Publicado 28/08/2025 10:21

Os filhos de Bolsonaro repreendem a direita brasileira por substituir seu pai antes do julgamento

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Europa Press/Contacto/Lc Moreira, Lc Moreira

MADRID 28 ago. (EUROPA PRESS) -

Os filhos mais velhos do ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro - Flávio, Carlos e Eduardo - deram a entender, nos últimos dias, seu descontentamento com alguns de seus colaboradores, a quem criticaram por querer substituir o pai às vésperas de seu julgamento pela tentativa de golpe em 2023, e em meio à indecisão de escolher um candidato para as eleições presidenciais de 2026.

Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro, disse esta semana que agora não é hora de ignorar seu pai, mas de mostrar-lhe "solidariedade", enquanto criticava veladamente as aspirações óbvias do candidato da oposição mais bem posicionado para enfrentar o presidente Lula da Silva no próximo ano, o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas.

"As eleições são em um ano e meio. Não conheço nenhum candidato à presidência que tenha conseguido se antecipar tanto. Normalmente, ninguém aguenta tanto tempo e acaba se esgotando", disse o mais velho dos filhos do ex-presidente.

Na mesma semana, De Freitas participou de um evento com empresários no qual, além de propor uma alternativa para derrotar Lula, ouviu Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL) - partido de Bolsonaro, ao qual não pertence - sugerir sua filiação para concorrer como candidato naquele evento.

Essas declarações irritaram particularmente Eduardo, que está nos Estados Unidos desde fevereiro fazendo proselitismo em favor da libertação de seu pai, a ponto de, segundo fontes do partido, ele poder abandonar o partido para iniciar sua própria corrida presidencial se De Freitas aceitar o desafio, relata 'O Globo'.

Eduardo criticou que esses setores da direita estão "chantageando" com essas propostas para substituir o patriarca Bolsonaro, em um momento em que ele está enfrentando um "julgamento injusto". Essas "pressas", segundo ele, buscam apenas forçar o chefe da família a tomar uma decisão que ele não pode reverter.

"Estou avisando agora para que não venham depois com a ladainha de que eu rejeito a direita ou sou radical: com chantagem não vão conseguir nada", escreveu em X ao lado de uma foto do pai e dos irmãos, entre eles Carlos, que não gostou de os líderes de direita agirem como se nada tivesse acontecido antes do julgamento do pai.

Nas redes sociais, o vereador do Rio de Janeiro reprovou a "chamada direita" pela "absoluta falta de humanidade" em relação à pessoa que "lhes permitiu alçar voo", em uma clara referência ao seu pai, ao mesmo tempo em que "finge normalidade" em um momento em que "o Supremo Tribunal Federal se prepara para o maior teatro já visto".

Por sua vez, Costa Neto teve que esclarecer que o candidato do PL à presidência ainda era Bolsonaro, ou quem ele designasse. Embora De Freitas seja levado em conta pelo ex-presidente, alguns dentro do partido duvidam que, se ele vencer, optará por um indulto.

A insistência de Bolsonaro em se estabelecer como o líder da chapa de direita nas próximas eleições contrasta com sua realidade jurídica. Além da previsível condenação por sua participação na trama golpista, ele já foi cassado até 2030 por abuso de poder político e uso indevido de recursos do Estado.

Em junho de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral considerou comprovado que Bolsonaro incorreu em ambas as acusações ao usar o Palácio da Alvorada para organizar uma reunião com embaixadores e diplomatas estrangeiros para tentar convencê-los da suposta falta de confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.

O sistema de justiça sustenta que esse e outros episódios anteriores às eleições de outubro de 2022, cuja derrota ele demorou a reconhecer enquanto seus apoiadores ainda estavam nas ruas pedindo intervenção militar nas instituições, foram fundamentais para o ataque ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal em janeiro de 2023.

Enquanto a incerteza continua, as pesquisas mostram um empate técnico entre De Freitas e Lula, que também não anunciou oficialmente sua candidatura, embora tenha demonstrado sua disposição de concorrer desde que esteja em boas condições de saúde. Nessa época, o presidente brasileiro estaria com 80 anos de idade.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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