ALEXANDROS MICHAILIDIS - Arquivo
NICÓSIA 22 abr. (pela correspondente especial da EUROPA PRESS, Laura García Martínez) -
Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia examinarão pela primeira vez nesta quinta-feira as possíveis medidas imediatas apresentadas por Bruxelas para conter a crise energética decorrente da guerra no Oriente Médio — e que mantém fechado o estreito de Ormuz —, em uma cúpula informal marcada também pelas tensões geopolíticas com os Estados Unidos ou a China e pela necessidade de esclarecer as prioridades econômicas e de segurança do bloco.
Para isso, os líderes viajam para Chipre, país que exerce a presidência de turno do Conselho, em um momento conturbado no vizinho Oriente Médio que chegou a acionar os alarmes do bloco quando, nos primeiros dias da guerra, uma base britânica na ilha sofreu um ataque com drones enviados pelo Irã.
Vários parceiros, entre eles Espanha e França, enviaram então meios marítimos de apoio a Chipre; o que evidenciou a necessidade de esclarecer como ativar e garantir a operacionalidade da chamada cláusula de defesa mútua, prevista no artigo 42.7 dos Tratados, mas invocada apenas uma vez no passado — pela França, após os atentados de 2015 — e sobre a qual os líderes tratarão pontualmente, sem que se esperem conclusões decisivas neste encontro.
No contexto da guerra que eclodiu após a ofensiva contra o Irã lançada unilateralmente pelos Estados Unidos e Israel, os líderes terão a oportunidade de abordar a situação com a região, em uma sessão no segundo dia da cúpula informal para a qual foram convidados os líderes da Jordânia, Síria, Líbano, Egito e do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG).
Embora não haja uma referência expressa na agenda, será também a primeira ocasião em que o bloco se reunirá em nível de líderes depois que a Alemanha e a Itália frearam, na terça-feira, em uma reunião de ministros das Relações Exteriores, a possibilidade de medidas comerciais contra Israel devido à violência e à violação de direitos fundamentais que o país exerce contra Gaza, a Cisjordânia e o Líbano.
O debate de terça-feira foi impulsionado pela Espanha, Irlanda e Eslovênia com uma carta que convidava a refletir sobre se a UE deveria romper o Acordo de Associação com Israel e obteve apoio de outros parceiros abertos, pelo menos, a suspender parcialmente esse acordo, como a França e a Suécia; tendo em conta que a situação, longe de melhorar, piorou com os ataques ao Líbano e a violência na Cisjordânia.
Embora reste saber se o presidente do Governo, Pedro Sánchez, ou outros colegas darão o passo de elevar a discussão ao nível dos líderes, fontes do Governo lembram que, desde que em fevereiro de 2024 solicitou as primeiras medidas, o chefe do Executivo espanhol “não deixou de insistir nisso publicamente”.
AUSÊNCIA DE ORBÁN E COMPROMISSO COM KIEV
Será também um encontro marcado pela ausência do primeiro-ministro cessante da Hungria, Viktor Orbán, que, após 16 anos no poder e tendo promovido uma guinada iliberal no país, decidiu não comparecer ao que seria seu último Conselho Europeu antes que o líder da oposição, Péter Magyar, assuma o cargo.
Orbán evitará assim prestar contas cara a cara perante os demais parceiros pelas fugas de documentos confidenciais da União que o seu governo facilitou ao regime russo de Vladimir Putin; embora, após perder as eleições, o ainda primeiro-ministro ultranacionalista tenha flexibilizado as suas posições de bloqueio no seio dos 27.
Os líderes europeus, de fato, comparecem após terem contornado, nas últimas horas, o veto de Budapeste ao empréstimo europeu de 90 bilhões de euros a Kiev e ao último pacote de sanções contra a Rússia; duas medidas que há meses enfrentavam o bloqueio de Orbán e que marcaram as dificuldades dos 27 em avançar pela via da unanimidade exigida em assuntos-chave como esses.
O encontro terá início na tarde de quinta-feira com uma discussão com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, de quem se espera que exija aos líderes avanços claros no caminho do país rumo à adesão ao clube comunitário; uma questão que também não gera um consenso claro quanto ao ritmo ou ao estabelecimento de prazos para a integração.
MEDIDAS ENERGÉTICAS E ORÇAMENTO FUTURO
No plano interno, os líderes poderão compartilhar suas primeiras impressões sobre o primeiro pacote de medidas que a Comissão Europeia colocou sobre a mesa para conter o aumento dos preços da energia e a incerteza sobre o abastecimento de combustíveis que a crise no Estreito de Ormuz gerou na Europa.
Segundo os cálculos de Bruxelas, em apenas 52 dias de conflito, a União Europeia teve de arcar com um custo adicional de 24 bilhões de euros em suas compras de energia; ao mesmo tempo, aponta-se a necessidade de monitorar os riscos de escassez no abastecimento de combustíveis fósseis, especialmente querosene para aeronaves e diesel, caso a crise se prolongue.
Além disso, os chefes de Estado e de Governo europeus são chamados a discutir em detalhes — mas sem tomar decisões ainda — quais devem ser as prioridades orçamentárias do próximo quadro financeiro plurianual pós-2027 (QFP, na sigla em inglês). Embora ainda seja cedo para apresentar números concretos para o orçamento de 2028-2034, as capitais querem garantir que o próximo orçamento europeu atenda às suas ambições.
O debate previsto para o Conselho Europeu de março foi adiado e, portanto, nesta cúpula ocorrerá o primeiro debate sério entre os 27 no mais alto nível desde que Bruxelas apresentou, no verão passado, sua proposta, que fixa um teto de gastos de 1,26% e para o qual países como a Espanha pedem mais ambição, para chegar pelo menos a 2%.
O governo também não vê com bons olhos o pacote proposto para os recursos próprios, pois considera que falta ambição para os desafios que a União Europeia enfrenta atualmente, nem apoia que o fundo de competitividade se concentre tanto em defesa e segurança, pois a Espanha gostaria de ver mais recursos destinados a outras áreas, como a transição digital, o desenvolvimento da Inteligência Artificial, a energia ou as interconexões.
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