David Zorrakino - Europa Press
Defende a "decisão democrática" sobre o desenvolvimento da IA
BARCELONA, 17 maio (EUROPA PRESS) -
O ministro da Transformação Digital e da Função Pública, Óscar López, afirmou que a Espanha é hoje o "epicentro" da revolução ética da inteligência artificial e, acrescentou, por extensão, das redes sociais.
Em entrevista concedida ao 'La Vanguardia' e divulgada pela Europa Press neste domingo, ele destacou a realização do Encontro Internacional pelos Direitos Digitais, realizado na Llotja de Mar, em Barcelona, nesta semana: “O encontro conta com os melhores especialistas nessa perspectiva humanista e confiável, que conhecem a grande batalha geopolítica que estamos vivendo em nossas vidas”, ressaltou.
Sobre a posição da Europa na regulamentação dessas tecnologias, ele assegurou que “isso diz respeito à soberania, de quem manda e quais regras impõe”, pois, adverte, os proprietários das grandes empresas de tecnologia defendem que é a tecnologia que deve governar, algo que o ministro considera não ser verdade.
Nesse sentido, destacou que a Espanha criou um observatório de direitos digitais, uma lei de inteligência artificial e uma carta de direitos digitais, entre outras medidas, e, fora da regulamentação, promove uma fábrica de chips e semicondutores e aposta em empresas de ponta: “O importante é que temos uma visão holística”, observou.
DEFESA E IA
Sobre a relação entre defesa e inteligência artificial, ele garantiu que a defesa “depende da IA” e ressaltou que as democracias precisam agir para não deixar as decisões nas mãos da tecnologia.
“São coisas que devem ser decididas democraticamente e não em cinco escritórios em Palo Alto. É uma luta muito difícil, muito complicada, na qual os governos da União Europeia têm muito trabalho pela frente”, explicou.
Ele lamentou que a “pior notícia” em relação à construção europeia tenha sido o Brexit, que, segundo ele, teve uma campanha de desinformação associada, por isso defende que existam mecanismos de verificação e correção para evitar as notícias falsas geradas pelo algoritmo.
PRESTAR CONTAS
A esse respeito, o ministro defende que deve haver responsabilidade por parte dos proprietários das plataformas e que o algoritmo deve ser transparente: “Tem que haver um regulador e tem que haver alguém que fiscalize o cumprimento”.
Ele alertou que, entre as tecnologias disruptivas que surgiram ao longo da história, “nenhuma tem tantas consequências” quanto a inteligência artificial, e acrescentou que seus criadores e principais detentores colocam em questão a soberania dos Estados.
“Não é razoável que o único objetivo seja o aumento do lucro de uma empresa, mesmo que seja à custa de colocar em risco a segurança financeira do planeta, mesmo que seja à custa do suicídio de um menino ou uma menina de 15 anos, mesmo que seja à custa de seus dados serem comercializados sem o seu consentimento”, expôs.
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