Michael Kappeler/dpa - Arquivo
MADRID 19 set. (EUROPA PRESS) -
A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) alertou o governo sobre um nível “crítico” de escalada da pressão dos Estados Unidos e até mesmo sobre uma possível interferência de Washington nas eleições presidenciais marcadas para o próximo dia 4 de outubro.
O relatório sobre “ameaças ao processo eleitoral de 2026” aponta que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende apoiar governos conservadores e reorientar a política externa dos países latino-americanos para, assim, arrebatar da China “ativos estratégicos e riquezas naturais”.
O documento se refere a uma possível influência e interferência dos Estados Unidos, uma “tendência de escalada da pressão sobre o Brasil”. “A reafirmação da hegemonia dos Estados Unidos na América Latina é a prioridade do segundo governo de (Donald) Trump”, destaca o documento, citando documentos estratégicos norte-americanos divulgados entre novembro de 2025 e maio de 2026.
Especificamente, cita como objetivos de Trump a “redução da influência das potências rivais” na América Latina, em particular a China, e impedir que elas tenham acesso a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas da região. O objetivo é, assim, promover o “controle direto ou indireto pelo governo dos Estados Unidos ou por meio de capital privado norte-americano”.
No caso específico do Brasil, destaca que o país possui o governo “com maior disposição política e recursos para defender sua autonomia estratégica diante das pressões norte-americanas”. No entanto, desde maio, constata-se “uma tendência de escalada da pressão” com as sanções impostas em julho a dois brasileiros e três empresas sediadas no Brasil, além de uma sediada em Portugal, por supostas ligações com o grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC).
A aprovação dessas sanções pode “levar agentes econômicos nacionais e internacionais a adotar condutas preventivas com base no risco à reputação, no acesso ao sistema financeiro norte-americano ou na imposição de sanções secundárias”.
Em particular, menciona o secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional de Trump, Marco Rubio, alegando que foi ele quem “atribuiu ao presidente brasileiro a responsabilidade pela imposição de tarifas” a produtos brasileiros, com o argumento de que “o Brasil não negociou de boa-fé”. Já em outubro de 2025, o governo de Trump instou o Brasil a permitir que “dissidentes políticos” pudessem participar das eleições.
A ABIN encaminhou o texto à Presidência brasileira e também ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral no final do mês de agosto.
O Brasil está em plena campanha eleitoral para as eleições presidenciais de 4 de outubro, com segundo turno previsto, se necessário, para o dia 25 do mesmo mês. Os favoritos são o atual presidente brasileiro e líder do Partido dos Trabalhadores (PT, de esquerda), Luiz Inácio Lula da Silva, e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e candidato de extrema direita do Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro.
De acordo com a última pesquisa eleitoral do Datafolha, instituto de pesquisas do jornal “Folha”, Lula lideraria os resultados com 39% dos votos, mas seria seguido de perto por Bolsonaro, com 36%.
Como líderes projetados no primeiro turno, a pesquisa prevê um confronto entre eles no segundo turno — que ocorre quando nenhum candidato obtém mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno —, no qual Lula superaria Bolsonaro por apenas dois pontos: o candidato do PT receberia 46% dos votos, contra 44% de seu rival do PL.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático