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MADRID 30 jul. (EUROPA PRESS) -
Pastor Alape, ex-membro da guerrilha dissolvida das FARC, descartou a possibilidade de que aqueles que assinaram o acordo de paz de 2016 venham a pedir asilo em outro país diante da iminente posse do presidente eleito, Abelardo de la Espriella, e ressaltou que continuarão na Colômbia defendendo sua implementação.
“Até nosso último suspiro, estaremos aqui na Colômbia, acompanhando as comunidades, as vítimas e todo este país que continua sonhando com a paz”, reafirmou Alape, em declarações à imprensa, em um encontro realizado em Bogotá, no qual foi analisada a situação atual desses acordos.
“Acreditamos firmemente na Constituição (...) estamos deixando claro que nunca recorreremos às armas e à violência, porque o caminho é institucional, a defesa das leis, e todo o nosso esforço está voltado para essa direção”, insistiu Alape, um dos coordenadores do Comunes, partido surgido após o pacto de Havana.
Alape enfatizou que esse é o caminho que seguirão aqueles que decidiram largar as armas e se integrar à vida civil, apesar de haver “muitos líderes” que “tentaram distorcer a Constituição”, informa a Blu Radio.
O evento reuniu cerca de cem pessoas que optaram por aceitar os acordos de paz que, embora tenham levado à desmobilização da guerrilha das FARC, próximos de completar uma década desde sua assinatura, a implementação de tudo o que foi ratificado na capital cubana não vem ocorrendo como se esperava.
A chegada de Abelardo de la Espriella à Casa Nariño e sua reconhecida aversão a esse acordo têm preocupado aqueles que o assinaram, diante da possibilidade de ainda mais obstáculos, cortes, mudanças e até mesmo a eliminação das instituições encarregadas de garantir seu cumprimento.
Declarações recentes do presidente eleito, nas quais ele afirma que Rodrigo Londoño, terceiro e último comandante das FARC e um dos responsáveis pela assinatura do acordo de 2016, “merece ficar preso para o resto da vida” e que ele trabalhará para que ele responda perante a justiça, não fizeram senão aumentar os temores.
Nesse mesmo discurso, De la Espriella questionou a eficácia da Jurisdição Especial para a Paz (JEP) — um tribunal criado a partir desses acordos para investigar todos os atores armados do conflito, incluindo as forças do Estado — e anunciou a extinção do Comissariado para a Paz.
Rodrigo Granda, conhecido como “Ricardo Téllez”, ex-guerrilheiro que também participou desse evento, reconheceu que, embora haja “preocupação” com essas afirmações do futuro presidente da Colômbia, também há “muita consciência de que é viável continuar o diálogo” e “não permitir que isso retroceda”.
Nesse sentido, ele destacou que o processo de paz conta não apenas com o apoio de uma parte importante da sociedade colombiana, mas também com o amplo respaldo da comunidade internacional.
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