Europa Press/Contacto/Michael Brochstein
MADRID 30 maio (EUROPA PRESS) -
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, defendeu nesta sexta-feira uma reorientação da estratégia de segurança norte-americana baseada no reforço da capacidade militar própria, um maior envolvimento dos aliados em sua defesa e a manutenção de um equilíbrio de poder na região do Indo-Pacífico que impeça a consolidação da influência chinesa.
Durante uma intervenção centrada nas prioridades da política de defesa do governo de Donald Trump, Hegseth observou que Washington retomou uma política de segurança mais ativa e voltada para a dissuasão, após o que descreveu como um período de relativo enfraquecimento da capacidade de resposta dos Estados Unidos.
De acordo com o chefe do Pentágono, o atual governo dos Estados Unidos encerrou a fase em que a Casa Branca assumia em maior medida a proteção militar de países com amplos recursos econômicos e deixou claro que espera uma maior contribuição de seus parceiros internacionais.
“A era em que os Estados Unidos subsidiam a defesa de nações ricas chegou ao fim”, afirmou, antes de acrescentar que os Estados Unidos precisam de “parceiros, não de protetorados”. “Buscamos alianças baseadas na responsabilidade compartilhada, não na dependência compartilhada”, acrescentou.
O INDO-PACÍFICO, PRIORIDADE ESTRATÉGICA
Hegseth também posicionou a região do Pacífico como um dos principais eixos da estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos, ao considerar que ela concentra interesses fundamentais para a prosperidade econômica e a estabilidade internacionais.
Nesse sentido, o ministro da Defesa explicou que o planejamento militar de Washington visa garantir condições de equilíbrio que impeçam que qualquer potência regional possa impor seu domínio sobre o conjunto da região.
“O que buscamos — e o que o presidente tem articulado de forma consistente — é um equilíbrio genuinamente estável que funcione tanto para os americanos quanto para nossos aliados”, esclareceu.
Da mesma forma, ele ressaltou que o objetivo é preservar “um equilíbrio de poder favorável, mas duradouro, no qual nenhum Estado — incluindo a China — possa impor sua hegemonia e colocar em risco a segurança ou a prosperidade de nossa nação e de nossos aliados”.
FIRMEZA MILITAR E DIÁLOGO COM PEQUIM
Apesar de insistir na necessidade de adotar e manter uma posição de força, Hegseth defendeu a continuidade dos canais de comunicação com as autoridades chinesas para evitar incidentes ou erros de cálculo entre as duas potências.
Hegseth assegurou que as relações bilaterais estão passando por um dos seus melhores momentos dos últimos anos e afirmou que a Casa Branca busca uma combinação de estabilidade, relações comerciais equilibradas e respeito mútuo.
“Firme, discreta, mas clara: essa é a receita certa para a estabilidade”, insistiu.
O secretário de Defesa indicou ainda que o governo dos Estados Unidos está intensificando os contatos entre os comandantes militares de ambos os países para reforçar os mecanismos de coordenação e gestão de crises.
“Ao mantermos linhas de comunicação abertas entre militares, podemos coordenar, evitar conflitos e reduzir o risco de erros de cálculo”, afirmou.
Em sua opinião, esse tipo de contato não representa uma concessão política, mas uma ferramenta destinada a preservar a estabilidade estratégica entre Washington e Pequim.
MAIS CAPACIDADES MILITARES E MENOS DECLARAÇÕES
Em outro momento de sua intervenção, Hegseth também defendeu uma política externa menos centrada em declarações diplomáticas e mais orientada para o fortalecimento efetivo das capacidades de defesa.
“A era da indignação performática chegou ao fim”, afirmou, ao mesmo tempo em que defendeu que os Estados Unidos respaldem suas posições no Pacífico com uma presença militar credível.
O secretário de Defesa também destacou que a estratégia americana na região se articula em torno da chamada “dissuasão por negação” ao longo da Primeira Cadeia de Ilhas e vinculou essa política a uma recuperação dos princípios tradicionais de proteção do hemisfério ocidental.
“Estamos restabelecendo a Doutrina Monroe (...) defendendo agressivamente nossa pátria e nosso hemisfério”, continuou.
AVISO AOS ALIADOS
Nesse sentido, Hegseth também enfatizou que a estabilidade regional não pode depender exclusivamente do destacamento militar dos EUA e exigiu dos países parceiros maiores investimentos em defesa, capacidades industriais próprias e vontade política para responder a possíveis ameaças.
“As alianças não são julgadas pelo número de bandeiras, mas pelo número de formações”, afirmou. “Não precisamos de mais conferências. Precisamos de mais poder de combate... Menos Shangri-La, mais navios, mais submarinos”, prosseguiu.
Nesse contexto, ele adiantou que Washington dará prioridade aos aliados que aumentarem sua contribuição para a segurança coletiva por meio de uma cooperação mais estreita em áreas como a venda de armamento, a produção industrial de defesa ou o intercâmbio de inteligência.
Por outro lado, ele alertou que os parceiros que continuarem a depender excessivamente da proteção dos Estados Unidos poderão enfrentar mudanças significativas em sua relação bilateral com Washington.
“Esses dias acabaram. Os aliados que se recusarem a dar um passo à frente e arcar com seu próprio peso para nossa defesa coletiva enfrentarão uma mudança fundamental na forma como fazemos negócios”, previu.
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