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MADRID, 26 mar. (EUROPA PRESS) -
Os Estados Unidos confirmaram nesta quinta-feira que apresentaram uma proposta de 15 pontos ao Irã para chegar a um acordo que ponha fim à guerra, insistindo que essa iniciativa levou a conversas “positivas”, indicando que vê possibilidade de alcançá-lo e alertando Teerã para que não cometa erros de cálculo.
"Juntamente com a nossa equipe de política externa, apresentamos uma lista de 15 pontos de ação que constitui a estrutura para um acordo de paz. Isso foi transmitido por meio do governo do Paquistão, que atua como mediador, e gerou mensagens e conversas firmes e positivas”, afirmou o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, no âmbito de uma reunião na Casa Branca liderada pelo presidente americano, Donald Trump.
Em uma declaração pública, o negociador-chefe dos Estados Unidos indicou que é preciso esperar para ver “aonde as coisas vão levar” nos contatos com o Irã e se os Estados Unidos “conseguirão convencer o Irã de que este é um ponto de inflexão”, ressaltando que Teerã não tem “boas alternativas, além de mais morte e destruição”.
“Temos indícios de que isso é possível e, se for alcançado um acordo, será excelente para o Irã, para toda a região e para o mundo em geral”, assegurou, após indicar que aquele país está “buscando uma saída” para o conflito.
A confirmação da iniciativa diplomática ocorre depois que o governo do Paquistão falou abertamente nesta quinta-feira sobre as “conversas indiretas” entre os Estados Unidos e o Irã, com a mediação de Islamabad. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, havia detalhado que “nesse contexto, os Estados Unidos compartilharam 15 pontos que o Irã está analisando”.
Algumas horas depois, as autoridades do Irã entregaram oficialmente uma resposta à proposta americana, segundo fontes citadas pela agência de notícias iraniana Tasnim. Neste documento, Teerã exige “condições de não repetição” e que o fim do conflito afete “todas as frentes”, o que incluiria o Líbano e o Iraque.
TRUMP LEVANTA DÚVIDAS SOBRE A ACEITAÇÃO DE UM ACORDO PELOS EUA
Anteriormente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a mostrar-se ambivalente em relação aos esforços diplomáticos com o Irã, indicando que a República Islâmica “implora” por um acordo para pôr fim à guerra, embora tenha deixado em aberto a possibilidade de as conversas fracassarem por parte americana, após colocar em dúvida que Washington vá aceitar um pacto.
“Eles estão implorando por um acordo, não eu. São eles que estão implorando por um acordo, e qualquer um que tenha visto o que estava acontecendo lá entenderia por que querem fazer um acordo”, afirmou.
No entanto, Trump sugeriu que talvez agora os Estados Unidos o rejeitem. “Não sei se poderemos fazer isso. Não sei se estamos dispostos a fazer isso. Eles deveriam ter feito isso há quatro semanas ou há dois anos”, expôs, em referência aos processos de negociação anteriores que os Estados Unidos interromperam com ataques contra o Irã, após considerarem que Teerã não estava disposta a concretizar um acordo.
O líder norte-americano insistiu no bom andamento da guerra no Irã, após ressaltar que o Exército está à frente de seu “roteiro” no conflito, que foi previsto para durar quatro ou cinco semanas de guerra. “Estimamos que levaríamos aproximadamente de quatro a seis semanas para cumprir nossa missão. Após 26 dias, estamos bem à frente do cronograma”, destacou.
Da mesma forma, Trump aprofundou que o regime iraniano admite “internamente” sua derrota na ofensiva lançada de surpresa pelos Estados Unidos e Israel. “Eles estão dizendo ao povo: ‘isso é um desastre’. Eles sabem disso, por isso estão conversando conosco. Não falariam de outra forma”, refletiu.
Nesse sentido, ele indicou que os Estados Unidos querem chegar ao “acordo adequado” com o Irã. “Se fizerem o acordo certo, então o Estreito de Ormuz será aberto”, resumiu.
Ao mesmo tempo, Trump mencionou que o Irã precisa abandonar suas ambições nucleares no âmbito de um eventual pacto. “Agora eles têm a oportunidade que lhes é oferecida de abandonar definitivamente suas ambições nucleares e traçar um novo caminho para o futuro; vamos ver se eles querem fazer isso”, destacou, após alertar que, se não derem esse passo, os Estados Unidos “serão seu pior pesadelo”.
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