Publicado 26/05/2026 12:09

Os países bálticos pedem à UE que negocie com a Rússia "a uma só voz", embora considerem que "não é o momento certo"

Os presidentes da Estônia, da Letônia e da Lituânia com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen
COMISIÓN EUROPEA

Von der Leyen alerta que a Rússia “não demonstra vontade de paz” e lembra que Bruxelas já está trabalhando no 21º pacote de sanções

BRUXELAS, 26 maio (EUROPA PRESS) -

Os presidentes da Estônia, Letônia e Lituânia alertaram nesta terça-feira a União Europeia sobre a necessidade de manter “uma única voz” e evitar divisões ou negociações bilaterais com Moscou, embora tenham concordado que “não é o momento” de iniciar uma via diplomática devido à total falta de “boa vontade” por parte do Kremlin.

Por sua vez, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apoiou esse ceticismo, assegurando que a Rússia não demonstra interesse na paz, ao mesmo tempo em que destacou que o apoio financeiro e militar do bloco visa garantir que Kiev possa negociar no futuro “a partir de uma posição de força”.

Isso foi declarado em uma coletiva de imprensa conjunta em Vilnius, capital da Lituânia, após uma reunião realizada na sequência das ameaças de drones que recentemente obrigaram a Lituânia e a Letônia a declarar alertas de segurança em seus países, e após a incursão de um drone ucraniano na Estônia, que entrou em seu espaço aéreo por engano.

Questionados sobre a possibilidade de a União Europeia nomear um enviado especial para eventuais negociações de paz entre a Ucrânia e a Rússia, os líderes bálticos demonstraram suas reservas diante da falta de um mandato claro do Conselho Europeu com “uma posição comum”, enquanto a chefe do Executivo comunitário se recusou a “especular sobre nomes” neste momento.

O presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, foi o mais contundente ao classificar de “fracasso” as tentativas anteriores de aproximação bilateral a Moscou por parte de alguns parceiros comunitários. “Acreditar na boa vontade da Rússia e empreender esforços diplomáticos para melhorar a relação não é a política mais inteligente”, afirmou, insistindo que o diálogo só poderá ser retomado quando a Rússia “oferecer um cessar-fogo real e pôr fim à sua agressão”.

Na mesma linha, o líder letão, Edgars Rinkevics, alertou para a “habilidade” do Kremlin em utilizar os contatos diplomáticos como um “jogo de relações públicas” para dividir os Vinte e Sete. “A Rússia odeia a UE ou a OTAN como força coletiva porque assim somos mais fortes. Eles sempre tentam negociar com Estados-membros individualmente para nos dividir”, alertou.

Depois de questionar se este é o momento adequado para a diplomacia, ele advertiu que qualquer contato prematuro com Moscou acabaria sendo explorado para fins de propaganda: “Eles conseguem fotos, geram muito barulho e, no fim das contas, ficamos mais ou menos sem nada”.

Por sua vez, o presidente da Estônia, Alar Karis, relembrou as críticas que sofreu por propor negociações diretas com a Rússia e destacou que, de qualquer forma, a UE deve começar a traçar uma estratégia comum para o cenário pós-guerra porque, independentemente de Vladimir Putin, “a Rússia continuará bem ao nosso lado”.

No entanto, ele condicionou qualquer avanço a uma mudança radical de atitude por parte de Moscou, lembrando que a UE deve estar preparada para quando esse momento chegar: “Nunca sabemos quando nossa pressão sobre a Rússia será suficiente para que eles se sentem à mesa de negociações, e, como europeus, devemos estar prontos, não começar então a debater o que vamos falar nem quem vai fazer isso”.

VON DER LEYEN: A RÚSSIA NÃO DEMONSTRA VONTADE DE PAZ

Diante desse panorama de desconfiança em relação à Rússia, Von der Leyen evitou especular sobre os nomes que circulam na imprensa para representar a UE perante a Rússia, e afirmou que os europeus estão “dispostos desde o primeiro dia” a participar de um processo de paz, mas que, no entanto, “a Rússia não demonstra, neste momento, qualquer vontade de paz”.

“Moscou está perdendo um grande número de seus jovens sem obter ganhos territoriais, e sua economia sofre cada vez mais o impacto de nossas sanções contundentes. De fato, estamos preparando neste exato momento o próximo pacote de sanções”, explicou, comemorando que o impacto econômico da guerra é “cada vez mais visível” na vida cotidiana dos cidadãos russos.

Reafirmou também o apoio econômico a Kiev por meio da recente aprovação do empréstimo de 90 bilhões de euros, destinado a dar “certeza” às capacidades militares e orçamentárias da Ucrânia para os próximos dois anos, o que também coloca a Ucrânia em uma posição mais favorável para eventuais negociações de paz.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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