Julien Mattia/Le Pictorium Agenc / DPA - Arquivo
Uma de suas filhas diz que o caso "prejudicou" a saúde da primeira-dama francesa
MADRID, 28 out. (EUROPA PRESS) -
Os réus acusados de assediar a primeira-dama francesa, Brigitte Marcon, defenderam nesta terça-feira suas ações no tribunal e alegaram liberdade de expressão, em um caso que descreveram como um simples ato de "humor" e "sátira".
Ao chegarem ao tribunal, a maioria dos dez réus foi recebida por uma multidão que se referiu a eles como heróis. Aurélien Poirson Atlan, conhecido nas mídias sociais como "Zoe Sagan", estava entre as figuras mais proeminentes. A ele se juntou o galerista Bertrand Scholler, que tem mais de 100.000 seguidores no X e defende teorias da conspiração.
Assim, eles defenderam que "não cometeram cyberbullying", mas que estavam aderindo à "liberdade de expressão". Eles também excluíram que seu objetivo era atacar diretamente Brigitte Macron e garantiram que ela "nem sequer tem uma conta no X". "Nossos tweets são apenas uma forma de humor, com um espírito satírico", disse ele, de acordo com o Le Figaro.
Nesse sentido, ele aludiu ao "espírito de Charlie" em referência à revista satírica Charlie Hebdo, que foi alvo de um ataque terrorista em janeiro de 2015, quando homens armados deixaram doze mortos depois de invadir a redação e abrir fogo contra os funcionários. "Você agora precisa de uma autorização para fazer humor na França? Se não pode, então você tem que eliminar X", disse um dos réus.
Esse caso de cyberbullying está ligado à teoria da conspiração que circula nas redes sociais desde que Macron venceu as eleições em 2017, de que sua esposa é na verdade uma pessoa transgênero que nasceu com genitália masculina. Além disso, algumas publicações chegam a fazer alusão a supostos delitos de pedofilia, entre outras questões.
CONSEQUÊNCIAS PARA A SAÚDE
Uma das filhas de Brigitte Macron, Tiphaine Auziére, garantiu ao tribunal que a primeira-dama teve sua saúde "diminuída" devido ao "cyber-bullying" que sofreu, especialmente em relação ao fato de ser uma pessoa transgênero.
"Isso a levou a prestar muita atenção nas roupas que veste e nas posturas que adota porque sabe que sua imagem será distorcida", disse ela durante sua aparição, segundo a BFM TV. "Não há um dia sequer em que as pessoas não falem com ela sobre tudo isso e ela não pode ignorar", disse ela, afirmando que é "difícil", pois "isso tem um impacto sobre seus entes queridos e sua família, especialmente seus netos".
É por isso que ela enfatizou que "uma clara deterioração em suas condições de vida foi observada como resultado desse caso". "Como mulher, como filha e como mãe, quero que isso acabe", acrescentou.
O julgamento está programado para durar dois dias, de modo que as provas poderão ser apresentadas na segunda e na terça-feira. Não se sabe quando o veredicto será dado.
Macron entrou com o processo de perseguição cibernética em agosto de 2024, o que levou os investigadores a prender vários suspeitos com idades entre 41 e 60 anos. Se forem considerados culpados, eles poderão pegar até dois anos de prisão.
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