Publicado 01/04/2025 02:34

Panamá prorroga por 72 horas o salvo-conduto do ex-presidente Martinelli

A Nicarágua garante que não o receberá em seu território até que o Panamá dê explicações por ter solicitado à Interpol um alerta contra ele.

Archivo - 26 de janeiro de 2025, Panamá, PANAMÁ: Bandeira nacional do Panamá
Europa Press/Contacto/Daren Fentiman - Arquivo

MADRID, 1 abr. (EUROPA PRESS) -

O governo do Panamá decidiu nesta segunda-feira prorrogar por mais três dias, até quinta-feira, 3 de abril, o salvo-conduto concedido ao ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli (2009-2014) para viajar à Nicarágua, país onde recebeu asilo político, que deveria expirar à meia-noite de hoje.

"Levando em conta circunstâncias imprevistas e a necessidade de ter um período de tempo razoável para realizar a transferência, o Governo Nacional decidiu estender a validade do salvo-conduto por mais 72 horas, até o final da quinta-feira, 3 de abril de 2025", anunciou o Ministério das Relações Exteriores do Panamá em um comunicado.

Essa decisão foi tomada depois que o governo da Nicarágua anunciou que não receberá Martinelli, refugiado desde fevereiro de 2024 na embaixada nicaraguense no Panamá após ser condenado por corrupção, até que seja esclarecido um possível alerta da Interpol contra ele.

As autoridades de Manágua também acusaram a Cidade do Panamá de ter solicitado tais alertas contra o ex-presidente, embora o Executivo de José Raúl Mulino tenha assegurado na segunda-feira que "nenhum alerta vermelho da Interpol" poderia impedir sua transferência.

"Informamos às autoridades panamenhas que, até que resolvam essa incongruência, não podemos, como autoridades de um Estado responsável e humanista, aceitar o que consideramos uma emboscada, tanto contra o ex-presidente (...), que seria exposto a ações agressivas, quanto contra o próprio governo nicaraguense, que pretende gerar um conflito internacional que não nos interessa, nem nos diz respeito, nem nos pertence", disseram em uma declaração publicada pelo portal de notícias El 19 Digital.

Nesse sentido, a Suprema Corte do Panamá "declarou que não tem objeções" à extensão do salvo-conduto, fato que foi "oficialmente comunicado ao governo da Nicarágua, dentro da estrutura de respeito mútuo e cooperação entre os Estados", de acordo com o ministério.

O governo panamenho concedeu salvo-conduto "por razões estritamente humanitárias" a Martinelli - condenado por lavagem de dinheiro - com um período de validade não prorrogável que terminou à meia-noite de 31 de março. Depois disso, o ex-presidente denunciou que as forças de segurança panamenhas haviam cercado o prédio da Embaixada da Nicarágua, de onde ele havia solicitado asilo "por se considerar perseguido por motivos políticos".

O ex-presidente do Panamá entre 2009 e 2014 também foi condenado a pagar uma multa de US$ 19,2 milhões - 17 milhões de euros - e suas aspirações de voltar a governar o país foram frustradas quando ele foi desqualificado pela Constituição. Ele ainda tem outro julgamento pendente por suposto suborno da empresa de construção Odebrecht.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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