Frederic Sierakowski/EU Council/ DPA
Os 27 buscarão formas de garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e de contornar o veto da Hungria ao empréstimo à Ucrânia BRUXELAS 13 mar. (EUROPA PRESS) -
Os ministros das Relações Exteriores da UE tentarão, nesta segunda-feira, conter a crise provocada pela guerra no Oriente Médio, com foco em garantir a liberdade de navegação no estreito de Ormuz, e também buscarão convencer a Hungria a retirar seu veto ao empréstimo de 90 bilhões de euros que a Ucrânia necessita urgentemente para receber os primeiros desembolsos no mês de abril.
Isso ocorrerá no Conselho de Relações Externas (CAE), que se realiza em Bruxelas, poucos dias antes de os líderes dos 27 Estados-membros se reunirem na capital comunitária, em uma cúpula do Conselho Europeu que também será marcada pela escalada no Oriente Médio, pela guerra na Ucrânia e pela segurança do bloco comunitário.
A reunião ocorre em um momento de forte tensão internacional, com a UE tentando articular uma posição comum diante da escalada no Oriente Médio e seus efeitos na segurança e na economia global, em particular pelo risco que isso representa para o tráfego marítimo e os mercados energéticos.
Após duas reuniões extraordinárias dos ministros das Relações Exteriores desde o início do conflito, nesta ocasião os Vinte e Sete farão um balanço dos últimos acontecimentos e explorarão medidas para proteger o tráfego marítimo e conter os efeitos da crise na segurança e na economia global.
Concretamente, prevê-se que os ministros condenem os ataques do Irã e façam um apelo à desescalada e à cessação das hostilidades no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que adotarão formalmente sanções contra 19 pessoas e entidades iranianas por graves violações dos direitos humanos.
A Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, também deverá incentivar os ministros a disponibilizarem mais recursos e capacidades para as missões europeias na região, em particular para reforçar a operação naval Aspides, uma operação militar da UE destinada a impedir os ataques huti contra o transporte marítimo no Mar Vermelho.
Segundo fontes europeias, a chefe da diplomacia europeia pretende avaliar opções para tentar garantir a passagem segura de navios comerciais no Estreito de Ormuz, buscando que mais Estados contribuam com recursos para a operação proposta pela França para proteger os navios dos ataques do Irã.
Paralelamente, os ministros abordarão a situação no Líbano, onde a extensão da guerra no Oriente Médio com os ataques de Israel está levando a deslocamentos populacionais e a uma deterioração da situação humanitária. Assim, os 27 explorarão vias para reforçar o apoio político e de segurança às autoridades libanesas e ao Exército do país.
DESBLOQUEAR O VETO DA HUNGRIA
Outra grande parte da jornada será dedicada à Ucrânia, onde está prevista uma atualização por videoconferência sobre o estado da invasão russa com o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, que possivelmente destacará a alta demanda por interceptores de drones e mísseis devido ao início da guerra no Oriente Médio.
Além disso, os 27 ministros abordarão o empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia e o vigésimo pacote de sanções à Rússia, bloqueados pela Hungria e pela Eslováquia desde o último Conselho de Assuntos Gerais, após acusarem a Ucrânia de estar sabotando o fornecimento de petróleo aos seus países através do oleoduto Druzhba.
Alguns ministros das Relações Exteriores destacarão que o bloqueio de Budapeste e Bratislava representa uma “violação da cooperação leal”, segundo fontes diplomáticas, uma vez que o empréstimo foi acordado politicamente pelos líderes no Conselho Europeu de dezembro e sua implementação legal requer agora unanimidade para modificar o orçamento da UE.
Também será exercida pressão sobre a Hungria e a Eslováquia em relação ao vigésimo pacote de sanções, alegando-se que esse bloqueio reduz a capacidade da UE de exercer uma pressão efetiva sobre Moscou.
No entanto, várias fontes diplomáticas expressaram suas dúvidas de que a Hungria e a Eslováquia levantem seus respectivos bloqueios e apostam que ambas as questões serão transferidas, poucos dias depois, para a cúpula do Conselho Europeu, onde os chefes de Estado e de Governo da UE tratarão do assunto com os primeiros-ministros Viktor Orbán e Robert Fico, além da participação virtual do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski.
NOVA ESTRATÉGIA DE SEGURANÇA Mas, além da crise no Oriente Médio e da situação na Ucrânia, os ministros abordarão outras questões de segurança internacional, entre elas os trabalhos em andamento para atualizar a Estratégia de Segurança Europeia, que será objeto de um café da manhã de trabalho antes do Conselho.
Segundo fontes europeias, o objetivo é elaborar uma avaliação de ameaças adaptada ao contexto atual, que leve em conta não apenas riscos militares, mas também fatores como a segurança energética, econômica ou tecnológica. O documento, no qual estão trabalhando o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) e a Comissão Europeia, poderá ser apresentado durante o verão.
Por fim, os ministros terão um almoço de trabalho com seu homólogo da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, abordarão com urgência a situação na Geórgia após a aprovação de uma controversa lei de financiamento estrangeiro e prepararão a cúpula informal de líderes em Chipre, que terá como foco projetos de investimento e estabilidade no Mediterrâneo e na Vizinhança do Sul.
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