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O escocês Swinney afirma que Andy Burnham “entrará para a história como o último primeiro-ministro do Reino Unido”
MADRID, 13 set. (EUROPA PRESS) -
Os governantes da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte se reunirão nesta segunda-feira em Cardiff, em um encontro inédito, para divulgar uma declaração que prepare o caminho para a independência dessas regiões do Reino Unido.
A declaração conjunta reivindica o direito de realizar referendos de independência, uma vez que as três regiões são governadas por partidos independentistas: o Sinn Féin na Irlanda do Norte, o Partido Nacional Escocês na Escócia e o Plaid Cymru no País de Gales.
O encontro em Cardiff, no Hotel St. David, ocorre em meio às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que no sábado, em Dublin, apoiou a unificação da República da Irlanda e da Irlanda do Norte.
Além disso, em maio, o colapso do Partido Trabalhista no País de Gales propiciou a vitória do partido nacionalista Plaid Cymru, de modo que agora os ministros-chefes das três regiões autônomas são independentistas pela primeira vez na história.
O País de Gales é governado pelo ministro-chefe, Rhun ap Iowerth, candidato do partido nacionalista galês que conquistou a maioria no Parlamento, ou Senedd.
Na Irlanda do Norte, e pela primeira vez desde a criação do governo autônomo resultante dos Acordos da Sexta-Feira Santa de 1998, o partido nacionalista irlandês Sinn Féin foi o mais votado nas eleições de 2022, mas a saída do Partido Unionista Democrático (DUP) do governo fez com que só em 2024 a líder nacionalista Michelle O’Neill se tornasse ministra-chefe. Tudo indica que, nas próximas eleições, o Sinn Féin voltará a ser a força mais votada.
O'Neill estará em Cardiff acompanhada pela presidente do Sinn Féin, Mary Lou McDonald, que é a líder da oposição na República da Irlanda.
O documento, segundo fontes do jornal “The Telegraph”, inclui quatro seções: economia, energia, Europa e cooperação internacional, e autodeterminação. As três partes concordam que seus países deveriam ingressar na UE: a Escócia e o País de Gales como novos membros e a Irlanda do Norte como parte da Irlanda. Após a reunião, os três líderes darão uma coletiva de imprensa.
O ÚLTIMO PRIMEIRO-MINISTRO DO REINO UNIDO
Nessa situação, o primeiro-ministro escocês, John Swinney, instou o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, a “aceitar a ideia de que entrará para a história como o último primeiro-ministro do Reino Unido”.
“Pela primeira vez na história, a Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte são governados por ministros-chefes favoráveis à independência. Não há sinal mais claro de que o ‘status quo’ não é sustentável e de que Westminster deve se preparar para um futuro pós-Reino Unido”, argumentou Swinney.
Ele defende, assim, uma “mudança constitucional inevitável”. “Andy Burnham deve aceitar a ideia de que entrará para a história como o último primeiro-ministro do Reino Unido”, declarou.
“Amanhã, em Cardiff, espero debater um futuro melhor com os parceiros das ilhas, e isso só será possível com um novo começo: a independência”, afirmou, segundo reportagem do ‘The Telegraph’.
Fontes citadas pelo jornal indicam que o objetivo é pressionar Burnham depois que ele afirmou, na quarta-feira, que poderia haver outro referendo de independência na Escócia se a opinião pública o apoiasse. De fato, ele disse perante o Parlamento que as condições para a votação são “exatamente as mesmas na Escócia” que para a Irlanda do Norte.
O Acordo da Sexta-Feira Santa de 1998 prevê que o ministro para a Irlanda do Norte do governo britânico convoque um referendo de reunificação se considerar que “parece provável” que o resultado seja majoritariamente favorável.
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