Abdelrahman Alkahlout / Zuma Press / Europa Press
Ainda há cerca de dez embarcações que continuam navegando em direção a Gaza
MADRID, 19 maio (EUROPA PRESS) -
Os organizadores da frota humanitária que se dirigia a Gaza e foi interceptada na segunda-feira por Israel estimaram em mais de 400 o número de ativistas detidos, entre os quais haveria vários espanhóis, e precisaram que, após serem levados para um navio “prisão”, eles estão se dirigindo para o porto israelense de Ashdod, onde se espera que cheguem ao longo do dia.
A frota de 54 embarcações, que incluía navios da Global Sumud Flotilla (GSF), da Coalizão da Frota pela Liberdade de Gaza (Freedom Flotilla Coalition) e de muitas outras organizações da Turquia, Malásia e Indonésia, foi interceptada na manhã de segunda-feira em águas internacionais próximas a Chipre, a cerca de 250 milhas náuticas de Gaza.
Em um comunicado, a Flotilha pela Liberdade indicou que “mais de 400 participantes civis desarmados de 45 países foram sequestrados em águas internacionais pelas forças militares israelenses”, embora não tenham detalhado os números por nacionalidade. Na véspera, o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, disse que havia conhecimento de entre “uma e duas dezenas” de espanhóis detidos, sem que houvesse novos dados nas últimas horas a esse respeito.
Segundo essa organização, “o navio de carga ‘prisão’ no qual os capitães, a tripulação e os participantes foram detidos após a interceptação se deslocou lentamente em direção ao porto de Ashdod, em Israel, onde os participantes da frota têm sido tradicionalmente processados pelo governo israelense”. A previsão é que o navio chegue a esse porto israelense nesta terça-feira.
Por outro lado, a Flotilha da Liberdade informou que ainda há dez navios, entre os quais figura um dos fretados por essa organização, o “Lina”, que continuam navegando em direção a Gaza, com cerca de 70 pessoas a bordo, “em uma tentativa de romper o bloqueio naval ilegal de Israel sobre Gaza”.
Quanto aos navios interceptados, denunciaram que “foram danificados deliberadamente pelo exército israelense e abandonados à deriva, o que representa um perigo para a navegação internacional e constitui mais uma violação do Direito Internacional por parte do governo israelense”.
SEM BALANÇO OFICIAL ISRAELENSE
Por enquanto, o governo israelense não divulgou números oficiais sobre o número de detidos ou para onde estão sendo levados. As forças israelenses detiveram, no final de abril, 175 pessoas distribuídas por cerca de vinte embarcações no âmbito da Global Sumud Flotilla em águas internacionais ao largo da costa da Grécia.
Dois dos ativistas, o espanhol Saif Abukeshek e o brasileiro Thiago Ávila, foram detidos e transferidos para uma prisão israelense, embora tenham sido libertados mais de uma semana depois e deportados, enquanto o restante foi desembarcado em solo grego.
Enquanto isso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, elogiou nesta segunda-feira o “trabalho excepcional” da Marinha ao interceptar embarcações cujo objetivo é romper o isolamento dos “terroristas do Hamas”. “Eles estão fazendo isso com grande sucesso, e devo dizer que também com discrição e, sem dúvida, com menos repercussão do que nossos inimigos esperavam”, destacou.
A interceptação da frota ocorreu horas depois de o Ministério das Relações Exteriores de Israel ter advertido que não permitiria essa “provocação”. “Israel não permitirá nenhuma violação do bloqueio naval legal sobre Gaza. Israel insta todos os participantes dessa provocação a mudarem de rumo e retornarem imediatamente”, havia advertiu.
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