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Cabul nega que as detenções tenham “fins concretos” e reafirma seu interesse em aproximar-se de Washington MADRID 27 jan. (EUROPA PRESS) -
As autoridades dos Estados Unidos pediram nesta terça-feira ao Talibã que ponha fim à “diplomacia dos reféns” e libere “imediatamente” todos os “cidadãos americanos detidos” no Afeganistão, uma condição que Washington considera fundamental para alcançar uma aproximação entre os dois países.
Um porta-voz do Departamento de Estado indicou em declarações à Europa Press que os Estados Unidos “já abordaram diretamente a questão da detenção de cidadãos americanos com o Talibã”, um diálogo no qual o país norte-americano “deixou claro que todos eles devem ser libertados antes de abrir as portas para relações construtivas com os Estados Unidos”. “Queremos pedir a todos os americanos que não viajem para o Afeganistão. Os talibãs têm detido americanos há anos e o governo não pode garantir sua segurança”, indicou o porta-voz, sem dar mais detalhes sobre as conversas mantidas sobre o assunto com as autoridades afegãs.
Isto acontece depois de os talibãs terem manifestado a sua disponibilidade para libertar dois “prisioneiros americanos” detidos no país em troca da libertação de um cidadão afegão que se encontra atualmente em Guantánamo.
“Queremos que esses dois detidos americanos sejam libertados e, ao mesmo tempo, que se esclareça o destino do nosso detido em Guantánamo”, afirmou o porta-voz do Talibã, Zabilulá Mujahid, em entrevista ao jornal americano The New York Times. “Nosso prisioneiro deve ser libertado”, afirmou, no que se trata da primeira exigência desse tipo por parte das autoridades afegãs. No entanto, o governo do presidente Donald Trump afirmou que essa troca deveria incluir um terceiro detento americano, Mahmood Habibi, que, segundo dados do FBI, foi preso no Afeganistão em 2022. Essas negociações, que vêm ocorrendo há meses, fazem parte das promessas do próprio Trump, que considera essa libertação um requisito fundamental para impulsionar qualquer tipo de aproximação com o Talibã. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Afeganistão, Amir Khan Muttaqi, enfatizou que nenhum prisioneiro americano está detido “para fins específicos”. “Apoiamos encontrar uma solução para este problema o mais rápido possível”, afirmou, também em declarações a este jornal. “Nunca prendemos ninguém para negociar com seu país. Queremos avanços em todas as áreas com os Estados Unidos”, afirmou, ao mesmo tempo em que fez referência à reabertura da Embaixada dos Estados Unidos em Cabul e ao fortalecimento da cooperação em matéria de segurança.
NOVO 'IMPASSE' Apesar de cinco americanos detidos terem sido libertados durante o último ano, as conversações voltaram a estagnar em relação aos restantes, segundo informaram fontes próximas das negociações ao referido jornal. Neste sentido, as autoridades afegãs insistem que a libertação do último prisioneiro afegão — Muhamad Rahim — deve fazer parte de um futuro acordo.
Enquanto os talibãs tentam obter o reconhecimento do governo americano, Washington continua acusando Cabul de fazer uso de uma prática baseada na “diplomacia de reféns”. No momento, tudo indica que as negociações estão em um impasse, já que o governo Trump exige a libertação dos três americanos. As novas autoridades afegãs, instauradas pelos talibãs 20 anos depois de terem sido expulsos do poder na invasão liderada pelos Estados Unidos após os ataques de 11 de setembro de 2001, ainda não conseguiram o reconhecimento de Washington nem da grande maioria da comunidade internacional, algo que até agora só a Rússia fez.
No entanto, o Talibã expressou em várias ocasiões seu interesse em normalizar as relações com Washington. Um dos primeiros sinais de aproximação ocorreu no ano passado, quando o ministro das Relações Exteriores do Afeganistão recebeu em Cabul o enviado especial do governo Trump para negociar a libertação de prisioneiros americanos no exterior, Adam Boehler.
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