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MADRID, 2 jun. (EUROPA PRESS) -
O governo dos Estados Unidos condenou a morte sob custódia na Nicarágua do líder indígena Brooklyn Rivera e responsabilizou a “ditadura” do país centro-americano por seu falecimento após “três anos de tratamento desumano, detenção injusta e desaparecimento forçado”.
“A ditadura de Ortega-Murillo na Nicarágua é responsável pela morte de Brooklyn Rivera, líder do partido político indígena Yatama”, afirmou o vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, referindo-se aos copresidentes do país, Daniel Ortega e sua esposa, Rosario Murillo.
“Rivera faleceu neste fim de semana enquanto prisioneiro do regime, após três anos de tratamento desumano, detenção injusta e desaparecimento forçado”, assinalou em uma mensagem nas redes sociais, na qual destacou que “os Estados Unidos se solidarizam com aqueles que, como Brooklyn, lutam por uma Nicarágua livre”.
Por sua vez, a diretora para as Américas da organização não governamental Anistia Internacional, Ana Piquer, criticou as autoridades da Nicarágua após a morte de Rivera e destacou que o líder indígena “não deveria ter morrido sob custódia do Estado nicaraguense”.
“Sua morte ocorreu após o agravamento de seu estado de saúde enquanto se encontrava em detenção arbitrária. Durante esse período, as autoridades mantiveram-no sem paradeiro confirmado, sem acesso à sua família nem a uma defesa de confiança e sem supervisão independente que verificasse sua situação", denunciou.
Assim, ela lembrou que a ONG "alertou repetidamente que essas circunstâncias colocavam em risco sua integridade pessoal e sua vida". “Hoje, esses alertas se concretizaram em uma morte que o Estado deve explicar”, destacou Piquer, que insistiu que “esse grave fato não pode ficar no silêncio nem na impunidade”.
“De acordo com os padrões internacionais de Direitos Humanos, todas as mortes sob custódia do Estado devem ser investigadas, pois podem constituir mortes ilícitas e, portanto, uma violação do direito à vida”, lembrou, ao mesmo tempo em que pediu à comunidade internacional que “exija que o Estado nicaraguense preste contas e realize uma investigação com prontidão, de forma eficaz, exaustiva, independente, imparcial e transparente”.
“Hoje, mais do que nunca, também devem intensificar suas ações em favor das pessoas que continuam presas por motivos políticos em condições semelhantes às que Rivera enfrentou. Suas vidas correm enorme perigo”, alertou, de acordo com um comunicado publicado pela organização.
Nessa linha, argumentou que as autoridades devem permitir à família de Rivera “acesso imediato e irrestrito a todas as informações relacionadas à sua detenção, às condições em que permaneceu privado de liberdade e às circunstâncias de sua morte”, bem como garantir a “entrega digna” de seus restos mortais para que possa ser enterrado “conforme seus desejos”.
"Qualquer atraso, ocultação de informações ou represália contra sua família agravaria a responsabilidade do Estado por este fato. A família de Brooklyn Rivera tem direito à verdade", concluiu Piquer.
A morte de Rivera foi confirmada no domingo pelas autoridades da Nicarágua, que informaram que ele faleceu em um hospital da capital, Manágua, para onde foi transferido devido à grave deterioração de seu estado de saúde nos últimos dias. Além disso, atribuíram o falecimento a “uma bactéria” gerada pelo coronavírus, ao mesmo tempo em que transmitiram suas condolências à família.
Rivera foi preso pelo governo nicaraguense em 29 de setembro de 2023. O governo de Ortega divulgou recentemente algumas fotografias nas quais o ex-deputado aparece deitado em uma cama de hospital, conectado a ventilação mecânica e alimentação intravenosa, e revelou que ele está internado desde o último dia 7 de março.
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