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MADRID 5 jun. (EUROPA PRESS) -
A Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) rejeitou a aprovação de uma emenda constitucional proposta pelo presidente Daniel Noboa para o estabelecimento de bases militares estrangeiras no país e advertiu que isso representa um "perigo para a soberania".
"Reafirmamos que a segurança não é garantida com forças estrangeiras ou com a militarização do país. A verdadeira segurança é construída com base na justiça social, no respeito aos direitos coletivos, no investimento em serviços públicos de qualidade e no fortalecimento dos sistemas comunitários de atendimento e proteção", disse a Conaie em um comunicado.
Nesse sentido, esses grupos indígenas apontaram que essa reforma do texto constitucional "constitui um grave retrocesso para a soberania" e um "ataque direto ao projeto histórico de resistência e dignidade dos povos".
"Ela nos insere em dinâmicas geopolíticas e econômicas impulsionadas por interesses externos que respondem às estratégias de potências globais que buscam controlar recursos estratégicos, rotas comerciais e reprimir movimentos sociais, comprometendo a paz e a estabilidade da América Latina", afirma o texto.
A confederação também ressaltou que há uma crescente preocupação pública com a insegurança no país e a proliferação do crime organizado, questões que não são resolvidas pela referida emenda. "Essa reforma promove um modelo de Estado que prioriza a presença militar, incluindo a presença militar estrangeira, em detrimento da segurança interna, sem abordar as causas estruturais", disse ele.
"Alertamos que essa posição, sob o argumento de manter a ordem, pode levar à violação de direitos, à criminalização de protestos e à repressão, especialmente contra comunidades indígenas e setores populares, historicamente defensores do território", afirmou.
A proposta de Noboa argumenta que a presença de instalações militares estrangeiras no território equatoriano ajudaria a combater o crime organizado e afirma que, durante o período em que os Estados Unidos ocuparam a base de Manta, as apreensões de cocaína aumentaram em quase 500%.
Da mesma forma, o texto tenta vincular a saída dos Estados Unidos por decisão do governo do então presidente, Rafael Correa, "com um aumento alarmante da violência criminal".
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