Europa Press/Contacto/Iranian Presidency - Arquivo
MADRID, 14 abr. (EUROPA PRESS) -
O governo dos Estados Unidos exigiu do Irã a suspensão por 20 anos de suas atividades de enriquecimento de urânio com o objetivo de chegar a um acordo de paz, em um momento em que as partes estão empenhadas em manter uma segunda rodada de negociações após os contatos infrutíferos de sábado na capital do Paquistão, Islamabad.
"Os Estados Unidos sugeriram um mínimo de 20 anos (para a suspensão dessas atividades de enriquecimento de urânio), com todo tipo de restrições”, explicaram fontes a par da proposta em declarações concedidas à Europa Press, rejeitando assim a possibilidade de os Estados Unidos concordarem, em troca disso, com a retirada das sanções, uma exigência do Irã, que defende seu direito de realizar essas atividades em conformidade com o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
A proposta teria sido colocada em discussão nas recentes conversas em Islamabad, que terminaram sem um acordo para pôr fim à ofensiva desencadeada em 28 de fevereiro pelas forças americanas e israelenses contra o país asiático, embora haja esforços em andamento para um segundo encontro antes do fim, em 21 de abril, do cessar-fogo de duas semanas acordado há seis dias.
Nesse sentido, um porta-voz da Casa Branca confirmou em declarações à Europa Press que a possibilidade de “futuras conversas” com o Irã “está sendo discutida”, embora tenha ressaltado que “por enquanto não há nada na agenda”, sem que o Paquistão, país mediador nesses contatos, tenha se pronunciado até o momento sobre essa possibilidade.
Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou nesta mesma terça-feira que esta segunda rodada “poderia ocorrer em dois dias” e colocou em discussão a possibilidade de que seja o Paquistão a sediá-la, ao mesmo tempo em que aproveitou para elogiar, em declarações ao ‘The New York Post’, o trabalho do chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, figura-chave nos esforços de mediação do país da Ásia Central.
As delegações de ambos os países deixaram Islamabad no domingo, depois que as 21 horas de negociações do dia anterior terminaram sem acordo, embora também não tenham resultado em uma ruptura definitiva.
De fato, fontes oficiais iranianas indicaram, em declarações à emissora de televisão paquistanesa Geo TV, que existe a possibilidade de retomar as negociações, embora tenham expressado dúvidas sobre se Washington está disposta a dar esse passo.
Essas mesmas fontes especificaram que, caso haja um acordo para uma segunda rodada de negociações, o Paquistão continuaria sendo o local preferido para que ela ocorra — algo que coincide com a posição expressa por Trump —, após o papel desempenhado por Islamabad na transmissão de mensagens em pleno conflito e sua mediação para o subsequente cessar-fogo e as conversas que se seguiram.
O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, destacou no domingo o papel de Islamabad como mediador e pediu às partes que mantivessem seu acordo de cessar-fogo para dar espaço à diplomacia, depois que as negociações terminaram sem acordo devido a vários pontos em que Washington e Teerã mantêm posições muito distantes, especialmente o programa nuclear iraniano.
Assim, o vice-presidente dos Estados Unidos e chefe da delegação norte-americana, JD Vance, anunciou a conclusão sem acordo da rodada de negociações e ressaltou que Washington havia apresentado uma “oferta final” a Teerã, ao mesmo tempo em que insistiu na necessidade de um compromisso “firme” e “de longo prazo” por parte do Irã sobre seu programa nuclear para evitar que o país adquira armas de destruição em massa, algo que as autoridades iranianas sempre negaram ser seu objetivo.
As negociações entre as partes para avaliar uma possível segunda rodada de conversações ocorrem, além disso, em meio às contínuas tensões em torno do estreito de Ormuz, parcialmente bloqueado pelo Irã em resposta à referida ofensiva, lançada de surpresa no meio de um processo diplomático entre Teerã e Washington precisamente para alcançar um novo acordo nuclear, depois que Trump se retirou unilateralmente, em 2018, durante seu primeiro mandato, do pacto assinado três anos antes.
A normalização da navegação nessa via estratégica, outra exigência dos Estados Unidos, esbarrou em pedidos do Irã para que sua soberania na zona seja garantida, enquanto avalia uma proposta de cobrança de “pedágios” pela passagem, com o objetivo de arrecadar fundos para financiar a reconstrução no país, após os graves danos causados pelos ataques das forças de Israel e dos Estados Unidos.
No entanto, o próprio Trump anunciou, após o fim das conversas em Islamabad, um bloqueio ao estreito e ameaçou apreender os navios que passassem pela via após efetuarem pagamentos ao Irã, que ressaltou que Ormuz está aberto para países não hostis — excluindo, assim, os Estados Unidos e Israel —, desde que se coordenem com suas Forças Armadas para navegar na zona.
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