Publicado 24/04/2026 06:09

Os 27 países-membros testarão em maio o mecanismo de defesa coletiva da UE contra ataques híbridos e convencionais

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DAINA LE LARDIC - Arquivo

BRUXELAS 24 abr. (EUROPA PRESS) -

Os Vinte e Sete testarão em maio a cláusula europeia de defesa mútua, também conhecida como artigo 42.7, com um exercício de simulação que explorará, pela primeira vez em anos, como responder tanto a ataques híbridos quanto convencionais, em um momento em que a segurança europeia está no centro do debate político do bloco após o recente ataque de um drone iraniano em Chipre.

Fontes europeias e diplomáticas explicaram à Europa Press que no próximo dia 4 de maio ocorrerá uma reunião a nível de embaixadores do Comitê Político e de Segurança (CPS), órgão que define a política da UE em matéria de política externa e de segurança comum, na qual será realizada uma simulação do artigo 42.7 do Tratado da União Europeia.

Os representantes dos Estados-Membros testarão a cláusula europeia de defesa mútua para verificar “como funcionaria na prática” diante de um ataque convencional, um conflito direto entre exércitos; e diante de um ataque híbrido, no qual se combinam forças militares com ataques cibernéticos, desinformação ou pressão econômica.

Essas mesmas fontes detalharam que esse tipo de simulação já foi realizado anteriormente e que normalmente ocorre a cada dois anos, embora a diferença seja que, desta vez, ela ocorre após o ataque, no último mês de março, de um drone iraniano a uma base britânica localizada em Chipre ter evidenciado, no seio da UE, a necessidade de definir seu modo de aplicação.

Nesta mesma terça-feira, o comissário europeu para a Defesa e o Espaço, Andrius Kubilius, revelou em entrevista à Europa Press e a outras agências do consórcio European News que Bruxelas estava preparando exercícios de simulação para testar esse mecanismo de defesa coletiva diante de uma agressão externa, com o objetivo de melhorar sua operacionalidade e garantir uma resposta mais coordenada entre os Estados-membros.

Assim, Kubilius constatou a necessidade de os Estados-Membros disporem de informações “muito mais claras” sobre a assistência disponível, tanto civil quanto militar, e propôs um “manual operacional” ou “caixa de ferramentas” que reúna “de forma concisa” todos os mecanismos de apoio disponíveis para os Estados-Membros.

“Um documento que você possa abrir, onde saiba a quem ligar, o que pode obter, e que não o deixe sozinho tentando descobrir quem pode ajudá-lo ou como essa assistência mútua será aplicada e prestada. Que realmente existam estruturas na Comissão e em diferentes instituições que ajudem a coordenar essa implementação”, explicou.

LÍDERES PEDEM ESCLARECIMENTOS SOBRE COMO RESPONDER

Já nesta quinta-feira, no âmbito do Conselho Europeu informal que ocorre em Chipre, os chefes de Estado e de Governo da União Europeia solicitaram à Comissão Europeia que esclareça a operacionalidade da cláusula de defesa para saber “como responder” caso um ou vários parceiros ativem esse mecanismo para solicitar o apoio do restante do bloco diante de uma agressão externa.

“Acordamos que a Comissão elabore uma proposta sobre como responder caso um Estado-membro ative o artigo 42.7, pois há uma série de questões que precisam de resposta”, explicou à imprensa o presidente de Chipre, Nikos Christodoulides, ao chegar a Nicósia para o segundo dia da cúpula de líderes da União Europeia.

O mandatário indicou que essa foi uma das conclusões da noite passada, durante o jantar informal que deu início a este Conselho Europeu informal e no qual se esperava uma discussão sobre como desenvolver esse mecanismo na prática, sem que se esperassem decisões concretas.

A cláusula de defesa mútua, alternativa no âmbito europeu ao artigo 5º da OTAN e que exige a cooperação entre governos diante de ataques externos, só foi ativada uma vez na história, quando a França solicitou o apoio dos demais membros da União após os atentados de Paris em 2015.

Christodoulides, além disso, destacou especialmente a importância de abordar essa reflexão e preparar um plano operacional claro para um artigo que abrange todos os membros da UE, incluindo aqueles que não são membros da OTAN — Chipre, Malta, Irlanda e Áustria — e, portanto, não têm a cobertura oferecida pelo artigo 5º da Aliança Atlântica.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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