Ana López García - Europa Press - Arquivo
BRUXELAS 20 abr. (EUROPA PRESS) -
Os Estados-Membros da União Europeia tentarão, nesta quarta-feira, reativar o desembolso do empréstimo de 90 bilhões de euros que, em dezembro, concordaram em conceder a Kiev, mas que permanece bloqueado até agora devido ao veto do primeiro-ministro cessante da Hungria, Viktor Orbán, que deixará o poder em maio após ter perdido as eleições na semana passada.
Segundo informou a presidência cipriota do Conselho, os embaixadores dos Vinte e Sete incluíram na agenda da reunião desta quarta-feira a reforma legal necessária que permitiria autorizar o envio dos fundos caso se confirme o consenso entre as capitais.
Este passo legislativo é o último dos três requisitos técnicos necessários para ativar a ajuda financeira e o único que exige a unanimidade de todos os parceiros, o que permitiu a Budapeste manter a operação paralisada até o momento, apesar de os líderes dos 27, incluindo Orbán, terem dado seu aval a esta medida no Conselho Europeu de dezembro.
Especificamente, a medida que se pretende aprovar na quarta-feira serve para garantir a cobertura orçamentária do crédito após a adoção formal, em fevereiro passado, dos outros dois elementos do pacote: o empréstimo de apoio e o regulamento do Mecanismo para a Ucrânia.
A mudança na agenda de Bruxelas ocorre em um contexto marcado pela possível retomada do fornecimento pelo oleoduto Druzhba, a artéria mais importante para o transporte de petróleo russo para a Europa Central, que permanece inativa há meses após sofrer ataques russos.
A esse respeito, o ainda primeiro-ministro húngaro sugeriu que sua postura poderia mudar se o fluxo energético por meio dessa infraestrutura fosse garantido, ressaltando que somente assim seu governo “não se oporá mais” à aprovação do crédito.
“Recebemos uma indicação da Ucrânia de que estão dispostos a restabelecer as entregas de petróleo já nesta segunda-feira, desde que a Hungria levante seu bloqueio ao empréstimo”, assinalou Orbán em suas redes sociais sob a premissa de que “sem petróleo não há dinheiro”.
Na mesma linha, pronunciou-se nesta segunda-feira o futuro primeiro-ministro, Péter Magyar, que, em sua primeira coletiva de imprensa após as eleições, também condicionou a retirada do veto à retomada do serviço de uma infraestrutura que está inativa há meses após sofrer ataques russos.
Magyar insistiu que a situação de Druzhba “não é um jogo”, por isso pediu a Kiev que reabra a infraestrutura assim que as condições o permitirem e que não faça chantagens à UE nem à Hungria.
Apesar desse anúncio, fontes diplomáticas consultadas mantêm a cautela e alertam que a possível aprovação nesta quarta-feira ainda não é certa, enquanto se aguarda para ver se os compromissos se concretizam na prática.
A intenção da Comissão Europeia é preparar o procedimento para que o primeiro pagamento chegue à Ucrânia antes do fim de junho, coincidindo com o novo cenário político na Hungria após a vitória eleitoral de Magyar.
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