Publicado 12/04/2026 11:35

Os EUA e o Irã transformam o Estreito de Ormuz em uma zona fechada à navegação comercial internacional

Trump completa o cerco à região ao ordenar um perímetro de segurança e a interceptação de todos os navios que negociem com Teerã

10 de abril de 2026, local não revelado, Estados Unidos: Um bombardeiro B-52H Stratofortress da Força Aérea dos Estados Unidos é reabastecido em voo por um KC-135 Stratotanker durante uma missão noturna de bombardeio em apoio à Operação Epic Fury, em 26 d
Europa Press/Contacto/Usaf/U.S. Air

MADRID, 12 abr. (EUROPA PRESS) -

Com o anúncio feito neste domingo pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor um bloqueio perimetral sobre o estreito de Ormuz, que já estava sob controle do Irã desde o início da guerra com os Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, uma zona estratégica para o comércio mundial, especialmente o energético, por onde passava um quinto dos suprimentos mundiais de petróleo e gás natural liquefeito, ficou completamente fechada ao tráfego marítimo.

Trump reforçou sua aposta no estreito após saber do fracasso, neste sábado, das conversas de paz de alto nível entre os Estados Unidos e o Irã, realizadas na capital do Paquistão, Islamabad, com uma mensagem dura publicada nas redes sociais, na qual atribuiu a Teerã a responsabilidade por essa decisão e alertou, além disso, que a Marinha dos EUA interceptará qualquer navio comercial suspeito de ter pago o “pedágio” que o Irã exige desde que assumiu o controle da zona.

Essa interceptação, adiantou Trump, ocorrerá “em águas internacionais”; uma declaração que complica ainda mais a situação, pois seu país não é signatário de um dos principais tratados internacionais que regulamentam essa definição, a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, e que estabelece que todo Estado tem o direito de definir a largura de seu mar territorial até um limite que não exceda 12 milhas marítimas.

"UMA DANÇA JURÍDICA"

O Estreito de Ormuz tem uma largura máxima de 21 milhas náuticas. O Irã e Omã reivindicaram, cada um, suas respectivas 12 milhas de acordo com a convenção em 1959 e 1972, respectivamente. Teerã, até decidir assumir o controle do estreito, adotava uma abordagem seletiva quanto ao cumprimento da convenção.

Enquanto isso, os Estados Unidos se declaram há anos defensores ferrenhos da “liberdade de navegação” internacional e, quando aplicam a convenção, fazem-no como “direito internacional consuetudinário”, normas tão amplamente aceitas que são consideradas vinculativas mesmo sem um acordo formal, como explica a ONG Better World Campaign, com sede em Washington D.C., antes de lembrar a “enorme e complexa dança jurídica” que representa esta crise.

Vale ressaltar que a Organização Marítima Internacional (OMI), por meio de seu diretor, Arsenio Domínguez, expressou a rejeição do órgão das Nações Unidas responsável pela segurança e proteção do transporte marítimo a qualquer mecanismo que implique a imposição de pedágios ao tráfego de navios pelo estreito de Ormuz, uma vez que “criaria um precedente perigoso”. A União Europeia declarou-se da mesma opinião.

Seja como for, desde que o Irã declarou sua intenção de impor um “pedágio” aos navios internacionais (uma decisão que exclui, de qualquer forma, aqueles ligados aos EUA e a Israel), a Guarda Revolucionária Iraniana havia recomendado “rotas alternativas de passagem” que, com a decisão de Trump, ficam paralisadas. Os contratorpedeiros e patrulheiros dos EUA estão preparados para interceptar navios a oeste do estreito, a partir do Bahrein ou do Catar no Golfo Pérsico, ou a leste, entre o Golfo de Omã e o Mar Arábico.

Como o Irã não permitirá a passagem de navios que não paguem (salvo exceções para embarcações com carga humanitária) e os EUA avisaram que interceptarão aqueles que o fizerem, a passagem ficou efetivamente fechada até o momento, aguardando-se a reação dos mercados internacionais nas próximas horas e se Trump decidirá executar uma prometida “operação de remoção de minas” para limpar as águas de Ormuz de artefatos explosivos iranianos, como afirma.

Toda essa crise ocorre em uma zona crucial pela qual, somente em 2025, chegaram a transitar diariamente 20 milhões de barris de petróleo (do Irã, Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita ou Emirados Árabes Unidos) e produtos derivados, segundo estimativas da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA); um volume de comércio energético de 500 bilhões de euros por ano.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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