Apostam na via diplomática e não consideram conveniente alterar o mandato da operação “Aspiden”, como propõe Kallas BRUXELAS 16 mar. (EUROPA PRESS) -
Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia, reunidos nesta segunda-feira em Bruxelas, descartaram o envio de fragatas para tentar reabrir o Estreito de Ormuz, embora tenham destacado a importância de permitir a passagem de navios na principal rota de transporte de petróleo e gás do mundo, atualmente bloqueada pelo Irã em resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Os chefes diplomáticos dos Vinte e Sete manifestaram, antes do Conselho de Relações Externas (CAE) que se realiza na capital comunitária, que não consideram viável enviar navios europeus para forçar a reabertura da passagem marítima e apostaram na prudência e na via diplomática, ao mesmo tempo em que demonstraram ceticismo quanto à possibilidade de ampliar o mandato da missão naval europeia “Aspides” ao estreito de Ormuz.
Tudo isso depois que a Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, propôs aos 27 ministros a modificação da operação naval da UE “Aspides” — originalmente concebida para evitar os ataques huti contra o transporte marítimo no Mar Vermelho —, ou mesmo a criação de uma operação organizada pelas Nações Unidas para manter aberto o Estreito de Ormuz.
Segundo Kallas, não será “fácil” conseguir isso, mas ela defendeu, em declarações à imprensa antes do Conselho de Assuntos Gerais, encontrar “a forma mais rápida de garantir” a abertura do Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo em que avalia outras opções, como uma iniciativa no âmbito da ONU semelhante à estabelecida após a invasão russa da Ucrânia para garantir o transporte de cereais no Mar Negro.
Diante dessas propostas, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, mostrou-se categoricamente contra a modificação da operação “Aspides” para que ela atue no Estreito de Ormuz, alegando que ela já tem “o mandato correto” e que está “cumprindo perfeitamente suas funções neste momento”.
Ele também defendeu que “não se deve fazer nada que acrescente ainda mais tensão” na região e indicou que a posição da Espanha é defender “a diplomacia”. “A solução puramente militar nunca traz democracia, nem estabilidade, nem prosperidade econômica”, acrescentou.
Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, opinou que a operação “Aspides” não pode ser ampliada para o estreito de Ormuz, entre outras coisas porque se trata de uma missão “antipirataria” e o que ocorre com o bloqueio do Irã é uma realidade “diferente”.
“Acho que é correto continuar trabalhando no Mar Vermelho para garantir o tráfego marítimo e a livre circulação. No que diz respeito a Ormuz, acredito que a via diplomática deve prevalecer. É preciso fazer um esforço diplomático adicional para garantir a liberdade de navegação em Ormuz”, afirmou.
O chefe da diplomacia alemã, Johann Wadephul, destacou o “ceticismo” de seu governo em relação à proposta de modificar o mandato da “Aspides” e defendeu que se espere primeiro que os Estados Unidos e Israel expliquem “quais são seus objetivos militares no Irã”. ENVIAR NAVIOS NÃO RESOLVERÁ A SITUAÇÃO
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Holanda, Tom Berendsen, sinalizou que não acredita que enviar “alguns navios” resolva a situação no estreito de Ormuz, que definiu como “muito delicada” devido à capacidade do Irã de lançar minas navais ou drones submarinos.
“Não é como se tivéssemos um botão para apertar e fechar o estreito e simplesmente o fizéssemos. Não é assim. É uma situação muito delicada. As probabilidades de escalada são grandes. A Holanda quer participar da conversa, mas, neste caso, é muito importante agir com prudência antes de tomar decisões”, acrescentou.
Seu homólogo grego, Georgios Gerapetritis, indicou que a Grécia não tem intenção de “se envolver na guerra” e que a operação ‘Aspides’ “já está em andamento na região mais ampla, na qual participam Estados-membros da União Europeia” no Mar Vermelho, embora tenha demonstrado preocupação com a situação.
“No que diz respeito à liberdade de navegação, a Grécia é a favor da livre circulação de todos os navios na região e pede ao Irã que respeite as normas do direito internacional do mar. É fundamental, não apenas para os preços do petróleo, mas para toda a cadeia de abastecimento, que os mares permaneçam abertos”, acrescentou. DEBATE SOBRE AS COMPETÊNCIAS DA OTAN
Também houve divergências de opinião sobre o papel da OTAN no conflito, sobretudo após a advertência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a Aliança enfrenta um “futuro muito sombrio” se não ajudar Washington a restabelecer o tráfego na passagem marítima bloqueada pelo Irã.
Na opinião da Alta Representante da UE, Kaja Kallas, o estreito de Ormuz “fica fora da área de atuação” da própria Aliança Atlântica, já que não “há países da OTAN” na região. “É por isso que temos a operação Aspides, e há Estados-membros que também estão dispostos a contribuir”, acrescentou.
O ministro alemão sinalizou que não vê a Aliança tomando uma decisão sobre o Estreito de Ormuz, e o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, afirmou em declarações feitas em Berlim que “esta guerra não tem nada a ver com a OTAN”.
Por outro lado, a ministra das Relações Exteriores da Romênia, Oana-Silvia Toiu, afirmou que “a OTAN é, antes de tudo, uma aliança defensiva e esse é o aspecto mais importante no qual deve se concentrar quando se trata de prestar apoio”.
No caso do ministro da Polônia, Radoslaw Sikorski, ele constatou que, por enquanto, nenhum procedimento foi acionado sobre o papel da OTAN neste conflito, mas indicou que, se houver um pedido formal dos Estados Unidos, examinarão a proposta “com muito cuidado”.
Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjarto, destacou que, por enquanto, não há “nenhuma proposta em discussão” e que, caso houvesse, eles poderiam analisá-la.
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