiram naquela ocasião, mas agora, com a morte do padre Pierre, não sei por quanto tempo elas conseguirão aguentar”, explicou.
Nesse sentido, destacou que 200 deslocados, “todos muçulmanos”, estão refugiados em um convento franciscano na cidade de Tiro. “Temos 500 mil pessoas deslocadas de suas casas somente em Beirute. Quase 300.000 abandonaram o sul do Líbano e estão dispersas em zonas do sul consideradas mais seguras, embora já não haja segurança em lado nenhum”, argumentou.
CRÍTICAS DO PREFEITO DE QLAYA Por sua vez, o prefeito de Qlaya, Hanna Daher, apontou que “os motivos do ataque” contra a cidade “não estão claros”. “Qlaya é uma localidade segura. A casa atingida ficava na zona leste da cidade. Ouvimos uma explosão, os moradores viram fumaça e todos foram para o local", relatou ele em declarações ao jornal 'L'Orient-Le Jour'. "Quando chegamos, descobrimos que a casa havia sido atingida por fogo de artilharia e que havia feridos dentro dela", disse ele. "Enquanto tentávamos evacuar os feridos, um segundo projétil explodiu na casa. Escapamos por pouco de um massacre, pois éramos muitos presentes", destacou, antes de confirmar que El Rahi é uma das vítimas fatais. "Não sabemos qual é a justificativa para este ataque. Alguns dizem que havia grupos na casa, mas isso é falso. São mentiras. Havia apenas os moradores da casa e pessoas da cidade que foram ajudar os feridos", afirmou.
Desta forma, Daher insistiu que os residentes da cidade são “pessoas pacíficas”. “Não fazemos mal a ninguém. Nosso povo está a salvo. A única coisa que pedimos é poder ficar em nossas casas em paz. Ficaremos aqui e não iremos embora. Não sabemos se há algum plano para nos deslocar, mas permaneceremos em nossa terra e não a abandonaremos”, concluiu.
As autoridades libanesas elevaram para cerca de 400 o número de mortos devido à onda de bombardeios lançados por Israel em resposta ao lançamento de projéteis pelo partido-milícia xiita libanês Hezbollah, em vingança pelo assassinato do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, na ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o país asiático.
Israel já havia lançado dezenas de bombardeios contra o Líbano nos últimos meses, apesar do cessar-fogo alcançado em novembro de 2024, argumentando que age contra as atividades do Hezbollah e garantindo que, por isso, não viola o pacto, embora tanto as autoridades libanesas quanto o grupo tenham se mostrado críticos a essas ações, igualmente condenadas pelas Nações Unidas.
O cessar-fogo previa que tanto Israel quanto o Hezbollah deveriam retirar suas tropas do sul do Líbano. No entanto, o Exército israelense manteve cinco postos no território de seu país vizinho, algo também criticado por Beirute e pelo grupo xiita, que exigem o fim desse destacamento.
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