Publicado 17/06/2026 17:13

A OTAN se prepara para compensar o “reajuste” militar dos EUA na Europa

Rutte defende a retirada como um “sinal de sucesso”: “É estranho precisarmos da ajuda de um país a oito horas de voo para nos defendermos”

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, durante uma coletiva de imprensa antes da reunião dos ministros da Defesa da OTAN, que ocorrerá nesta quinta-feira em Bruxelas.
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BRUXELAS, 17 jun. (EUROPA PRESS) -

Os ministros da Defesa da OTAN se reúnem nesta quinta-feira em Bruxelas para preparar a cúpula da Aliança, que ocorrerá nos dias 7 e 8 de julho na capital turca, Ancara, em um momento em que os aliados europeus debatem como preencher o vazio que os Estados Unidos deixarão ao reajustar as capacidades que mantêm alocadas na Europa.

Washington informou aos aliados que irá realocar para outras regiões do mundo, como o Indo-Pacífico, uma parte significativa dos recursos militares que mantém mobilizados na Europa e no Canadá, reduzindo assim sua participação no “Modelo de Forças da OTAN”, o marco que determina os efetivos e recursos que estariam disponíveis em caso de ataque ou conflito.

Foi o subsecretário de Defesa dos Estados Unidos, Elbridge Colby, quem, na última reunião de ministros da Defesa em fevereiro, já havia apresentado a ideia de uma “OTAN 3.0”, uma aliança que não se baseie na dependência europeia dos Estados Unidos e que aposte em uma “divisão de encargos”, para que o bloco euro-atlântico assuma a responsabilidade por sua própria defesa convencional.

Diante dessa situação, os aliados europeus já estão trabalhando para substituir as forças dos Estados Unidos, um processo do qual participarão a Espanha, a Alemanha, os Países Baixos e “muitos outros países”, conforme confirmaram diversas fontes à Europa Press, que ressaltam que a reatribuição não deve ser confundida com a retirada de 5.000 soldados americanos da Alemanha anunciada por Donald Trump como punição às declarações críticas de Friedrich Merz sobre a guerra no Irã.

O reajuste norte-americano, no entanto, será realizado de forma gradual e se concentrará nos recursos e nas capacidades operacionais disponíveis das forças convencionais, mas não afetará as capacidades nucleares que os Estados Unidos mantêm na Europa, que continuará protegida pelo guarda-chuva nuclear de Washington, esclareceram essas mesmas fontes.

RUTTE: “OS ESTADOS UNIDOS CONTINUAM COMPROMETIDOS COM A OTAN”

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, justificou os planos dos Estados Unidos de remanejamento de suas tropas, afirmando que isso é “um sinal de sucesso” sobre a forma como a organização evolui e opinando que, longe de ser “um problema”, é positivo que os aliados europeus “compartilhem de forma mais equitativa a responsabilidade” pela segurança da Europa.

“É totalmente lógico que os europeus assumam uma parcela maior do fardo. É algo peculiar que continuemos precisando de tanta ajuda de outro país, a oito horas de voo daqui, com 350 milhões de pessoas, para nos defendermos contra 140 milhões”, afirmou, sugerindo que uma Europa com 600 milhões de habitantes não deveria ter problemas para se defender diante de um ataque da Rússia.

O ex-primeiro-ministro da Holanda explicou que os aliados europeus e o Canadá estão “dispostos, preparados e capacitados para fazer mais” e que, com base nisso, “os Estados Unidos ajustaram seus compromissos com o modelo das Forças Aliadas” porque “é exatamente disso que trata a OTAN 3.0”.

“Não se trata de onde as forças e os meios estão atualmente, mas de quem faria o quê caso nossos planos de defesa fossem acionados. Historicamente, isso dependia excessivamente dos Estados Unidos. Agora, Washington reajustou suas contribuições comprometidas e outros aliados assumiram um papel mais proativo. E isso é justo”, prosseguiu ele em sua explicação.

Rutte insistiu que “os Estados Unidos deixaram claro que estão comprometidos com a OTAN”, citando como exemplo que manterão seu guarda-chuva nuclear, apesar do reajuste das capacidades convencionais atribuídas à Aliança. Questionado sobre a amplitude das mudanças, ele se recusou a fornecer números, argumentando que a OTAN não deve “dar mais informações aos seus inimigos” sobre os planos militares da organização.

PREPARAÇÃO DA CIMEIRA DE ANCARA

No entanto, os 32 ministros da Defesa da OTAN prepararão nesta quinta-feira a cúpula de líderes em Ancara, revisando as metas de capacidades dos Estados-membros e o cumprimento dos compromissos acordados no verão passado em Haia para elevar os gastos com defesa para 5% do PIB até 2035.

O encontro terá início com uma reunião do Grupo de Planejamento Nuclear da OTAN, seguida por uma sessão do Conselho do Atlântico Norte, na qual serão discutidos os preparativos para a cúpula na Turquia. Também ocorrerá uma reunião do Grupo de Contato para a Defesa da Ucrânia, copresidido pela Alemanha e pelo Reino Unido, para discutir como aumentar a ajuda militar e política a Kiev.

De fato, essa última coalizão, que reúne quase 60 países de todo o mundo, comprometeu-se em fevereiro a mobilizar 30 bilhões de euros para a Ucrânia até o final do ano, e já havia reunido 21 bilhões de euros em meados de abril, aguardando o levantamento da evolução das contribuições dos últimos meses.

RENÚNCIA DO MINISTRO BRITÂNICO

A reunião também ocorrerá poucos dias após a renúncia do ex-ministro da Defesa britânico John Healey devido a uma disputa sobre os gastos militares, em meio a acusações ao próprio governo por não destinar os recursos necessários para a defesa do Reino Unido.

Ao tomar conhecimento da notícia, Rutte admitiu que o aumento dos gastos com defesa acordado pelos aliados “não é fácil”, pois “no fim das contas, sempre é preciso fazer concessões em relação a outras despesas que também são importantes”.

Outros ministros europeus, como o da Itália, Guido Crosetto, expressaram pouco depois sua solidariedade com Healey, indicando que estavam “de acordo com quase tudo” o que o levou a deixar o cargo e admitindo que também achavam que seu governo não estava assumindo a responsabilidade suficiente pelos gastos com defesa.

A renúncia de Healey e o apoio público de Crosetto sugerem que os ministros aliados, incluindo os de países mais fortes, estão sob pressão para cumprir o aumento dos gastos com defesa para 5% do PIB, dos quais 3,5% serão destinados a investimentos puramente militares e outros 1,5% a investimentos relacionados à defesa.

Fontes aliadas apontaram a existência de um debate sobre a dificuldade de aumentar os gastos, embora tenham admitido que isso não se traduzirá necessariamente em maior flexibilidade para os Estados-membros, tendo em vista a posição da OTAN no atual contexto geopolítico marcado pela invasão da Ucrânia ou pela guerra no Oriente Médio, entre outros conflitos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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