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MADRID 26 jan. (EUROPA PRESS) - O governo dos Estados Unidos revogou neste domingo os vistos de dois membros do Conselho Presidencial de Transição do Haiti, bem como de seus familiares diretos, alegando seu suposto envolvimento em atividades de “gangues e outras organizações criminosas” no país centro-americano.
A notícia foi anunciada pelo porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Tommy Pigott, em um comunicado no qual não especificou os nomes dos afetados, que incluem os “cônjuges e filhos” dos dois conselheiros presidenciais haitianos.
A diplomacia americana justificou esta medida, que proíbe os afetados de entrar no país norte-americano, pela “participação” destes em operações de gangues criminosas no Haiti, “incluindo a sua interferência nos esforços do Governo do Haiti para combater as gangues designadas como Organizações Terroristas Estrangeiras (OTE) pelos Estados Unidos”.
O ministério dirigido por Marco Rubio reafirmou na mesma nota “seu compromisso de apoiar a estabilidade do Haiti e de colaborar com as autoridades haitianas para combater a violência das gangues” no país centro-americano e, nesse sentido, garantiu que o governo do presidente Donald Trump “promoverá a responsabilização daqueles que continuam a desestabilizar o Haiti e a região”. “O povo haitiano está cansado da violência das gangues, da destruição e das lutas políticas internas”, lamentou.
Esta decisão de Washington surge depois de o Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti ter iniciado na sexta-feira passada o processo para destituir o primeiro-ministro, Alix Didier Fils-Aimé — apoiado pelos Estados Unidos —, apenas duas semanas antes do fim do mandato deste órgão, a 7 de fevereiro, agravando assim a crise política no país caribenho.
Cinco dos sete membros do CPT com direito a voto pediram dias antes a saída de Fils-Aimé, alegando a falta de avanços na segurança e estabilidade do país. Trata-se de Smith Augustin, Leslie Voltaire, Edgard Leblanc Fils, Fritz Alphonse Jean e Louis Gérald Gilles, que podem estar entre os dois afetados pelas restrições de visto dos Estados Unidos.
No início de 2024, uma onda de violência abalou o Haiti, levando o então primeiro-ministro, Ariel Henry, a apresentar sua renúncia. Entre críticas e após vários anos de instabilidade, ele havia assumido o cargo em 2021, após a morte do presidente Jovenel Moise em sua residência oficial às mãos de um grupo de indivíduos armados.
Desde então, um Conselho Presidencial de Transição governa com o objetivo de realizar a tarefa de pacificação e criar um Conselho Eleitoral Provisório para organizar as primeiras eleições em uma década. A presença de um contingente internacional tem se mostrado, até o momento, ineficaz para conter a atividade das gangues.
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