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Barrack manifesta sua “profunda preocupação” com as tensões e relembra o acordo de cessar-fogo assinado há um ano
MADRID, 6 set. (EUROPA PRESS) -
O enviado dos Estados Unidos para a Síria, Thomas Barrack, manifestou-se neste domingo “profundamente preocupado” com os novos combates registrados na província síria de Sueida e fez um apelo à moderação e ao respeito pelo acordo de cessar-fogo assinado no ano passado para pôr fim aos confrontos sectários desencadeados após a queda do regime de Bashar al Assad.
“Estamos profundamente preocupados com a retomada dos combates em Sueida”, afirmou Barrack nas redes sociais, onde lembrou que os Estados Unidos, a Síria e a Jordânia assinaram há quase um ano “um roteiro trilateral para a paz em Sueida”, que incluía “um caminho para a reintegração digna da província na Síria”.
Assim, o embaixador dos Estados Unidos na Turquia destacou que o referido acordo implicava “direitos e obrigações plenos de cidadania para a comunidade drusa”, antes de ressaltar que “esse caminho continua sendo o único que leva a um lugar que não seja o luto”.
“Os drusos da Síria são um povo com um passado nobre e antigo. No entanto, onde não há governança, as gangues preenchem o vazio e, hoje, alguns poucos com motivos nocivos estão se voltando contra os seus”, afirmou Barrack, que ressaltou que “a cooperação entre drusos, tribos árabes e as nações vizinhas nas fronteiras de Sueida deve continuar a ser construída com base na tolerância e na compreensão”.
Nesse sentido, ele enfatizou a importância de “uma nação com um povo, com culturas e crenças diversas, interagindo por meio do diálogo comunitário e da empatia e deixando a reação cinética e instintiva onde ela deve estar, exclusivamente nas mãos do Estado-nação”.
“O governo sírio começou a lidar com os graves crimes cometidos por suas forças no último mês de julho (de 2025) e a exigir que os culpados respondam perante seus tribunais. Esse é o caminho a seguir, e deve continuar”, defendeu Barrack, que ressaltou que “a única maneira de avançar é um diálogo que garanta a prestação de contas, restabeleça a segurança e permita o retorno dos deslocados e a reconstrução do que foi destruído”.
Por isso, ele insistiu que, neste momento, vivemos “um momento delicado, tanto na região quanto no mundo”. “Exortamos todas as partes a praticarem as duas disciplinas que a paz sempre exigiu dos corajosos: moderação na ação e comunicação sincera. A alternativa ao diálogo não é a vitória; ela apenas traz uma nova onda de luto”, concluiu.
OS ÚLTIMOS CONFLITOS
As palavras de Barrack vêm na sequência dos combates registrados nos últimos dias entre milicianos drusos e as forças governamentais, desencadeados depois que grupos ligados à Guarda Nacional drusa impediram centenas de estudantes de participar de exames públicos em meio a tensões internas.
Os confrontos envolveram principalmente as forças governamentais e a Guarda Nacional, ligada ao influente líder religioso Hikmat al Hijri, muito crítico em relação às autoridades estabelecidas após a queda de Al Assad e que chegou a defender a integração dos drusos da Síria em Israel.
Nesse contexto, Atef Hunaidi, uma figura proeminente de Sueida, fugiu da província após denunciar um sequestro em consequência de suas críticas às declarações de Al Hijri. Barrack destacou que os Estados Unidos estão em contato com Hunaidi, que já teria se deslocado para a capital do país, Damasco.
As tensões surgem cerca de dois meses depois que as autoridades sírias — instaladas após a fuga de Al Assad em dezembro de 2024 diante de uma ofensiva de jihadistas e rebeldes — abrirem um julgamento contra os acusados dos massacres intercomunitários de 2025, que deixaram cerca de 1.800 mortos.
O que começou como um confronto entre as comunidades drusa e beduína logo se transformou em uma espiral de violência na qual intervieram as forças de segurança do governo de transição e combatentes tribais, assim como Israel, que realizou inúmeros bombardeios alegando agir em defesa dos membros dessa minoria, que também está presente em Israel.
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