HORNACHOS (BADAJOZ), 13 (EUROPA PRESS)
Os filhos de Francisca Cadenas reconheceram que sentiram “alívio” ao saberem o desfecho do desaparecimento de sua mãe, embora estejam “destruídos emocionalmente” e ressaltem que ainda lhes resta “uma fase muito difícil, que é superar o luto pela morte” de sua mãe. “A verdade é que a notícia foi, em certa medida, um alívio para toda a família, mas ainda nos resta uma fase muito difícil, que é passar pelo luto pela morte de nossa mãe”, reconheceu Javier Meneses Cadenas, que agradeceu o trabalho da UCO e de todas as equipes que participaram da investigação sobre o desaparecimento de sua mãe, bem como o “tratamento” recebido da população de Hornachos e das localidades vizinhas e da mídia.
Seu irmão, José Antonio, destacou, por sua vez, “tudo” o que a família teve de passar durante nove anos “sabendo que a resolução desse desaparecimento estava a poucos metros da nossa casa”.
“E o que eu peço para que qualquer pessoa que esteja nos assistindo neste momento reflita é: como esta família conviveu sabendo que sua mãe foi assassinada, que sua mãe e sua esposa foram assassinadas, e que essas pessoas viviam a poucos metros da nossa casa”, reconheceu; ao mesmo tempo em que pediu “justiça”. “Esperamos que seja feita justiça. Confiamos plenamente na justiça, no trabalho realizado pela UCO. E confiamos plenamente de que este caso será julgado com justiça, sobretudo pelo que já comentamos inúmeras vezes”, afirmou em declarações à imprensa nesta sexta-feira em Hornachos (Badajoz), acompanhado por seus irmãos e seu pai.
“É um caso em que deve ser feita justiça porque se trata de uma pessoa que tinha toda a vida pela frente, uma pessoa maravilhosa, não apenas por ser minha mãe, e tiraram-lhe a vida. Ou seja, nós somos a família, mas a quem tiraram a vida de forma muito prematura; o que se pode dizer, sim, ela tinha 59 anos, mas é que ela tinha toda a vida pela frente para desfrutar dos filhos, do marido, dos vizinhos, de uma cidade, e destruíram a vida dela. Ou seja, a mataram, falando claro”, destacou.
Além disso, sobre sua mãe, ele destacou que “ela era uma pessoa jovem, uma pessoa que se dedicava a toda a vila”. “Prova disso é que toda a vila de Hornachos e as vilas vizinhas nos apoiaram durante esses nove anos... E também uma pessoa que tinha toda a vida pela frente para desfrutar do meu pai, de nós, do neto que teve e com o qual tanto sonhou”, acrescentou.
TINHA UM PRESAGIO Mais uma vez, José Antonio reconheceu, também, em resposta a perguntas da imprensa, que tinha um “pressentimento” desde a noite do desaparecimento de sua mãe “sobre o que poderia ter acontecido”.
"A verdade é que, nestes momentos tão traumáticos que estamos vivendo, não quero reviver tudo o que vivi naquela noite de 9 de maio, porque aquele pressentimento que tive se concretizou com o que toda a família pensava e com o rumo que as investigações têm tomado", observou.
Da mesma forma, José Antonio destacou que procurou olhar nos olhos dos dois detidos pela morte de sua mãe nos últimos dias, durante as investigações mais recentes. “Sim, acima de tudo. Ou seja, quando minha mãe desapareceu, acredito que qualquer familiar que tenha uma pessoa desaparecida se faz muitas perguntas, e uma delas é quem está ou quem estão por trás do desaparecimento. E quando você sabe quem estão por trás do desaparecimento, a verdade é que eu queria olhá-los nos olhos”, afirmou. Nesse ponto, ele reconheceu que o que a família de Francisco passou nestes nove anos “foi devastador” e que isso os “destruiu emocionalmente”. “Isso nos destruiu emocionalmente e não somos mais as mesmas pessoas que éramos antes de tudo isso acontecer”, disse ele. “Ou seja, você vai se desgastando emocionalmente e dedicamos toda a nossa vida para que este caso não caísse no esquecimento. "Nós lutamos, batemos em todas as portas que precisávamos bater para que, finalmente, o caso fosse assumido pela UCO e agradecemos imensamente, como eu dizia aos agentes quando nos deram a notícia... Agradecemos imensamente, pois não teremos vida suficiente para agradecer todo o trabalho que eles fizeram para descobrir o que aconteceu", enfatizou. A MÃE DE FRANCISCA
Por sua vez, outro dos filhos de Francisca, Diego Meneses, transmitiu, assim como seus irmãos, o agradecimento a “toda a população” e a todas as localidades vizinhas que nos apoiaram durante nove anos na busca por sua mãe. “Pelo menos vamos poder descansar, entre aspas”, reconheceu. “Bem, descansar, entre aspas. A vida já nos foi tirada por completo. E pelo menos minha avó, que partiu sem saber onde estava sua filha, agora vai saber onde ela está”, destacou também sobre sua avó. Seu irmão José Antonio, a esse respeito, lembrou que sua avó, a mãe de Francisca Cadenas, morava com eles quando ocorreu o desaparecimento. “Ela era uma pessoa dependente; nós, dada a situação, não estávamos bem emocionalmente, então minha avó foi para uma casa de repouso e lembro-me das imagens da minha avó Ana no último dia em que fui vê-la, quando ela me disse: ‘Lute para saber o que aconteceu aqui...’ Essa imagem está gravada a fogo na minha memória e foi o que me manteve lutando durante esses quase nove anos”, sublinhou.
PESSOAS DESAPARECIDAS Por fim, Javier Meneses agradeceu à fundação que também tem apoiado na busca por sua mãe e fez um apelo para que não se esqueçam das pessoas que estão desaparecidas na Espanha.
“A todas as pessoas que têm familiares desaparecidos, saibam que, no final, é possível... Que é possível, que os casos podem ser resolvidos. Que, com sorte, todos sejam resolvidos, porque o sofrimento que carregamos é... Acho que não dá para expressar com palavras, a verdade. É uma montanha-russa emocional, um carrossel emocional”, enfatizou.
Nesse ponto, ela reconheceu que as famílias de pessoas desaparecidas chegam a se sentir “sozinhas” no que diz respeito ao apoio emocional. “É incrível o que passamos e também, já como uma reivindicação, no fim das contas nós, familiares das pessoas desaparecidas, nos sentimos sozinhos no que diz respeito ao apoio emocional; temos que lidar com, não sei como chamar, uma forma de viver que, no fim das contas, ninguém quer, mas muitas pessoas são obrigadas a vivê-la e ninguém nos ajuda a lutar contra isso”, observou.
Javier, para concluir, insistiu que foi uma “alegria imensa, maravilhosa” poder saber pelo menos o destino final de sua mãe, embora reconheça que agora resta à família “tempo” para assimilar o que aconteceu e para o luto. “Foi uma alegria imensa, maravilhosa, mas, ao mesmo tempo, uma etapa pela qual temos que começar a passar agora, e não sei quanto tempo isso vai levar para cada um de nós, mas, juntos, continuaremos nos apoiando como temos feito até agora”, concluiu.
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