Publicado 21/05/2025 10:54

Os parceiros do governo pedem que a Marlaska rompa os contratos de armas inativos com Israel para "não financiar o genocídio".

A Primeira Vice-Presidente e Ministra da Fazenda, María Jesús Montero, e o Ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, durante uma sessão de controle do governo no Congresso dos Deputados, em 21 de maio de 2025, em Madri (Espanha). Durante a s
Fernando Sánchez - Europa Press

MADRID 21 maio (EUROPA PRESS) -

Sumar, ERC, Bildu, PNV e Podemos acusaram o governo de "mentir" e de ser "colaboracionista" com o "genocídio do povo palestino" ao manter contratos de armas com Israel até alguns meses atrás, e exigiram que rompesse todos os contratos pendentes ou "inativos" com Israel e um embargo total de armas, entre outras medidas, para "não financiar o genocídio".

Após o comparecimento do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, no Congresso dos Deputados sobre essa questão, o deputado do Sumar, Enrique Santiago, exigiu o cancelamento imediato de todos os contratos de compra e venda de equipamentos militares com Israel, considerando que eles estão vinculados "direta ou indiretamente a um genocídio" contra o povo palestino.

"Todo e qualquer contrato que não tenha sido executado ou que possa ser executado deve ser anulado e tornado nulo e sem efeito. Nenhuma operação ativa ou passiva é possível", disse ele.

Santiago garantiu que há "argumentos legais mais do que suficientes" para rescindir qualquer acordo com empresas israelenses envolvidas na cadeia de armas, e até denunciou o fato de que em 2024 milhares de armas passaram pelo porto de Cartagena. Ele também destacou que as armas passam pelas bases militares dos EUA em Rota e Zaragoza a caminho de Israel, "ações que não estão em conformidade com as medidas da Corte Internacional de Justiça".

UM NOVO HOLOCAUSTO

Nesse sentido, o deputado da IU criticou o fato de que "medidas concretas não estão sendo adotadas nem pela União Europeia nem pela ONU", e denunciou o "bloqueio" de qualquer progresso: "Estamos cansados de pedir medidas de embargo e controle de tudo o que passa pelos portos e aeroportos espanhóis".

O porta-voz parlamentar pediu medidas militares e econômicas contra o que ele descreveu como um "novo holocausto". "A comunidade internacional não aprovou uma única sanção contra esse extermínio. Estamos orgulhosos de que o presidente esteja agora pedindo a retirada de Israel do Eurovision, mas isso não é suficiente", disse ele.

"A direita e a ultradireita já apoiaram os nazistas no holocausto judeu e agora apoiam esse novo genocídio e extermínio do povo palestino. A Espanha precisa agir. O mundo está em uma bagunça e não vamos deixá-lo nas mãos de fascistas e criminosos de guerra", concluiu.

ERC: "AS 17.000 CRIANÇAS MORTAS SÃO UM NÚMERO INSOPORTÁVEL" Por sua vez, a deputada do ERC Teresa Jordá criticou o "massacre ao vivo" que Israel está realizando contra o povo palestino. "As 17.000 crianças mortas são um número insuportável. Gaza quase não existe mais. Não sobrou quase nada, as pessoas estão sobrevivendo lá. Não estamos fazendo o suficiente. O Estado de Israel deve ser julgado por crimes contra a humanidade", disse ele.

Em vista do que está acontecendo, o membro republicano do parlamento exigiu que o governo espanhol exija que todos os estados da União Europeia cumpram os três mandados de prisão internacionais contra o presidente de Israel, Benjamin Netanyahu, e que "force" a União Europeia a exigir um cessar-fogo em Gaza.

Nesse contexto de "inação internacional", Jordá expressou sua "indignação" com os contratos de compra de munição de empresas israelenses que vieram a público há algumas semanas, apesar de o governo ter negado contratos desse tipo em outubro passado. "Se eles não agirem contra isso, não serão testemunhas ou cúmplices diretos do que está acontecendo", concluiu.

BILDU PEDE "GARANTIAS CLARAS" PARA QUE ISSO NÃO ACONTEÇA NOVAMENTE

Por sua vez, o deputado do EH Bildu, Óscar Matute, acusou o governo de ter formalizado contratos de armas com Israel no ano passado, apesar de "saber de seu envolvimento no extermínio e no genocídio que querem realizar contra os palestinos".

Por esse motivo, ele exigiu que Marlaska assumisse a responsabilidade interna: "Coloque seu pessoal para trabalhar para ver o que deu errado. Você não pode alegar falta de recursos. Há investigações da UCO todos os dias e elas mostram que há pessoas dispostas a investigar coisas que vão parecer uma UCO patriótica, como aquela força policial patriótica".

Por fim, Matute pediu garantias claras: "Vocês podem garantir que isso não acontecerá novamente? Podem nos assegurar que não há mais contratos em vigor e colaboração entre o FCSE e empresas israelenses? Ele também pediu o cancelamento de todos os "contratos inativos" de armas com Israel. "Queremos que eles parem de fazer negócios às custas do que acontece na Palestina. Ninguém pode olhar para o outro lado quando isso está sendo cometido", acrescentou.

BELARRA: "ISSO REALMENTE ME ENOJA".

Ione Belarra, membro do Grupo Misto, foi a mais beligerante contra o governo, acusando-o de "mentir com todos os dentes" sobre a venda de armas a Israel e de ser "um colaborador do Hitler do século XXI, Netanyahu". "Realmente me enoja que os esforços do povo trabalhador deste país, que é solidário com a Palestina, estejam sendo usados para financiar o genocídio", denunciou.

Belarra detalhou alguns dos contratos concedidos pelo governo, alguns dos quais ainda não foram formalizados, e exigiu seu cancelamento imediato. "São contratos de mais de 800 milhões de euros que poderiam ser cancelados hoje se não fossem autênticos colaboracionistas", pedindo a Marlaska que rompa toda colaboração com empresas israelenses e que proíba o uso na Espanha de tecnologias de espionagem como Pegasus ou Cellebrite, por terem sido "testadas em combate contra o povo palestino e depois usadas contra dissidentes na Espanha".

PNV: "CRÉDITO ROMPIDO COM O GOVERNO" SOBRE ESSA QUESTÃO

Por sua vez, o deputado do PNV Mikel Legarda criticou a política do governo porque há uma "falta de coerência" entre os anúncios públicos e os prêmios reais. "Não é que haja palavras demais, é que não temos mais palavras para descrever o horror do que está acontecendo nos territórios palestinos ocupados nas mãos do governo e do exército israelense", disse ele, e denunciou que houve "meias-verdades e negociações curtas" por parte do governo.

Legarda lembrou que, apesar das declarações do presidente e de vários ministros assegurando que não haveria vendas a partir de 7 de outubro de 2023, "essas declarações categóricas sempre foram precedidas de informações que as questionavam". "Nosso crédito com o governo nessa questão está quebrado", disse Legarda, exigindo "uma suspensão efetiva de todos os prêmios" e "transparência absoluta" nas decisões já tomadas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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