Publicado 14/04/2026 02:26

Os EUA atribuem ao Irã a responsabilidade de fazer avançar as negociações de paz

Insiste em obter o material nuclear iraniano e ameaça com uma mudança "radical" nas negociações caso Teerã não reabra totalmente o Estreito de Ormuz

1º de abril de 2026, Washington, Distrito de Columbia, EUA: O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, profere um discurso durante a cerimônia de posse de Colin McDonald como procurador-geral adjunto para o Combate à Fraude Nacional, no Edifício Exec
Europa Press/Contacto/Will Oliver - Pool via CNP

MADRID, 14 abr. (EUROPA PRESS) -

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou nesta segunda-feira que a responsabilidade de dar o próximo passo nas negociações de paz com o Irã recai sobre Teerã, alegando que a delegação americana abandonou as Conversações de Islamabad sem acordo porque sua contraparte iraniana “teve que voltar” para “obter a aprovação” dos termos americanos.

“A bola está no campo do Irã”, declarou Vance em entrevista à rede Fox News, na qual garantiu que a delegação americana partiu da capital paquistanesa sem chegar a um acordo porque os enviados iranianos “não conseguiram chegar a um acordo e tiveram que voltar a Teerã, seja com o líder supremo (Mojtaba Jamenei) ou com outra pessoa para obter aprovação" sobre os termos propostos pelos Estados Unidos.

Além disso, o "número dois" do governo americano garantiu que a missão norte-americana deixou "clara" sua disposição de ser receptiva, mas também sua exigência de que "o material nuclear saia do país". “Gostaríamos de tomar posse dele”, esclareceu antes de afirmar que “esse material está enterrado” graças à ofensiva israelo-americana.

“Se pensarmos a longo prazo, o presidente (Donald Trump) não quer que o próximo presidente, nem o seguinte, se preocupem com esse programa; por isso, queremos retirar esse material do país por completo para que os Estados Unidos tenham o controle. Essa é a prioridade número um”, afirmou, antes de destacar “alguns avanços” no segundo objetivo: “garantir que (o Irã) não tenha a capacidade de obter urânio enriquecido, que foi como eles chegaram tão perto de desenvolver armas nucleares anteriormente”.

Por outro lado, o vice-presidente norte-americano também exigiu a reabertura “total” do estreito de Ormuz, aspecto em que acusou a delegação iraniana de “tentar mudar as regras do jogo durante a negociação”, apesar de Teerã ter insistido que quem mudou suas exigências foi a equipe norte-americana.

“Deixamos bem claro que isso é inaceitável. Chegamos às negociações dizendo que os Estados Unidos haviam oferecido um cessar-fogo. Paramos de bombardear o país. O que esperamos que os iranianos cedam é a reabertura do Estreito de Ormuz”, afirmou Vance.

Nesse sentido, ele ameaçou que as negociações com o país asiático “mudarão radicalmente” se as autoridades iranianas não facilitarem uma reabertura local, apesar de agora serem as forças americanas que mantêm um bloqueio perimetral sobre a passagem estratégica que, de fato, o vice-presidente elogiou como “uma pressão econômica adicional” à alegada “vantagem militar”.

As palavras de JD Vance contrastam com as do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, que, ao término das negociações em Islamabad, afirmou que sua delegação “participou de boa-fé” para pôr fim à guerra.

“Mas quando estávamos a um passo do ‘Memorando de Entendimento de Islamabad’, nos deparamos com maximalismo, mudanças nas regras e bloqueio”, escreveu ele na plataforma social X, referindo-se aos Estados Unidos. “Nenhuma lição aprendida”, lamentou, alertando que “a inimizade gera inimizade”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado