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Édouard Philippe vence em Le Havre e consolida sua posição para uma possível candidatura à presidência
A extrema direita aumenta o número de seus representantes eleitos, enquanto o centro e a direita consolidam sua aliança
MADRID, 22 mar. (EUROPA PRESS) -
O candidato socialista à prefeitura de Paris, Emmanuel Grégoire, conseguiu se impor com o apoio de uma coalizão de esquerda no segundo turno das eleições municipais realizadas neste domingo, que trouxe resultados muito diversos nas principais cidades francesas.
“Paris decidiu permanecer fiel à sua história”, proclamou Grégoire após o divulgamento das projeções que lhe atribuem cerca de 50% dos votos, à frente dos 39% da ex-ministra conservadora Rachida Dati. Muito atrás ficou a candidata de La France Insoumise, Sophia Chikirou, que obteve 9,9%.
Grégoire sucederá assim à gaditana Anne Hidalgo, que comemorou a “grande vitória” da esquerda em um momento de ascensão das candidaturas de extrema direita.
“Não consegui convencer as pessoas de que a mudança era possível e necessária”, declarou, por sua vez, a derrotada Rachida Dati. “A equipe que está deixando o cargo não pode ignorar as expectativas de mudança expressadas por centenas de milhares de parisienses”, apelou ela.
Também se destaca por sua relevância política a reeleição do ex-primeiro-ministro Édouard Philippe em Le Havre, com 47,71% dos votos, à frente de Jean-Paul Lecoq (Partido Comunista Francês, PCF, 41,17%) e do candidato de extrema direita Franck Keller (11,12%), segundo dados da pesquisa Elabe-Berger Levrault para a BFMTV, a RMC e o “Le Figaro”.
“A confiança do povo de Le Havre me honra”, declarou Philippe em sua primeira intervenção pública após a votação. Todas as previsões apontam para que Philippe se candidate à presidência nas eleições previstas para 2027.
Em Marselha, Benoît Payan, que lidera uma coalizão de esquerda sem a La France Insoumise, teria obtido 54% dos votos, derrotando assim o candidato da Agrupação Nacional, Franck Allisio (40,4%). Martine Vassal, do partido Les Républicains, obteve 4,8% dos votos.
Também é relevante a vitória de Éric Ciotti à frente de uma coalizão da União dos Democratas pela República e da Agrupação Nacional (46,2%), à frente do prefeito cessante e antigo mentor de Ciotti, Christian Estrosi (Horizontes, 38,1%). A candidata de esquerda, Juliette Chesnel-Le Roux, ficou com 15,7%.
Em Lyon, espera-se que o ecologista Grégory Doucet (53%) mantenha o cargo de prefeito, à frente de Jean-Michel Aulas, um independente apoiado pela centro-direita (46%), segundo estimativas da Ipsos BVA e da Ifop-Fiducial.
O líder do Partido Socialista Francês, Olivier Faure, atacou veladamente o La France Insoumise (LFI) após a derrota de prefeitos socialistas que haviam se aliado ao LFI, como os de Brest e Clermont-Ferrand. “A provocação escandalosa, a incitação indiscriminada ao conflito e as manifestações antissemitas não levam a lugar nenhum”, afirmou em sua primeira reação aos resultados das eleições municipais.
Faure considera que existem “facções de esquerda irreconciliáveis” e apelou à unidade da esquerda “em torno de princípios claros”, com “aqueles que compreendem claramente os problemas e se recusam a seguir cegamente o barulho e a fúria”.
Por sua vez, o coordenador nacional da LFI, Manuel Bompard, destacou o “avanço” e o “sucesso retumbante” de seus candidatos, que se “confirma, amplifica e fortalece” a um ano das eleições presidenciais.
“Essa mobilização é uma verdadeira demonstração de força política decisiva para as próximas eleições presidenciais”, sublinhou. Nas eleições para a chefia do Estado, “a nova França pode varrer (o presidente Emmanuel) Macron e suas políticas desastrosas”, previu.
Enquanto isso, na Agrupação Nacional, destacaram a “colheita incrível”. “Conseguimos uma colheita incrível. Multiplicamos por 13 o número de cargos municipais eleitos”, destacou o vice-presidente da Agrupação Nacional, Sébastien Chenu, em declarações à TF1.
No terceiro setor, o centrista e o conservador obtiveram bons resultados unindo forças. “Nas eleições presidenciais de 2027, precisamos de um único candidato”, destacou o ministro da Justiça, Gérald Darmanin. “Em Tourcoing, ficamos unidos e vencemos. Precisamos de um candidato da direita e do centro, e talvez até mesmo da esquerda republicana que rejeita a La France Insoumise. Em Tourcoing, votaram em nós”, argumentou.
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