BARCELONA, 14 nov. (EUROPA PRESS) -
A eurodeputada socialista Leire Pajín advertiu que a UE "está arriscando sua credibilidade política e seu papel geopolítico" em Gaza, e lamentou que o Parlamento Europeu tenha levado um ano e meio para aprovar uma resolução sobre Gaza e que a Comissão Europeia tenha se comprometido a suspender o acordo comercial com Israel, após o que ela apontou que o Conselho da UE ainda não tomou uma decisão sobre o assunto.
Foi o que ele disse nesta sexta-feira na apresentação-diálogo do relatório 'Humanitarian aid in times of polycrisis' (Ajuda humanitária em tempos de policrise) junto com o diretor de Análise e Desenvolvimento Global da ISGlobal Rafael Vilasanjuan e a coordenadora dos Médicos Sem Fronteiras Raquel González, que foi encerrada pela Secretária de Estado de Cooperação Internacional, Eva Granados.
Pajín, que é o autor desse relatório, defendeu a necessidade de "colocar o foco na diplomacia humanitária e nas alianças políticas" e não apenas para ajudar em tempos de crise, mas também para prevenir conflitos e desastres ambientais e naturais.
O eurodeputado socialista advertiu que, no atual contexto de policrise, "a ajuda humanitária está pedindo ajuda", e destacou que o próprio sistema humanitário está em crise devido ao contexto atual e à retirada do financiamento dos Estados Unidos, que representava de 40 a 60% do financiamento da arquitetura global de ajuda humanitária.
Ele indicou que esse sistema está sofrendo com a falta de financiamento, uma crise de credibilidade e a necessidade de abordar novos contextos, em um momento em que há uma "crise no sistema multilateral que não é acidental", que ele atribuiu principalmente ao comportamento do governo dos EUA e ao fato de que os países do sul global estão exigindo um sistema multilateral mais representativo.
NÃO ESTÁ BUSCANDO SUBSTITUIR OS EUA
O relatório tem como objetivo fazer com que a UE "tenha consciência do papel que deve desempenhar nos próximos anos" e busca fazer uma reflexão e análise profundas dos locais e contextos em que deve concentrar sua atenção, embora Pajín tenha reconhecido que a UE não pode pretender substituir os Estados Unidos em questões humanitárias.
O eurodeputado socialista disse que esse relatório também tem como objetivo servir como "uma renovação dos votos de credibilidade e compromisso com os princípios do sistema humanitário internacional" e pediu que a UE fale sobre contextos frágeis e fragilidades, e não apenas sobre Estados falidos.
"Pedimos à UE que fale nesse conceito amplo, que garanta financiamento suficiente e previsível e que aborde a emergência humanitária, o desenvolvimento e a paz", e acrescentou que esses três elementos emergem em Gaza.
Pajín também alertou que a crise humanitária mais grave do mundo está no Sudão e lamentou que muito pouco seja dito sobre esse país, que está sofrendo "uma realidade de limpeza étnica e uma situação desoladora".
A EUROPA NO MUNDO
Em uma reunião com jornalistas após o evento, ele lamentou que os Estados Unidos tenham reduzido sua cooperação internacional e insistiu que isso deixa um espaço que a Europa pode ocupar, mas "não substituindo" os americanos, mas mantendo os valores europeus aplicados à cooperação.
Ele também considerou necessário que a Europa saiba "onde e com quem" fazer isso, estabelecendo prioridades, e citou a América Latina como um exemplo claro de onde construir relações mais próximas.
Pajín enfatizou que a Europa e a América Latina podem se ajudar mutuamente, muito além das relações comerciais, e "unir forças" para acordos internacionais importantes, como as metas climáticas.
APLICAR O RELATÓRIO
A deputada expressou sua confiança de que o relatório sobre ajuda humanitária em tempos de policrise será aprovado e que terá influência, embora não seja vinculativo.
Ela ressaltou que esse relatório chega quase no início da atual legislatura europeia, portanto, há tempo para desenvolver seu conteúdo legislativamente.
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