Alberto Ortega - Europa Press
MADRID, 16 jun. (EUROPA PRESS) -
Os quatro membros da Frente Atlético que penduraram um boneco inflável em uma ponte em janeiro de 2023 com uma camisa do jogador do Real Madrid Vinícius Junior concordaram com o promotor com penas de prisão de até 22 meses depois de admitir que cometeram um crime de ódio e uma ofensa de ameaça.
O julgamento contra os quatro acusados por esses atos foi retomado na segunda-feira com a ratificação de um acordo e a leitura da sentença. Os jovens assinaram uma carta de desculpas endereçada a Vinícius Junior, Real Madrid CF, LaLiga e RFEF.
O acordo consiste na condenação de um dos réus a 15 meses de prisão por crime de ódio e mais sete meses pelo crime de ameaça, por ter divulgado imagens da ação na Internet, ampliando seu impacto.
Os outros três réus aceitaram sete meses de prisão por crime de ódio e sete meses por ameaças. O primeiro réu também foi multado em 1.084 euros e os outros três foram multados em 720 euros.
Além disso, eles estão proibidos de se aproximar de Vinicius a menos de 1.000 metros de sua casa e de seu local de trabalho, localizado no Complexo Esportivo de Valdebebas.
Eles também estão proibidos de se aproximar a menos de 1.000 metros de todos os estádios durante partidas de futebol disputadas de acordo com o calendário da Liga de Futebol Profissional e competições organizadas pela Federação Espanhola de Futebol.
Da mesma forma, estão impedidos de exercer profissões ou ofícios educacionais nas áreas de ensino, esportes e lazer por quatro anos e três meses para o acusado que divulgou as imagens na Internet, e três anos e sete meses para os demais.
Todos os acusados assinaram uma carta de desculpas dirigida a Vinicius Junior, ao Real Madrid CF, à LaLiga e à RFEF, o que os ajudou a obter o reconhecimento da circunstância atenuante de reparação de danos, e devem participar de um programa de treinamento sobre igualdade de tratamento e não discriminação para que as penas de prisão impostas sejam suspensas.
ÓDIO DEVIDO À COR DE SUA PELE
A audiência começou em 19 de maio com a declaração por videoconferência do brasileiro, que disse que o que aconteceu foi devido a racismo por causa de sua "cor de pele" e "ódio à sua pessoa", o que violou sua honra.
A Seção 23 marcou a audiência de segunda-feira para o julgamento das questões preliminares. Nas alegações, as partes chegaram a um acordo diante de provas incriminatórias, como imagens de câmeras de vigilância de um bar onde foram após os acontecimentos. O caso foi iniciado como resultado de uma denúncia apresentada pela LaLiga, que estava envolvida no processo desde o início como promotora.
O promotor pediu quatro anos de prisão para os réus por um crime contra os direitos fundamentais e as liberdades públicas, em sua modalidade contra a dignidade, e outro de ameaças. A promotoria privada que representa o Real Madrid e o jogador se juntou à petição do promotor.
Ao mesmo tempo, a promotoria pede uma indenização por responsabilidade civil de 6.000 euros pelo dano moral causado ao jogador. De acordo com a acusação, os quatro jovens eram membros do grupo "ultra" conhecido como Frente Atlético, "ideologicamente identificado com a extrema direita".
FATOS DO CASO
Assim, nas primeiras horas da manhã de 25 para 26 de janeiro de 2023, antes do início da partida de futebol da Copa del Rey que seria disputada no estádio Santiago Bernabéu entre o Real Madrid e o Atlético de Madrid, às 21 horas, os acusados foram até uma ponte na estrada M-11, em direção a Valdebebas, localizada nas proximidades do complexo esportivo Real Deportiva del Real Madrid.
Chegando lá, passaram a pendurar com uma corda um manequim, de aproximadamente 165 cm de altura, de pele e cabelos pretos, vestindo uma camisa do time de futebol Real Madrid, com o nome nas costas do jogador Vinícius, com seu número dorsal, que simbolizava, e algumas pedras como peso amarradas com fita isolante no que representaria seus tornozelos.
Também penduraram uma faixa de tecido vermelho na ponte, com letras pintadas de branco com o slogan "Madri odeia o Real", com 12,90 metros de comprimento e 1,70 metro de largura.
Posteriormente, Á. B. R., "a título de reivindicação e justificativa da ação que os quatro acusados haviam realizado de forma coordenada", publicou momentos depois, por meio da conta que administrava na rede social X (antigo Twitter), onde tinha 1.223 seguidores, uma primeira fotografia da ponte onde apareciam a faixa e o boneco pendurado, que chegou a ter 18.000 reproduções.
A publicação se tornou viral devido à publicidade alcançada nas redes sociais, onde foi amplamente divulgada, com a mídia tradicional repercutindo a notícia, "aumentando assim o dano ao direito legal protegido que consiste na dignidade da pessoa", nesse caso tanto da vítima quanto do grupo que ela representa.
Da mesma forma, o acusado publicou uma segunda fotografia que mostrava o boneco insuflado no momento dos preparativos, com a camisa do jogador do Real Madrid encostada em uma parede, incorporando-a à hashtag #TodosSomosVini, aumentando assim o menosprezo a essa pessoa, "já que foi utilizada para demonstrar apoio à vítima e repúdio à ação praticada".
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