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MADRID 29 maio (EUROPA PRESS) -
O democrata de mais alto escalão da Comissão de Supervisão da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Robert Garcia, denunciou que a ex-procuradora-geral Pam Bondi se recusou a responder a perguntas sobre o presidente Donald Trump em seu depoimento sobre o tratamento dado aos documentos do caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein.
“Perguntei à ex-procuradora-geral cinco vezes, formulando cinco perguntas diferentes, sobre suas conversas com o presidente Trump: se ele a havia aconselhado em algum momento a respeito dos arquivos de Epstein, sobre o que ele sabia, o que ele pediu que ela censurasse ou não, e ela se recusou a responder a qualquer pergunta sobre o presidente Trump”, explicou.
Nesse sentido, Garcia afirmou que Bondi disse que não responderia a nenhuma pergunta relacionada a Trump. “Todos os erros que vimos, as censuras, a falta de proteção às sobreviventes, ela continuou culpando o procurador-geral interino Todd Blanche, que, aliás, foi o ex-advogado pessoal de Donald Trump”, afirmou.
Da mesma forma, os democratas também questionaram Bondi sobre a transferência de Ghislaine Maxwell de uma prisão na Flórida para uma prisão de segurança mínima no estado do Texas. “Bondi afirma não ter conhecimento da transferência em si, nem de que se tratava de uma prisão menos segura, e que só tomou conhecimento depois dos fatos, e depois se recusou a responder a perguntas adicionais”, disse ele.
O democrata questionou também o fato de que apenas a transcrição de seu depoimento será publicada, e não um vídeo, como ocorreu com o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton (1993-2001) e sua esposa e ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que também prestaram depoimento perante a comissão há alguns meses.
“Fica claro que ela continua insistindo que toda a investigação e a culpa recaiam sobre o procurador-geral interino”, indicou.
Bondi foi forçada a renunciar por Trump após uma audiência polêmica em meados de fevereiro na comissão judiciária da Câmara, na qual pediu perdão às vítimas, mas apenas pelo sofrimento que Epstein lhes causou e não pelo vazamento de dados pessoais nos milhares de documentos publicados pelo Departamento de Justiça relativos ao caso.
Na referida audiência, a ex-procuradora-geral tentou desligar o magnata republicano do escândalo de Epstein na sequência da publicação de vários arquivos do FBI — com depoimentos não verificados — que apontavam para supostas violações cometidas por Trump, entre elas uma acusação de abuso sexual por parte de uma menor de 13 anos.
Os democratas aproveitaram para criticar Bondi pela divulgação de e-mails, endereços e fotografias de nudez das vítimas, exigindo responsabilização de Bondi e chegando a acusá-la de mentir “sob juramento” perante o Congresso.
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