Publicado 18/06/2026 05:01

Os aliados europeus aceitam o reajuste militar dos EUA, mas pedem tempo para evitar “lacunas” nas capacidades

Informam que ainda não foi decidido como será compensada a reestruturação e consideram “válido” o compromisso dos EUA com a OTAN

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, faz declarações à imprensa antes de participar da reunião de ministros da Defesa que ocorre nesta quinta-feira em Bruxelas
ERIK LUNTANG

BRUXELAS, 18 jun. (EUROPA PRESS) -

Os ministros da Defesa dos aliados europeus da OTAN concordaram nesta quinta-feira em classificar como “compreensível” e “previsível” o reajuste das capacidades militares dos Estados Unidos no continente para se concentrarem na região do Indo-Pacífico, embora tenham solicitado a Washington “tempo” e uma retirada “sincronizada” para evitar “lacunas perigosas” nas capacidades.

Durante a reunião dos 32 ministros que ocorre nesta quinta-feira na sede da OTAN, os países europeus da Aliança concordaram com a necessidade de a Europa assumir maior responsabilidade por sua própria dissuasão convencional, mas alertaram para o desafio logístico que representa a substituição de plataformas militares estratégicas no curto prazo.

Nesse sentido, o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, que afirmou ser “perfeitamente compreensível” que a Europa assuma o controle de sua própria defesa e que também era “previsível” que Washington “reduzisse sua presença na Europa para poder se comprometer mais na região do Indo-Pacífico”, “independentemente de qual governo estivesse no poder”.

“A questão decisiva agora é o roteiro e a sincronização de cada uma das etapas”, indicou ele, lamentando que, embora se soubesse “há anos” que os Estados Unidos reajustariam suas capacidades no Velho Continente, “ainda não tenha sido tomada uma decisão” sobre quem assumirá essas funções.

Nesse sentido, ele pediu à Casa Branca “um pouco mais de tempo” e que o processo seja conduzido “de forma sincronizada”, com o objetivo de evitar que “surjam lacunas perigosas nas capacidades convencionais na Europa” caso as capacidades sejam retiradas muito rapidamente “sem que se saiba ao certo quando poderão ser substituídas”.

“Muitas capacidades podemos compensar ou mitigar rapidamente; outras, não. Se falamos de capacidades de ataque de precisão de longo alcance ou outras semelhantes, precisamos de medidas transitórias ou de mais tempo antes que elas sejam retiradas”, acrescentou Pistorius.

Por sua vez, a ministra da Defesa francesa, Catherine Vautrin, afirmou que seu país está muito “comprometido” em assumir “uma parte dessa transferência de responsabilidades”, pois Paris “sempre apostou na soberania, na autonomia e na responsabilidade”.

“Evidentemente, essa responsabilidade também deve se refletir em termos de capacidades”, explicou ela, citando como exemplo que a França já participa da “OTAN 3.0”, além de um maior gasto com defesa, com missões de dissuasão e vigilância em território de outros países aliados, como a Romênia, ou na região do Báltico.

“OS ESTADOS UNIDOS NÃO SE RETIRARAM DA OTAN”

“Entendemos isso perfeitamente”, afirmou, por sua vez, o ministro da Defesa da Estônia, Hanno Pevkur, que considera “razoável” o reajuste de Washington porque “a Europa precisa ser mais forte”. Assim, ele se mostrou à espera de que o Comandante Supremo Aliado na Europa (SACEUR, na sigla em inglês), o general Alexus G. Grynkewich, forneça detalhes sobre como exatamente ficará a reatribuição.

“Haverá mudanças na mobilização das forças, haverá mudanças na quantidade de pessoal e recursos que estarão aqui e na quantidade que estará em outras regiões do mundo. Mas isso não significa que os Estados Unidos tenham se retirado da OTAN ou que vão alterar seus compromissos com a Aliança. Não, esses compromissos continuam em vigor”, defendeu.

Por sua vez, o recém-nomeado ministro da Defesa britânico, Dan Jarvis — no cargo após a renúncia, na semana passada, de seu antecessor devido a disputas sobre os gastos militares —, limitou-se a exortar os aliados europeus a “trabalharem em estreita colaboração” para garantir “sua própria defesa coletiva”, argumentando que isso é “importante” tanto para a Europa quanto para o Reino Unido.

Mais concreto foi o ministro da Defesa da Bélgica, Theo Francken, que garantiu que seu país contribuirá para substituir as plataformas americanas fornecendo caças F-16 e MQ-9B Sky Guardian, bem como capacidades de vigilância, reconhecimento e inteligência, entre outras.

“Os Estados Unidos estão retirando boa parte dessas capacidades. Por isso, também reforçaremos nossas contribuições na área naval e em outras capacidades militares. A Bélgica assumirá sua parcela de responsabilidade. A Bélgica está de volta”, acrescentou, destacando que seu país aumentou seus gastos com defesa em 60% em um ano.

RESPOSTA AO REAJUSTE DOS EUA

As declarações dos ministros da Defesa europeus ocorrem depois que, no mês passado, os Estados Unidos informaram aos aliados que irão realocar para outras regiões do mundo, como o Indo-Pacífico, uma parte significativa dos meios militares que mantém mobilizados na Europa e no Canadá, reduzindo assim sua participação no “Modelo de Forças da OTAN”, o marco que determina os efetivos e recursos que estariam disponíveis em caso de ataque ou conflito.

Diante dessa situação, os aliados europeus já estão trabalhando para substituir as forças dos Estados Unidos, um processo no qual participarão a Espanha, a Alemanha, os Países Baixos e “muitos outros países”, conforme confirmaram diversas fontes à Europa Press, que ressaltam que o reajuste não deve ser confundido com a retirada de 5.000 soldados americanos da Alemanha anunciada por Trump como punição às declarações críticas de Friedrich Merz sobre a guerra no Irã.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, justificou os planos norte-americanos de remanejamento de suas tropas afirmando que isso é “um sinal de sucesso” sobre a forma como a organização está evoluindo e opinando que, longe de ser “um problema”, é positivo que os aliados europeus “compartilhem de forma mais equitativa a responsabilidade” pela segurança da Europa.

Ele também minimizou a preocupação gerada pelo reajuste das capacidades militares dos Estados Unidos na Europa, confirmando que, por se tratar de uma “ferramenta de planejamento”, os aliados aumentariam imediatamente seus recursos caso eclodisse uma guerra.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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