Publicado 17/06/2026 14:14

Os líderes da UE discutem nesta quinta-feira o endurecimento da resposta comercial à China

Archivo - Arquivo - Edifício Europa, sede do Conselho da UE, onde são realizadas as reuniões de ministros e líderes da UE em Bruxelas.
FRANCOIS LENOIR / EUROPEAN UNION - Arquivo

BRUXELAS 17 jun. (EUROPA PRESS) -

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia participam nesta quinta e sexta-feira de uma cúpula em Bruxelas com uma agenda marcada pelas tensões geopolíticas e pelos primeiros debates com números sobre a distribuição do orçamento comum pós-2027; embora os líderes precisem primeiro resolver as divergências para decidir se vão endurecer a resposta comercial às práticas desleais de Pequim que desequilibram a economia europeia.

A União Europeia já dispõe de instrumentos comerciais que lhe permitem reagir com tarifas em casos de concorrência desleal ou de excesso de capacidade na indústria siderúrgica, por exemplo, mas cada vez mais capitais lamentam as dificuldades em implementar medidas contundentes e rápidas em momentos de distorção.

Por isso, os líderes abordarão uma discussão sobre os “desequilíbrios macroeconômicos globais”, conforme consta na última versão preliminar das conclusões da cúpula, à qual a Europa Press teve acesso, e que sugere preocupação com a China, mas evita mencionar o gigante asiático, justamente devido às reservas de países como a Alemanha em aumentar a tensão por medo de uma guerra comercial.

No entanto, várias delegações já confirmam que o debate girará em torno da China e da possibilidade de explorar “novos mecanismos” mais contundentes, seguindo uma proposta recente que a França divulgou entre os parceiros e que conquistou apoios de países como a Holanda, a Itália ou a Bélgica.

O debate evoluiu em relação aos anos anteriores, pois agora há um consenso generalizado quanto à gravidade da situação, embora os governos divergem sobre a forma de enfrentá-la: de um lado, com a França à frente, há quem exija mais firmeza; do outro, países como a Alemanha e a Espanha apelam ao diálogo.

“A China tenta nos dividir, oferecendo incentivos a uns e retaliações a outros, e é exatamente isso que está acontecendo”, lamentou um diplomata europeu, que insiste que a União defende a abertura comercial, mas adverte que limitar-se a buscar um diálogo com Pequim é “ingênuo”.

Nesse contexto, espera-se que os líderes encarregem, ainda nesta quinta-feira, a Comissão Europeia de apresentar uma análise sobre medidas concretas para responder à concorrência desleal da China, desde tarifas e cotas ou o mecanismo anticoeção de que a União já dispõe até “novos instrumentos”.

Nessa linha, a proposta impulsionada por Paris clama por uma “reflexão mais ampla” sobre como responder a distorções significativas em setores específicos “que nenhum instrumento de defesa comercial existente poderia evitar, reparar ou corrigir”. E aponta para um mecanismo “mais abrangente e transversal” que permita maior agilidade na imposição de tarifas ou cotas para “proteger os produtores europeus”.

Nesse contexto, Berlim, que até agora se mostrou mais reticente em intensificar a resposta europeia, apesar de Bruxelas ter alertado nas últimas semanas que a relação atual “não é sustentável”, se mostra aberta a discutir possíveis medidas alternativas.

Nesse contexto, e apesar de um déficit comercial crescente da UE com a China, que já ultrapassa 350.000 milhões de euros por ano, a Espanha também é a favor de evitar uma guerra comercial com o gigante asiático, que pode acarretar consequências desastrosas para a economia comunitária, segundo indicam fontes de Moncloa.

O governo de Pedro Sánchez considera que há consenso dentro da UE de que esse desequilíbrio entre importações e exportações não é sustentável, embora existam divergências entre os parceiros sobre a forma de lidar com a questão, e opta por evitar um confronto direto com Pequim.

DEBATE SOBRE O PAPEL DA UE NAS NEGOCIAÇÕES DE PAZ

Outro ponto-chave deste Conselho Europeu será a guerra na Ucrânia, em meio ao debate sobre se a UE pode desempenhar um papel de mediadora nas conversas de paz ou abrir canais de diálogo diplomático com Moscou, interrompidos desde o início da invasão russa em 2022.

O encontro terá início com uma reunião com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, com quem está prevista a abertura do primeiro grupo de capítulos de negociação para a adesão, o que implica o início formal do processo.

Os líderes poderão reiterar a determinação do bloco em apoiar Kiev e aumentar a pressão contra o Kremlin com um texto de conclusões que, pela primeira vez desde outubro de 2024, será assinado pelos 27 e não apenas por 26; após Péter Magyar ter assumido o lugar de Viktor Orbán à frente do governo húngaro.

Concretamente, abordarão o desembolso da primeira parcela do empréstimo europeu de 90.000 milhões para a Ucrânia —prevista para este trimestre—, a adoção do 21º pacote de sanções contra a Rússia e a proibição de entrada na UE de ex-combatentes russos, uma medida ainda em discussão.

Quanto a eventuais negociações de paz, fontes comunitárias ressaltaram que, uma vez que qualquer “acordo de paz real” afetará diretamente os interesses do bloco, os líderes discutirão com Zelenski “qual deve ser o papel da Europa”, já que, para defender os interesses comuns, “será necessário abordá-los por meio de contatos diretos com a Rússia”.

PRESSÃO POR SANÇÕES CONTRA ISRAEL

Os líderes debaterão os últimos acontecimentos no Oriente Médio após o recente acordo de paz provisório firmado entre os Estados Unidos e o Irã. Está previsto que eles reiterem seu apelo ao respeito ao Direito Internacional e à liberdade de navegação pelo estreito de Ormuz.

Mas também concentrarão parte da discussão na situação em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano, uma vez que um grande número de países solicitou à Comissão Europeia que elabore um documento com propostas de medidas comerciais contra Israel ou sanções contra seus ministros da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, e das Finanças, Bezalel Smotrich.

De fato, fontes diplomáticas compartilharam a “surpresa” de vários Estados-membros pelo fato de o Executivo de Ursula von der Leyen “ter se recusado até agora a fazê-lo”, apesar de “um amplo grupo” deles estar solicitando isso “há muito, muito tempo”.

No entanto, o rascunho das conclusões inclui uma condenação dos maus-tratos infligidos a detidos após a interceptação da Frota Global Sumud em águas internacionais por Israel, convidando o Conselho a trabalhar em sanções contra “os ministros extremistas”,

Também está previsto que os Vinte e Sete reafirmem sua disposição de contribuir para uma presença ativa no Líbano diante de uma eventual saída da missão de paz da ONU (FINUL) em 2027, e que expressem sua preocupação com “as contínuas violações do cessar-fogo” por parte de Israel e do Hezbollah.

ORÇAMENTO COMUNITÁRIO DE LONGO PRAZO

Outro dos assuntos será o próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP, na sigla em inglês) para o período 2028-2034, naquela que será a primeira reunião com números concretos em discussão desde que, há um ano, a Comissão apresentou sua proposta inicial para os gastos pós-2027.

Não será o momento de tomar decisões, mas sim de analisar as posições com o objetivo de chegar a um acordo antes do fim do ano, para ter tempo até janeiro de 2028, mas também para evitar que o calendário eleitoral do próximo ano em vários países da UE interfira nas negociações.

De qualquer forma, mantêm-se as diferenças tradicionais entre os países mais frugais — Suécia, Países Baixos, Finlândia ou Alemanha —, que exigem uma forte redução do orçamento e rejeitam novas emissões de dívida comum, e aqueles que pedem mais ambição — Espanha, França, Itália e outros do chamado “Grupo dos Amigos da Coesão” — que defendem mais ambição para responder às novas prioridades europeias, como segurança ou defesa, sem colocar em risco a Política Agrícola Comum (PAC) ou a coesão.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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