OVIEDO 1 fev. (EUROPA PRESS) - “Um ERE selvagem e desumano”. Assim definiram os trabalhadores da fábrica da ENCE em Navia o processo de regulação de emprego apresentado pela empresa e contra o qual milhares de pessoas se manifestaram neste domingo na localidade de Navia. Fizeram-no no manifesto lido após a mobilização.
“Esta manifestação nasce da indignação, mas também da dor. Da situação traumática que vivemos os trabalhadores e trabalhadoras da ENCE. Enfrentamos um ERE selvagem, desprovido de humanidade. Um ERE que coloca um em cada três trabalhadores sob a guilhotina. Um verdadeiro drama social que estamos vivendo com angústia e tensão constantes”, afirmaram os funcionários da fábrica.
E é que os trabalhadores voltaram a salientar que, embora a direção da empresa lhes fale de perdas, “os números os denunciam”. Assim, lembraram que estamos diante de uma fábrica que gerou 250 milhões de euros em lucros nos últimos 4 anos, que recebeu mais de 53 milhões de euros em subsídios públicos desde 2021. “Falam-nos de automatizações que não existem, que nem sequer sabem explicar. Falam-nos de soluções de inteligência artificial que ninguém conhece, enquanto nos pedem que assinemos um cheque em branco sobre o futuro de 100 famílias, ao mesmo tempo que vemos como subcontratadas portuguesas oferecem os nossos postos de trabalho”, destacaram no seu manifesto.
Os trabalhadores lamentam que a direção repita seu discurso como um disco riscado: “a situação é grave”, “é necessário”; uma narrativa que, em sua opinião, é “cansativa, vazia e falsa”, porque este ERE “representa um suicídio social para obter um retorno econômico marginal, miserável, de apenas 1% de redução nos custos de produção”.
“Durante décadas, esta fábrica de celulose na ria de Navia coexistiu com o seu ambiente sem conflitos, apesar do seu impacto ambiental. Essa coexistência não foi gratuita: sustentou-se num pilar fundamental, o emprego estável e de qualidade. O plano da Direção é um torpedo direto a essa linha de flutuação e coloca em risco algo essencial: sua licença social para operar. E isso é fundamental. A licença social para operar não aparece nos balanços contábeis, mas tem um valor incalculável. Quando se perde, tudo muda”, dizem os trabalhadores. UM ANTES E UM DEPOIS
Por isso, eles garantem que, se a Ence aplicar este ERE, marcará um antes e um depois e o que antes era tolerado será questionado; o que antes era resolvido internamente será externalizado; o que antes era silêncio se tornará ruído. “Uma fábrica que operava sem atritos entrará em uma dinâmica de conflito permanente com seu entorno. Feridas tão profundas que nunca cicatrizarão. Um dano irreparável que nenhuma mudança de nome ou de proprietário poderá apagar”, acrescentam. Perante esta situação, os trabalhadores e trabalhadoras têm a certeza e garantem que vão lutar e não vão permitir que um em cada três vá para casa. AGRADECIMENTOS PELO APOIO
Os funcionários da ENCE também transmitiram à sociedade asturiana em geral o seu “mais profundo agradecimento”. “Agradecemos aos pequenos comércios, à hotelaria, aos colegas de outros locais de trabalho que, com gestos simples como nos levar chocolate ou café quente nas noites frias ou manhãs chuvosas que vivemos no piquete, nos deram muito, nos deram calor humano. Gestos pequenos, mas enormes, que ficaram para sempre em nossos corações”, destacaram. Eles também agradeceram o apoio recebido da esfera política, pelo apoio claro e firme que sentem nestes dias. “Hoje estão aqui todos os prefeitos e prefeitas do oeste asturiano, queremos fazer uma menção especial às prefeitas de Navia e Coaña, cujo envolvimento tem sido exemplar e não foram as únicas. Agradecemos a todos os representantes públicos que nos mostraram sua preocupação real com o que está em jogo aqui”, disseram.
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