Osamah Yahya/dpa - Arquivo
Os rebeldes falam em operação “em grande escala” nas províncias de Taiz e Hodeida após tomarem a faixa costeira do Mar Vermelho
MADRID, 11 set. (EUROPA PRESS) -
Os houthis afirmaram nesta sexta-feira que a ofensiva lançada na semana passada contra as forças das autoridades do Iêmen reconhecidas internacionalmente, apoiadas pela Arábia Saudita, foi um “sucesso”, após tomarem localidades estratégicas ao redor do estreito de Bab el Mandeb, antes de garantir a segurança da navegação na região, principal motivo de preocupação internacional, especialmente diante da situação que o estreito de Ormuz está enfrentando.
O porta-voz das operações militares dos houthis, Yahya Sari, afirmou que o grupo lançou, em 3 de setembro, “uma operação militar de grande escala e de alto nível” para “atingir a mobilização do inimigo criminoso saudita” e enfrentar o “assédio contínuo” às áreas sob controle do grupo desde 2014, no contexto de um conflito que já se estende por quase doze anos.
Assim, ele destacou em um comunicado publicado nas redes sociais que essa ofensiva contou com uma “participação significativa” das “tribos livres”, antes de destacar que ela foi lançada “em várias frentes” com o objetivo de tomar diversas localidades na costa ocidental, entre as quais se incluem Moca e outros pontos próximos ao estreito de Bab el Mandeb, porta de entrada para o Mar Vermelho.
“A operação foi coroada de sucesso e com a graça divina de Deus Todo-Poderoso”, afirmou Sari, que declarou que “a intensa cobertura aérea” das forças sauditas não conseguiu impedir os avanços dos houthis, que teriam tomado seis localidades nas províncias de Taiz e Hodeida, “abrangendo uma área total de 5.400 quilômetros quadrados”.
Sari enfatizou que “centenas de soldados” das tropas rivais morreram, ficaram feridos ou foram capturados, enquanto os huti conseguiram derrubar nove drones da Arábia Saudita e libertar um número não especificado de seus membros que estavam “detidos há anos” em prisões localizadas nessas áreas.
“As Forças Armadas do Iêmen afirmam que a navegação marítima é segura para todas as empresas, com exceção dos navios sauditas, que já estão sujeitos a um bloqueio”, esclareceu ele, em referência ao bloqueio anunciado em junho pelos rebeldes contra embarcações da Arábia Saudita, no que descreveram como uma resposta ao “cerco” da coalizão internacional liderada por Riade em apoio às autoridades reconhecidas internacionalmente.
O comunicado foi divulgado um dia depois de os houthis terem assumido o controle de Mocha — cujo aeroporto foi alvo de bombardeios sauditas nas últimas horas, segundo a mídia iemenita — e continuassem avançando até assumir, nesta sexta-feira, o controle das localidades de Dhubab e Murad, conquistando assim toda a faixa costeira do Mar Vermelho que ainda não estava sob seu domínio.
De acordo com informações coletadas pela emissora de televisão catariana Al Jazeera, as forças governamentais foram forçadas a recuar diante da pressão militar dos houthis, que teriam avançado em seguida para as ilhas de Mayun e Zuqar, em Bab el Mandeb, onde os combates continuam, o que representa um duro revés para as autoridades reconhecidas internacionalmente.
O estreito de Bab el Mandeb, que separa a Península Arábica do Chifre da África, tem uma extensão de cerca de 29 quilômetros, portanto, o posicionamento de forças nessa zona do Iêmen permitiria aos houthis — um grupo apoiado pelo Irã, apesar de suas diferenças ideológicas e organizacionais — ameaçar o tráfego, inclusive com seus recursos de artilharia.
A situação ameaça provocar o colapso total da trégua alcançada em 2022, após anos de guerra e em meio às tentativas mediadas pela Organização das Nações Unidas para alcançar um acordo de paz que ponha fim ao conflito iniciado em 2014, que mergulhou o país em uma das crises internacionais mais graves do mundo.
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