Publicado 01/08/2026 02:53

Os EUA e seus aliados alertam sobre o uso de falsos especialistas em informática norte-coreanos para financiar programas nucleares e

Archivo - Arquivo - 5 de abril de 2019 - Hong Kong - Nesta ilustração fotográfica, vê-se a bandeira da República Popular Democrática da Coreia, comumente conhecida como Coreia do Norte, em um celular Android, com a figura de um hacker ao fundo.
Europa Press/Contacto/Miguel Candela - Arquivo

MADRID 1 ago. (EUROPA PRESS) -

Os Estados Unidos e cerca de dez países aliados divulgaram nesta sexta-feira um alerta conjunto dirigido a governos, empresas e plataformas digitais sobre a atividade de profissionais de TI ligados à Coreia do Norte que supostamente conseguiriam acessar —por meio de identidades falsas— a empregos remotos cujos rendimentos acabam financiando os programas de armamento de Pyongyang.

O alerta foi assinado por autoridades dos Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Canadá, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Nova Zelândia e Reino Unido, que denunciam que o regime norte-coreano mantém uma rede de especialistas em tecnologias da informação (TI) mobilizados tanto dentro quanto fora do país para obter recursos destinados aos seus programas ilegais de armas nucleares e mísseis balísticos.

Segundo os signatários, esses trabalhadores costumam se passar por cidadãos de países terceiros para obter contratos por meio de plataformas privadas de contratação e prestação de serviços. O objetivo final é repassar os salários recebidos a órgãos estatais norte-coreanos.

As autoridades também apontaram que essas pessoas representam um risco para as organizações que as contratam, pois podem aproveitar seu acesso aos sistemas corporativos para subtrair informações confidenciais, vazar dados ou cometer roubos de criptomoedas.

Além disso, alertaram que seus métodos estão se tornando cada vez mais sofisticados graças ao uso de ferramentas de inteligência artificial que facilitam ocultar sua identidade e ampliar o alcance de suas operações.

Os governos desses países lembraram que, nos últimos anos, já emitiram diversas advertências sobre essa ameaça, entre elas a Declaração Conjunta sobre os Trabalhadores de TI da Coreia do Norte, assinada pelo Japão, pelos Estados Unidos e pela Coreia do Sul em agosto de 2025, bem como o segundo relatório da Equipe Multilateral de Monitoramento de Sanções (EMMS), publicado em outubro do mesmo ano, sobre as violações das sanções internacionais por parte de Pyongyang por meio de atividades cibernéticas e do emprego de profissionais de TI.

Nesse contexto, eles garantiram que continuarão reforçando a vigilância e as ações para combater essas atividades.

Os países signatários lembraram ainda que a Resolução 2397 do Conselho de Segurança das Nações Unidas obriga, salvo exceções, a repatriar os cidadãos norte-coreanos que obtenham renda no território dos Estados-membros. Também destacaram que a contratação desses profissionais pode violar a legislação nacional de alguns países — como Japão, Estados Unidos ou Coreia do Sul — e resultar em sanções econômicas ou responsabilidades legais.

O alerta também destacou a situação financeira da Coreia do Norte, lembrando que o Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) mantém o país em sua lista de jurisdições de alto risco, e insistiu na aplicação de sanções financeiras para impedir a lavagem de dinheiro, o financiamento do terrorismo e a proliferação de armas de destruição em massa.

Apesar disso, o documento aponta que Pyongyang conseguiu ampliar seu acesso ao sistema financeiro internacional por meio de diversos mecanismos de geração de receita, entre eles as redes de profissionais de TI utilizadas para sustentar seus programas militares.

Diante dessa situação, os governos signatários instaram “todos os países, empresas e demais entidades a aprofundar o conhecimento sobre as redes de recrutamento de profissionais de TI na Coreia do Norte e a implementar medidas para combater as táticas detalhadas a seguir”.

Entre suas recomendações, solicitaram às plataformas de recrutamento que reforcem os controles de verificação de identidade por meio de análises mais minuciosas da documentação, entrevistas presenciais sempre que possível e sistemas capazes de detectar comportamentos anômalos ou contas suspeitas.

“MODUS OPERANDI”

O alerta descreve ainda o modo de atuação desses profissionais, que costumam utilizar documentos falsificados ou identidades fornecidas por terceiros para se cadastrar em plataformas digitais. Em muitos casos, recorrem a intermediários para passar nas entrevistas de emprego ou criar uma aparência de confiança perante potenciais empregadores.

Além disso, explicaram, costumam recusar o recebimento por depósito direto e preferem receber os pagamentos por transferência bancária para contas de terceiros ou por meio de criptomoedas, utilizando posteriormente redes complexas para transferir o dinheiro para fora do país.

As autoridades indicaram igualmente que esses profissionais possuem alta qualificação técnica e buscam emprego em áreas como desenvolvimento web, aplicativos móveis, programas de computador ou projetos baseados na tecnologia blockchain, tanto por meio de plataformas especializadas quanto por contratação direta.

Embora uma parte significativa resida na Coreia do Norte, na China, na Rússia e em diversos países do Sudeste Asiático e da África, eles costumam ocultar sua localização por meio de redes privadas virtuais (VPN), servidores proxy, ferramentas de acesso remoto ou até mesmo “fazendas de laptops” gerenciadas por colaboradores em países terceiros, de onde se conectam a equipamentos fornecidos pelas empresas contratantes para simular que estão trabalhando no local declarado.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado