COLIN CAREY/OXFAM - Arquivo
MADRID, 26 jun. (EUROPA PRESS) -
A riqueza acumulada pelo 1% mais rico do planeta desde 2015, quando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram acordados, permitiria acabar com a pobreza nos próximos 22 anos, de acordo com o último relatório publicado pela Oxfam Intermón na preparação para a Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, que será realizada na próxima semana em Sevilha.
Em seu relatório "Do lucro privado ao poder público: Financiando o desenvolvimento, não a oligarquia", a ONG denuncia que a riqueza do 1% mais rico aumentou em 33,9 trilhões de dólares em termos reais desde 2015. Essa quantia seria suficiente para acabar com a pobreza anual 22 vezes.
Atualmente, mais de 3,7 bilhões de pessoas - quase metade da população mundial - vivem abaixo da linha da pobreza, ou seja, com menos de US$ 8,3 por dia, de acordo com o Banco Mundial. Além disso, mais de 700 milhões de pessoas passam fome e a paridade não será alcançada por pelo menos 123 anos.
Embora a pobreza não tenha sido erradicada na última década, surgiram 1.202 novos bilionários e estima-se que dentro de uma década haverá cinco bilionários, alerta o relatório. Esses bilionários possuem mais riqueza do que 95% da população mundial.
Somente os bilionários, cerca de 3.000 pessoas em todo o mundo de acordo com a Forbes, ganharam US$ 6,5 trilhões. Isso seria suficiente para preencher a lacuna de financiamento dos ODS de cerca de US$ 4 trilhões, em comparação com os US$ 2,5 trilhões anteriores à pandemia e os US$ 6,4 trilhões que se espera que aumentem até 2030.
Embora apenas um quinto da população viva no chamado Norte Global, o número de bilionários está desproporcionalmente concentrado nessa parte do mundo, o que "se traduziu em poder político" e "um movimento em direção à oligarquia", por meio do qual "pessoas ultra-ricas são capazes de moldar decisões políticas e econômicas", o que, em última análise, "aumenta sua riqueza e impede os esforços para criar uma sociedade mais justa", denuncia a Oxfam.
A ONG também aponta para a redução dos impostos sobre os mais ricos e as grandes corporações nas últimas décadas, o que, juntamente com o aumento dos pagamentos da dívida soberana, teve um impacto sobre a capacidade dos Estados de fornecer serviços públicos como água potável, educação e saúde.
O MUNDO ESTÁ MAIS RICO, MAS OS GOVERNOS NÃO ESTÃO
Sua análise concluiu que, embora o mundo esteja muito mais rico do que há algumas décadas, os governos não estão. Especificamente, entre 1995 e 2023, a riqueza privada do mundo cresceu US$ 342 trilhões, oito vezes mais do que a riqueza pública, que aumentou apenas US$ 44 trilhões.
Por outro lado, também destaca o fracasso da aposta feita há uma década no que foi chamado de "Consenso de Washington", que nada mais é do que uma aposta no uso de recursos públicos pelo setor privado por meio de diferentes instrumentos financeiros com a intenção de transformar "bilhões em trilhões".
Embora na época se dissesse que, para cada dólar de recursos públicos, poderiam ser mobilizados de 2 a 5 dólares do setor privado, um estudo de 2019 constatou que a realidade é que, em média, foram mobilizados 0,75 dólares e a cifra caiu para 0,37 dólares nos países de baixa renda, lembra a Oxfam. "Há amplas evidências que sugerem que, mesmo que os fundos privados fluam, eles costumam ser mais caros do que o financiamento público e apresentam enormes riscos fiscais para os Estados", destaca o relatório.
Apesar disso, tanto os governos quanto as organizações financeiras parecem determinados a continuar a contar com o financiamento privado em vez da ajuda ao desenvolvimento.
"Em vez de apoiar os países do Sul Global para que construam seus próprios serviços públicos, as instituições de desenvolvimento estão subsidiando os investidores privados para que obtenham lucros, consolidando ainda mais a desigualdade e reduzindo os padrões e a qualidade", reclama o relatório da Oxfam.
Na opinião da ONG, os apelos para que o financiamento privado substitua a ajuda não são apenas "equivocados, mas hipócritas a ponto de causar ignorância intencional". "Essa transformação da assistência oficial ao desenvolvimento em um recurso livre de riscos subsidia efetivamente as corporações do Norte Global sob o pretexto de ajudar o Sul Global", denuncia.
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