BRUXELAS, 15 jun. (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, afirmou que os ministros das Relações Exteriores dos 27 países-membros concordaram com a necessidade de o Líbano ser abrangido pelo cessar-fogo acordado na noite de domingo pelos Estados Unidos e pelo Irã, após o governo de Israel ter se recusado a retirar suas tropas do país.
Questionada em uma coletiva de imprensa após o Conselho de Relações Externas (CAE), realizado nesta segunda-feira em Luxemburgo, sobre a recusa de Israel em retirar suas Forças de Defesa de Israel (FDI) do Líbano, da Síria e de Gaza “sem prazo determinado”, a chefe da diplomacia europeia destacou a posição majoritária na União Europeia.
“Discutimos, naturalmente, a questão do Líbano, e os ministros destacaram que o Líbano deveria estar incluído no cessar-fogo, pois isso é realmente necessário”, respondeu a política estoniana, que lamentou a “escalada” dos ataques no país nas últimas semanas.
Após transmitir a satisfação dos ministros pelo acordo provisório de paz alcançado neste domingo entre os Estados Unidos e o Irã, Kallas ofereceu “desde apoio econômico até experiência em matéria nuclear” da União Europeia para “contribuir para uma solução sustentável” na região, ao mesmo tempo em que elogiou os esforços diplomáticos dos mediadores, especialmente Paquistão e Catar.
As declarações de Kallas ocorrem depois que o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, garantiu nesta segunda-feira que as tropas israelenses não se retirarão das zonas que ocupam no Líbano e afirmou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, “deixou claro” essa questão ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, horas após o anúncio de um acordo provisório entre Washington e Teerã para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
"O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e eu estamos promovendo uma política clara que determina que as Forças de Defesa de Israel (FDI) permanecerão nas zonas de segurança do Líbano, da Síria e de Gaza, sem qualquer limite de tempo, para proteger a partir daí a fronteira e as comunidades israelenses contra os elementos jihadistas”, afirmou.
SEM UNANIMIDADE PARA SANCIAR BEN GVIR
Nesse sentido, Kallas informou que, embora tenha havido propostas entre os ministros para sancionar o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, “hoje não se chegou a um consenso a respeito”.
Sobre a questão do comércio com os assentamentos ilegais, ela informou que muitos Estados solicitaram propostas à Comissão e que, portanto, transmitirá o pedido à Comissão Europeia para que prepare, antes da próxima reunião do Conselho de Assuntos Gerais (CAE) — em 13 de julho — “uma lista de possíveis medidas comerciais”.
Entre essas medidas, haverá restrições para impedir a importação de produtos provenientes dos assentamentos ilegais na Cisjordânia, conforme detalhou a Alta Representante, que também solicitará ao Executivo comunitário sua avaliação sobre o alcance das sanções relativas à restrição do comércio com os assentamentos.
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