Publicado 20/07/2026 11:35

Os EUA denunciam sete décadas de espionagem cubana, tendo o recrutamento em universidades como principal prioridade

"A inteligência cubana tem adotado um modelo alternativo de recrutamento baseado no aproveitamento da lealdade ideológica", afirma

Archivo - Arquivo - 25 de abril de 2026, Havana, Cidade de Ho Chi Minh, CUBA: Cartaz de show com Maykel Blanco em Havana.
Europa Press/Contacto/Magdalena Chodownik

MADRID, 20 jul. (EUROPA PRESS) -

O governo Trump divulgou nesta segunda-feira um extenso relatório no qual denuncia uma campanha de espionagem perpetrada por Cuba em solo americano durante quase “sete décadas”, que utilizou suas missões diplomáticas como bases operacionais e recrutou jovens com ideologia afim em universidades americanas que, com o tempo, alcançaram os mais altos cargos do governo, causando um dano “incalculável” à segurança nacional dos Estados Unidos.

O relatório publicado pelo Departamento de Estado, intitulado “Cuba, a capital do comunismo do século XXI”, aponta que as universidades são os “principais alvos das atividades subversivas de Cuba, uma vez que constituem um terreno fértil para recrutar jovens com afinidade ideológica que, com o tempo, ascenderão a cargos de influência, poder e acesso privilegiado”.

“Tanto as análises de inteligência dos EUA quanto os depoimentos de desertores da Direção de Inteligência confirmaram que a inteligência cubana considera a infiltração nas universidades americanas uma prioridade absoluta”, afirma o documento, acrescentando que o alvo são “estudantes de esquerda politicamente engajados que estudam nas universidades de elite dos Estados Unidos”.

O documento ressalta, assim, que as operações de inteligência apresentam várias características, entre elas o recrutamento de “ideólogos convictos”. “A maioria nunca recebe quantias significativas de dinheiro, além de reembolsos ocasionais por despesas operacionais. Dadas as constantes limitações de recursos de uma economia pequena e submetida a um embargo, a Inteligência cubana adotou um modelo alternativo de recrutamento baseado no aproveitamento da lealdade ideológica”, indica.

Depois que os candidatos passam por “um processo de formação que pode se prolongar por anos” — grande parte deles proveniente desses ambientes universitários —, começam a assumir cargos de responsabilidade e a ter acesso a “informações confidenciais” do governo dos Estados Unidos.

“As informações que (essas pessoas) transmitiram aos cubanos, que posteriormente eram compartilhadas regularmente com aliados e colaboradores de Cuba em todo o mundo, causaram um dano incalculável aos interesses dos Estados Unidos. Além disso, é provável que tais informações tenham sido a causa direta da morte de vários soldados, agentes e cidadãos americanos”, acrescenta o relatório.

Entre os exemplos citados pelo relatório está a espiã porto-riquenha da Agência de Inteligência de Defesa (DIA) dos Estados Unidos, Ana Belén Montes, condenada por espionagem ao revelar à Cuba de Fidel Castro planos militares secretos dos Estados Unidos. O vazamento de informações pela conhecida como a “Rainha de Cuba” chegou a provocar a morte de um oficial das Forças Especiais dos Estados Unidos em El Salvador.

Além disso, menciona o ex-embaixador norte-americano Víctor Manuel Rocha — condenado por espionagem por ser um agente secreto de Havana — ou os casos de Walter Myers e sua esposa Gwendolyn Myers, igualmente condenados pelos mesmos motivos.

O relatório também faz alusão à chamada Rede Avispa, uma rede de espionagem cubana operada por agentes secretos no sul da Flórida, cujo objetivo era “coletar informações de inteligência sobre instalações militares e inserir-se nas redes da diáspora cubana, onde os agentes tinham a tarefa de se infiltrar, vigiar e desestabilizar organizações do exílio cubano que Havana considerava os inimigos mais perigosos do regime de Castro”.

MISSÕES DIPLOMÁTICAS COMO BASES OPERACIONAIS

O relatório também aponta que “funcionários da contra-inteligência norte-americana” declararam que “todos e cada um dos diplomatas credenciados na missão de Cuba junto à ONU são agentes de inteligência”, chegando um deles a brincar que muitos de seus membros “nem sabem onde fica a ONU”.

“Nos Estados Unidos, sabe-se há muito tempo que tanto a Seção de Interesses de Cuba em Washington, D.C., quanto a ampla missão cubana junto à ONU em Nova York servem de base para operações secretas da inteligência cubana”, aponta o extenso relatório de 100 páginas.

“Em 2003, o governo dos Estados Unidos expulsou 14 diplomatas cubanos das sedes de Washington e Nova York por participarem ‘de atividades consideradas prejudiciais aos Estados Unidos fora do âmbito de suas funções oficiais’, um eufemismo diplomático para se referir à espionagem”, aponta.

O documento descreve, assim, que Cuba tem conduzido uma campanha subversiva em solo norte-americano “há quase sete décadas” o que lhe permitiu “infiltrar-se nas mais altas esferas do governo, recrutar e formar gerações de ativistas norte-americanos, apoiar uma onda sem precedentes de terrorismo de esquerda e perpetrar uma das infiltrações de inteligência estrangeira mais duradouras e prejudiciais da história dos Estados Unidos”.

O documento também detalha que a Direção de Inteligência cubana (DI) “não é uma agência de espionagem convencional”, mas está “ligada a cada nó da rede global de Cuba”. “Dada a ênfase histórica de Havana na espionagem, os agentes e colaboradores da DI mantêm uma presença onipresente nas instituições cubanas, independentemente de estas estarem formalmente associadas à agência”, destaca.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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