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Washington insiste que seus principais objetivos são “garantir a liberdade de navegação” no Mar Vermelho e “evitar a exportação do terrorismo”
MADRID, 17 set. (EUROPA PRESS) -
O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quinta-feira que mantém uma “comunicação constante” com seus parceiros no Oriente Médio diante da ofensiva lançada em 3 de setembro pelos houthis no Iêmen, antes de reiterar que seus principais objetivos na região consistem em “garantir a liberdade de navegação” no Mar Vermelho e “impedir a exportação do terrorismo”.
“Mantemos uma comunicação constante com nossos aliados e parceiros regionais em relação ao Iêmen e estamos focados em nossos objetivos comuns de combate ao terrorismo contra os houthis e outros grupos terroristas que semeiam o caos em toda a região”, afirmou um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos em declarações concedidas à Europa Press.
Assim, após se recusar a comentar sobre um suposto encontro com representantes dos rebeldes iemenitas em Omã para discutir a nova situação no terreno após os avanços dos houthis nas proximidades do estreito de Bab el Mandeb, ele insistiu que a liberdade de navegação na zona continua sendo um objetivo prioritário para Washington.
“Entre os interesses fundamentais dos Estados Unidos no Oriente Médio estão garantir a liberdade de navegação no Mar Vermelho e na região, bem como impedir a exportação do terrorismo”, afirmou esse porta-voz, que destacou que o governo de Donald Trump “demonstrou claramente seu compromisso de defender esses interesses diante da agressão do Irã e de seus grupos afins”.
As declarações do porta-voz foram feitas dias depois de o próprio Trump revelar que os houthis pediram aos Estados Unidos que não interviessem diante da ofensiva na zona de Bab el Mandeb. “Os houthis nos ligaram. Eles não querem lutar contra nós. Eles nos deixaram claro que não querem que a gente vá atrás deles. Estão deixando os navios passarem”, afirmou.
Nesse sentido, fontes citadas pelo portal de notícias Axios indicaram na terça-feira que diplomatas americanos se reuniram no fim de semana com representantes huti na Embaixada dos Estados Unidos em Omã para discutir a situação, encontro no qual os houthis transmitiram a Washington que desejam que o cessar-fogo alcançado em maio de 2025 permaneça em vigor e garantiram que não atacarão navios que não pertençam à Arábia Saudita na região.
As autoridades americanas decidiram, por enquanto, não se envolver diretamente no conflito em apoio a Riade, um de seus principais aliados na região e que apoia as autoridades iemenitas reconhecidas internacionalmente, as quais sofreram importantes reveses territoriais diante do avanço dos houthis, que tomaram toda a costa do Mar Vermelho, incluindo a estratégica cidade de Mocha.
Esses avanços aumentam a capacidade dos rebeldes de afetar o tráfego marítimo em Bab el Mandeb — algo que eles já prometeram não fazer —, cuja importância aumentou devido aos impactos no tráfego no Estreito de Ormuz após a ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.
A situação ameaça provocar o colapso total do cessar-fogo alcançado em 2022, após anos de guerra e em meio às tentativas mediadas pela Organização das Nações Unidas para alcançar um acordo de paz que ponha fim ao conflito iniciado em 2014, o qual mergulhou o país em uma das crises internacionais mais graves do mundo.
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