BRUXELAS 20 maio (EUROPA PRESS) -
Os ministros das Relações Exteriores da OTAN debaterão nesta quinta e sexta-feira, na cidade sueca de Helsingborg, como acelerar seus investimentos em defesa diante da pressão dos Estados Unidos para repartir o ônus da segurança europeia, em um encontro marcado pelos planos de Washington de reduzir o número de tropas que mantém destacadas na Europa.
Nesta reunião de chefes diplomáticos, que servirá para preparar a cúpula que a Aliança Atlântica realizará no próximo mês de julho em Ancara (Turquia), também será abordada a necessidade de manter uma ajuda substancial e sustentável à Ucrânia, bem como os últimos desdobramentos da guerra no Oriente Médio e as consequências para os aliados do bloqueio do estreito de Ormuz.
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, detalhou nesta quarta-feira que, na primeira reunião da Aliança organizada pela Suécia desde que aderiu à organização em 2024, os ministros discutirão como concretizar o plano de investimento em defesa acordado na cúpula de Haia e a necessidade de aumentar a produção industrial de defesa “em ambos os lados do Atlântico”.
“Cumprir não significa apenas ajustar o orçamento, mas garantir que os investimentos gerem capacidades, para que nossas Forças Armadas tenham o que precisam para dissuadir e se defender. Mais defesa aérea e antimísseis, mais capacidades de ataque de longo alcance, mais drones, mais munição e maiores reservas”, explicou ele em uma coletiva de imprensa em Bruxelas.
Isso significa, segundo o ex-primeiro-ministro da Holanda, que os Estados-membros da OTAN devem ser capazes de “produzir mais rapidamente e em maior escala”, embora ele tenha lamentado que a indústria de defesa não esteja aumentando a produção o suficiente para absorver as “centenas de bilhões adicionais em gastos” que a organização está destinando.
ENCONTRO MARCADO PELA RETIRADA MILITAR DOS EUA
No entanto, a reunião será especialmente marcada pelo debate sobre o futuro destacamento militar dos EUA na Europa, depois que o governo de Donald Trump retirou 5.000 soldados da Alemanha e suspendeu o envio de outros 4.000 militares para a Polônia, em um novo sinal da pressão de Washington para que os aliados europeus assumam maior responsabilidade em matéria de defesa.
Nesse contexto, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio — que participará da reunião após ter se ausentado do último encontro —, defenderá perante os aliados a necessidade de aumentar os gastos militares e avançar para uma maior repartição de encargos dentro da OTAN.
Sobre esse assunto, Rutte afirmou que não o surpreende a retirada progressiva das tropas americanas do solo europeu, sustentando que, no entanto, ela será feita “de maneira estruturada” e “gradual” e que não terá impacto nos planos de defesa da Aliança Atlântica na Europa.
“Sabemos que haverá ajustes. Os Estados Unidos precisam se reorientar mais para, por exemplo, a Ásia, e isso ocorrerá com o tempo de maneira estruturada”, afirmou o chefe da OTAN, enquadrando essas mudanças em um processo mais amplo de reequilíbrio de responsabilidades dentro da Aliança, no qual a Europa e o Canadá assumam “um papel mais importante” na organização.
“Portanto, isso era de se esperar, acho que é completamente lógico”, prosseguiu Rutte, que também destacou o aumento dos gastos com defesa dos aliados europeus e canadenses desde a cúpula da OTAN em Haia, levando todos os Estados-membros a destinar 2% de seu PIB para gastos com defesa.
UCRÂNIA E AS CONSEQUÊNCIAS DO BLOQUEIO DE ORMUZ
Os ministros aliados também reiterarão seu apoio à Ucrânia em um encontro que contará com a presença do ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha, convidado a participar do jantar de trabalho organizado na quinta-feira no castelo de Sofiero, em Helsingborg.
Conforme explicou Rutte, os aliados discutirão como garantir uma ajuda “substancial, sustentável e previsível” a Kiev, com base nas necessidades identificadas pelas autoridades ucranianas, bem como o funcionamento dos mecanismos acionados pela OTAN para canalizar apoio militar urgente.
Também está prevista a aprovação de relatórios sobre o andamento do Plano de Ação para a Vizinhança do Sul, bem como um texto contra ações híbridas da Rússia contra países da OTAN, conforme explicaram fontes aliadas.
Essas mesmas fontes indicaram que uma intervenção da OTAN para liberar o estreito de Ormuz não está em discussão, embora Rutte tenha indicado que os ministros trocarão pontos de vista sobre a situação no Oriente Médio e o impacto que o fechamento da principal rota marítima para o transporte de petróleo tem sobre a economia mundial.
Nesse contexto, o chefe da OTAN destacou que vários aliados, entre eles França, Bélgica, Países Baixos, Itália, Alemanha e Reino Unido, já estão enviando meios para a região para garantir a liberdade de navegação e manter aberto o tráfego marítimo na zona.
Ele também reconheceu que os aliados europeus e canadenses “atenderam ao apelo à ação dos Estados Unidos”, que manifestaram suas queixas contra os parceiros aliados da OTAN por considerarem que estes não haviam se envolvido na guerra no Oriente Médio.
Da mesma forma, defendeu os esforços diplomáticos dos Estados Unidos para impedir que o Irã obtenha armas nucleares, ao mesmo tempo em que acusou Teerã de tentar “tomar como refém a economia global” com as ameaças sobre o estreito, algo que definiu como “um ataque direto” contra a liberdade de navegação e o comércio internacional.
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