Os altos comandos militares da aliança ainda aguardam diretrizes militares após o acordo com os EUA sobre a Groenlândia BRUXELAS 22 jan. (EUROPA PRESS) -
A OTAN tem previstas manobras militares e atividades de treinamento no Ártico nos próximos meses, uma região que a Aliança Atlântica considera de “importância estratégica”, e num contexto em que a Rússia e a China aumentaram a sua cooperação na região.
Isso foi confirmado em uma coletiva de imprensa realizada em Bruxelas pelo presidente do Comitê Militar da OTAN, almirante Giuseppe Cavo Dragone, na qual ele explicou que os chefes de Defesa dos Estados-membros abordaram esta semana, em uma reunião, os “desafios de segurança sem precedentes” que a aliança enfrenta, entre eles o que afeta a região ártica.
“Falamos sobre o Ártico, é claro, uma região de importância estratégica para a OTAN, onde já temos planejados exercícios militares e atividades de treinamento para os próximos meses”, detalhou o alto comando da aliança, que defendeu que a organização se mantém “firme” em salvaguardar “a segurança de mais de um bilhão de pessoas em toda a zona euro-atlântica”.
Para a OTAN, segundo explicou o almirante, a área do Ártico reveste-se de grande importância, um facto que “ficou patente” com a recente adesão à aliança de dois países com parte do seu território na região e que antes eram neutros, como é o caso da Finlândia e da Suécia.
Depois de garantir que estas manobras militares não serão realizadas “na própria Gronelândia”, mas na região do Ártico em geral, lembrou que atualmente há atividades em curso no Ártico pelo NORAD (Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte), um “comando irmão” da OTAN no qual participam os Estados Unidos e o Canadá.
E que, entretanto, segundo ele, se a OTAN for encarregada de “alguma outra atividade de vigilância”, a Aliança tem “capacidade suficiente para satisfazer todas as necessidades” e para fornecer algumas dessas capacidades, “especialmente no âmbito marítimo e aéreo”.
Ele também detalhou que a OTAN está se preparando para adquirir mais capacidade para “trabalhar e operar nesse tipo de clima”, como com a aquisição de novos navios quebra-gelo, embora tenha avisado que a Aliança “fará mais” para que outros países “não tenham dúvidas” de que “está preparada”.
No entanto, o alto comando da OTAN indicou que a organização está considerando outras medidas e “projetos de longo prazo”, como a instalação de novos sensores e capacidades de detecção no Ártico, entre outros. À ESPERA DE ORIENTAÇÕES DO ACORDO COM OS EUA
Questionado sobre os parâmetros concretos do acordo sobre a Groenlândia fechado nesta quarta-feira entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, o presidente do Comitê Militar da Aliança limitou-se a dizer que estamos em “uma fase muito inicial” do pacto.
“Sabemos que foi dito que existe um acordo entre a Groenlândia, a Dinamarca e os Estados Unidos, mas ainda estamos aguardando instruções. A partir daí, começaremos a fazer nosso trabalho, que é o planejamento militar e tudo o que for necessário para cumprir e respeitar as instruções que ainda temos que receber”, explicou.
Sobre a possibilidade de um Estado-membro da OTAN atacar outro, apelou à “calma” aos groenlandeses, lembrando que está em curso “um debate a nível político” e que se está a procurar “a melhor solução para todos”.
Além disso, ele ressaltou que se trata de “uma negociação tripartite com a Groenlândia”, pelo que os habitantes da ilha pertencente à Dinamarca “estão representados”. “Estou bastante certo de que não há nada a temer do meu ponto de vista, colocando-me no lugar deles. Mil milhões de cidadãos de toda a Aliança, incluindo os da Gronelândia, contam com o nosso compromisso coletivo com o artigo 5.º, que continua a ser inabalável”, acrescentou.
Nesta quinta-feira, Rutte afirmou que a soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia “não foi abordada” durante seu encontro na quarta-feira, à margem do Fórum Econômico de Davos, na Suíça, com o presidente dos Estados Unidos, e que eles conversaram sobre os esforços para “proteger essa enorme região do Ártico, onde mudanças estão ocorrendo atualmente e onde a China e a Rússia estão cada vez mais ativas”.
AMEAÇA DA CHINA E DA RÚSSIA Questionado sobre quais considera serem as ameaças que a OTAN enfrenta no Ártico, o almirante apontou “uma das mudanças mais preocupantes”, que é a crescente colaboração entre a Rússia e a China no Ártico, tanto no âmbito marítimo, com um aumento das patrulhas conjuntas, como no âmbito aéreo.
“Estão sendo realizadas patrulhas conjuntas com bombardeiros de longo alcance. Portanto, a atividade que realizam juntos está aumentando sem dúvida, assim como fazem nossos concorrentes ou adversários potenciais. É algo a que devemos prestar atenção”. Ele explicou que as mudanças climáticas “alteraram o acesso a essa zona”, abrindo novas rotas marítimas, pelo que “o controle dessa região é muito importante para a OTAN e para os países que continuam apostando na dissuasão”, já que o acesso à zona deverá mudar ainda mais à medida que o degelo avança.
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