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Israel aplaude esta “decisão histórica”, descrita pelo Hamas como “um precedente perigoso” e “um reconhecimento prático da legitimidade” dos assentamentos MADRID 25 fev. (EUROPA PRESS) -
A Embaixada dos Estados Unidos em Israel anunciou que planeja prestar serviços consulares a cidadãos americanos nos assentamentos da Cisjordânia, a primeira vez que realizará atividades nesse sentido, apesar das declarações de Washington contra os planos israelenses de consolidar seu controle sobre o território palestino, em meio a apelos de partes do governo de Israel a favor da anexação.
“Como parte de nossa iniciativa Freedom 250 — por ocasião do 250º aniversário da fundação dos Estados Unidos — e dos esforços da Embaixada dos Estados Unidos para chegar a todos os americanos, funcionários consulares prestarão serviços de passaporte em Efrat na sexta-feira, 27 de fevereiro”, disse a legação em uma mensagem nas redes sociais.
Assim, acrescentou que posteriormente esses mesmos serviços serão prestados “durante os próximos dois meses” em Ramala, Beitar Illit — outro assentamento na Cisjordânia —, Haifa, Jerusalém, Netanya e Beit Shemesh.
“Estaremos nesses locais apenas por um dia”, afirmou, antes de pedir aos interessados que fiquem atentos a futuras notificações sobre como obter agendamentos nesses locais para apresentar seus pedidos de visto.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel aplaudiu essa “decisão histórica” de “estender os serviços consulares aos cidadãos americanos na Judeia e Samaria”, usando assim o nome bíblico para se referir à Cisjordânia. Além disso, agradeceu à legação por “tornar a relação entre Israel e os Estados Unidos mais estreita e forte do que nunca”.
Por sua vez, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) condenou veementemente esta medida, que descreveu como “um precedente perigoso” e “um alinhamento flagrante com os planos de judaização da ocupação”, bem como “um reconhecimento prático da legitimidade dos assentamentos e do controle da ocupação na Cisjordânia”.
“Esta nova decisão revela a flagrante contradição nas posições dos Estados Unidos, que dizem rejeitar a anexação da Cisjordânia, enquanto tomam medidas no terreno que promovem a anexação e consolidam a soberania israelense sobre os territórios ocupados”, afirmou, segundo o jornal palestino Filastin.
“Prestar serviços oficiais americanos nos assentamentos é uma violação flagrante do Direito Internacional, que criminaliza a atividade nos assentamentos, e uma tentativa de impor novas realidades políticas que abrem caminho para liquidar os direitos nacionais do nosso povo”, explicou.
Por isso, o Hamas alertou para o “perigo” dessa “medida e suas repercussões, especialmente diante de declarações americanas que incentivam a ocupação a expandir seu controle”. “Isso requer uma postura internacional firme para evitar esse entrincheiramento e agressão contra nosso povo e nossa terra”, acrescentou.
O comunicado da Embaixada foi publicado dias após a polêmica levantada pelo embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, que se mostrou a favor, em determinadas circunstâncias, de uma política expansionista de Israel na região, entre argumentos de promessas bíblicas e ameaças vizinhas, o que provocou duras críticas por parte dos países árabes e muçulmanos do Oriente Médio.
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