Publicado 08/08/2026 02:14

Os EUA prevêem um pacote de segurança de mil milhões para a Colômbia após a posse de De la Espriella

7 de agosto de 2026, Cali, Valle del Cauca, Colômbia: Membros das Forças Armadas da Colômbia participam do primeiro discurso de Abelardo De la Espriella como presidente da Colômbia, em 7 de agosto de 2026, na base militar de Pichincha, em Cali, Colômbia.
Europa Press/Contacto/Sebastian Marmolejo

MADRID 8 ago. (EUROPA PRESS) -

Os Estados Unidos pretendem destinar mil milhões de dólares (cerca de 860 milhões de euros) a um pacote de assistência na área de segurança para o recém-empossado governo da Colômbia, presidido por Abelardo de la Espriella, conforme anunciado nesta sexta-feira pelo Departamento de Estado, coincidindo com a posse do novo presidente.

O governo do presidente norte-americano, Donald Trump, apresentou a iniciativa como um dos principais pilares da nova etapa nas relações bilaterais, com especial atenção à luta contra o tráfico de drogas e as organizações criminosas, à segurança nas fronteiras e ao fortalecimento das forças colombianas.

“Como pedra angular dessa colaboração renovada, os Estados Unidos, em colaboração com o Congresso, planeja anunciar uma ajuda de 1 bilhão de dólares como parte de um pacote de segurança para apoiar o governo do presidente De La Espriella na consecução de nossos objetivos comuns”, destacou o Departamento de Estado em um comunicado divulgado nesta sexta-feira.

O governo dos Estados Unidos destacou ainda que uma delegação liderada pelo procurador-geral interino, Todd Blanche, compareceu à cerimônia de posse de De La Espriella, em um gesto que, segundo Washington, reflete sua intenção de reforçar tanto a cooperação econômica quanto a relação em matéria de segurança com o novo Executivo colombiano.

O governo de Trump apresentou essa nova etapa como uma oportunidade para aprofundar uma relação bilateral com mais de dois séculos de história e manifestou sua disposição de trabalhar com Bogotá para promover objetivos comuns em matéria de segurança e prosperidade econômica.

LUTA CONTRA O NARCOTRÁFICO

Entre as prioridades anunciadas por Washington está o reforço da cooperação contra organizações terroristas estrangeiras e redes criminosas transnacionais. Para isso, os Estados Unidos propõem fornecer tecnologia, melhorar a eficiência dos gastos colombianos com defesa e aumentar a coordenação operacional entre os dois exércitos.

O plano prevê, além disso, medidas direcionadas contra as infraestruturas financeiras dessas organizações, incluindo o congelamento de ativos e o processo judicial contra aqueles que contribuem para seu financiamento.

A erradicação das plantações de coca e as operações para interceptar carregamentos de cocaína constituem outro dos eixos da estratégia, juntamente com uma maior coordenação em matéria de controle de fronteiras para combater a imigração irregular.

Washington pretende também colaborar com as autoridades colombianas para restabelecer a presença do Estado em áreas que anteriormente estavam sob o controle de grupos armados. Para esse fim, o programa incluiria ações de remoção de minas, além de projetos conjuntos nas áreas de segurança, justiça e desenvolvimento econômico.

A proteção de menores contra o recrutamento e a exploração por parte de grupos armados também figura entre os objetivos apontados pelo governo dos Estados Unidos.

Nesse contexto, o Departamento de Estado comemorou a adesão da Colômbia ao chamado “Escudo das Américas”, uma iniciativa impulsionada por Trump e centrada na cooperação regional contra o tráfico de drogas e as organizações criminosas.

COOPERAÇÃO ECONÔMICA

Juntamente com a agenda de segurança, Washington pretende ampliar os laços comerciais e favorecer a entrada de capital norte-americano na Colômbia. Para isso, ambos os países pretendem iniciar um diálogo bilateral sobre prosperidade econômica voltado, entre outros objetivos, para abordar a estabilidade econômica colombiana e reforçar as infraestruturas energéticas.

A iniciativa prevê explorar oportunidades de investimento em minerais críticos e facilitar novas operações para empresas americanas.

Nessa linha, os Estados Unidos propõem apoiar pequenas e médias empresas colombianas dos setores agroindustrial, manufatureiro e tecnológico, conectando-as a compradores americanos e a cadeias de suprimentos ligadas às dos Estados Unidos, nas quais pretende introduzir a Colômbia como um parceiro relevante para diversificar essas cadeias de suprimentos por meio do chamado “nearshoring”.

A cooperação bilateral se estenderia também ao âmbito da energia nuclear civil, com o objetivo de estabelecer uma relação de longo prazo entre a Colômbia e a indústria norte-americana em aplicações nucleares para fins pacíficos.

NOVA ETAPA NAS RELAÇÕES BILATERAIS

A chegada de De la Espriella ao Palácio de Nariño abre uma nova etapa após os desentendimentos ocorridos nos últimos anos entre Trump e o ex-presidente colombiano, Gustavo Petro.

Trump apoiou publicamente De la Espriella durante a campanha eleitoral, enquanto Petro, ex-guerrilheiro e primeiro presidente de esquerda da Colômbia, teve vários confrontos públicos com o governo dos Estados Unidos por questões relacionadas à política externa, à imigração e à luta contra o narcotráfico.

As relações entre os dois governos ficaram especialmente tensas devido às críticas de Petro à política dos Estados Unidos em relação a Gaza e às operações militares de Washington contra embarcações nas águas do Caribe. O ex-presidente colombiano chegou a acusar Trump de ser “cúmplice de genocídio” pela ofensiva israelense contra Gaza e exigiu “processos criminais” pelos ataques norte-americanos contra embarcações na região.

Trump, por sua vez, defendeu suas ações como parte de uma estratégia destinada a combater o tráfico de drogas e a imigração ilegal. Organizações de defesa dos direitos humanos questionaram algumas dessas operações e alertaram sobre suas possíveis implicações legais.

Com o novo governo colombiano, Washington busca agora deixar para trás essa fase de tensão e reforçar a cooperação bilateral por meio de uma agenda que combina segurança, combate ao tráfico de drogas, comércio, investimento e infraestrutura.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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